9 de maio de 2021

Emprego: setores que mais contratam na pandemia

Quando a crise da saúde provocada pela chegada do coronavírus ao Brasil se transformou em crise econômica também, muitos trabalhadores reuniram forças para passar por meses difíceis, sem renda, com a esperança de que 2021 seria diferente. A virada do ano, no entanto, não foi acompanhada de uma vacinação em massa, e o cenário não mudou tanto. No trimestre encerrado em janeiro, a taxa de desemprego ficou em 14,2% —a maior registrada para o período desde o início da pesquisa, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No entanto, ainda há setores que estão contratando .

O gerente de negócios do Banco Nacional de Empregos, José Tortato, diz que a pandemia estimulou a abertura de vagas nas áreas de saúde, tecnologia, construção civil e logística. Neste ano, esses setores devem seguir em alta: a saúde, pela necessidade de mais profissionais na linha de frente do combate à doença; a tecnologia, pela transformação digital de negócios e bancos; a construção civil, pelas condições favoráveis para compra de imóveis diante da baixa taxa de juros; e a logística, pela ascensão do e-commerce.

Enquanto o setor de serviços, responsável por 47% das vagas de emprego do país e por 57% das do Estado do Rio de Janeiro, segue sem perspectivas otimistas, outras áreas, como a de óleo e gás, podem puxar a recuperação. Para o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, o que contribui é o aumento do preço do mercado internacional. A atividade industrial também pode gerar novas oportunidades, já que o aumento das vendas pela internet impacta a produção nas fábricas.

A especialista em recolocação, Andrea Greco, afirma que, devido ao cenário de incertezas, os profissionais devem estar dispostos a se adaptarem, até mesmo migrando de segmento. Cursos técnicos, de idiomas e de informática podem ajudar na transição. E, para que a busca por emprego seja assertiva, a mentora de carreiras Ticyana Arnaud orienta a fazer uma lista com as empresas em que deseja trabalhar, buscar as vagas na sessão ‘trabalhe conosco’, além de personalizar o currículo para cada oportunidade.

— As melhores vagas não são divulgadas. Elas são preenchidas por indicação ou o RH busca os profissionais no mercado. Por isso, também é importante construir relacionamentos sólidos e duradouros com pessoas, e não só entregar cartões de visitas — acrescenta Ticyana.

A especialista em Recursos Humanos, Aline Sousa, ainda diz que, neste momento de pandemia, o networking pode ser feito de forma virtual, pelas redes sociais e, principalmente, pelo LinkedIn.

— O  Linkedin  é um universo de possibilidades. Costumo falar para as pessoas que o posicionamento na rede através de produção de conteúdo e interação com os demais gera valor e você acaba sendo visto e lembrado, resultando no ciclo VCO, ou seja, visibilidade que gera credibilidade e, consequentemente, oportunidades —aconselha.

‘Construa o vínculo para depois pedir ajuda’

Andrea Greco ressalta que é importante entrar em contato com pessoas sem parecer ser interesseiro. Por isso, diz que não é indicado enviar o currículo no primeiro contato. É preciso criar um relacionamento e, na internet, isso pode ser feito com interação nos posts e comentários em lives.

— Temos que pensar o networking como uma troca. Mostre interesse na pessoa, se ofereça para ajudar. Construa o vínculo para depois pedir ajuda. É como um relacionamento. Você não chega abraçando o outro sem nem ao menos conversar antes — compara.

TI tem cerca de 1.600 chances por mês

O setor de TI (Tecnologia da Informação) é o que promete mais expansão nos próximos anos. Segundo dados do BNE(Banco Nacional de Empregos), são abertas cerca de 1.600 vagas no setor por mês no país. Neste momento, há um total de 47.807 vagas abertas no Brasil e 3.515 no Rio de Janeiro. De acordo com dados do BNE, as vagas mais promissoras na área são desenvolvedor, programador, técnico em informática, desenvolvedor Java, desenvolvedor front-end, suporte técnico, analista de sistemas e de suporte e técnico em TI. Neste setor, o grande problema para as empresas é achar profissionais qualificados.

— Tem sido difícil fechar essas vagas porque os profissionais de TI são realmente escassos. É imprescindível que os candidatos já tenham essa vivência com cada tecnologia tanto em programação, como em banco de dados, segurança, análise e arquitetura de sistemas —afirma José Tortato, gerente de negócios do BNE.

Para se aprimorar na área ou até mesmo testar para começar uma carreira, as pessoas têm procurado esses cursos no Senac.

— TI não é só para programadores e desenvolvedores, existem várias áreas como help desk, e-commerce e áreas relacionadas — afirma Eduarda Varela, gerente de Produtos educacionais do Senac RJ.

Óleo e gás prometem contratações

No Rio de Janeiro, boas notícias vêm do setor de óleo e gás, que possui uma enorme cadeia de produção no Estado. A nova lei do gás promete trazer mais dinamismo para o mercado e grandes investimentos nos próximos anos.

– Fizemos um estudo de potencial de investimento de R$ 80 bilhões nacional e R$45 bilhões no Rio de Janeiro para o setor de gás nos próximos anos. Para destravar tudo ainda é preciso avançar a agenda regulatória. Mas nossos cálculos indicam que a cada um bilhão de reais de investimento são gerados 14 mil empregos diretos e indiretos —afirma Thiago Valejo, coordenador de Conteúdo Estratégico de Petróleo, Gás e Naval da Firjan.

Foto/Destaque: Divulgação

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