Emprego no AM diminui 2 mil postos

Resultado foi influenciado, principalmente, pelos setores de serviços e indústria de transformação

O número de empregos no Amazonas reduziu pouco mais de 2 mil postos em fevereiro, influenciado principalmente pelo setor de serviços, que apresentou redução de 853 postos de trabalho. A variação negativa foi de 0,43%. O segmento, que abrange atividades relacionadas ao comércio, aos setores imobiliário, de transporte, comunicação, atendimentos médicos, dentre outros, teve o resultado negativo agravado pelos serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção, que obtiveram queda de 691 empregos. Os números são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), ontem. O Caged registra os números dos empregos formais.
Segundo a vice-presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas), Lílian Guedes, o alto índice de demissões está relacionado à mudança econômica que o país enfrenta nos últimos meses. Ela conta que os reajustes nos preços da energia, do combustível, assim como o aumento nas taxas dos juros, têm resultado na retração do consumo por parte do público amazonense. O período chuvoso e as viagens para outros Estados no período do carnaval também contribuíram para a queda nas vendas e logo, a redução no quadro funcional do segmento de bares e restaurantes.
“Foi um mês difícil. O carnaval complicou muito a nossa atividade porque boa parte da população da classe média saiu de Manaus. Além disso, choveu muito e o amazonense não gosta de sair de casa no período chuvoso. Somado a esses fatores, há os reajustes repassados à população pelo governo federal. As pessoas estão com o pé no freio para os gastos”, comenta.
Lílian informa que devido ao período de retração no consumo, as empresas precisam reduzir gastos e são obrigadas a enxugar o quadro funcional. Segundo ela, alguns estabelecimentos tiveram redução de até 30% no faturamento no último mês. “Já começamos a reduzir despesas e a demitir funcionários. Para este mês, acredito que o setor deve fechar o saldo com redução de 10% nas vendas, em comparação a março de 2014. Devemos igualar o número ao do ano passado”.
Além do segmento de serviços outro setor que obteve um registro expressivo de demissões foi o da indústria de transformação, com a baixa de 606 vagas de emprego e variação de 0,45%.
A indústria mecânica, que faz parte do setor de transformação na montagem de máquinas e equipamentos, sofreu redução de 579 vagas. Logo após, aparece outro subsetor que é a indústria do material de transporte, com saldo negativo de 142 postos de trabalho. Na lista também constam outras áreas que totalizam a redução de mais de 600 empregos.
O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, também atribui o alto índice de desligamentos à crise econômica nacional. O empresário explica que as medidas impostas pelo governo federal ao povo brasileiro atingem o poder de compra da população, que reduz o consumo. Como um efeito dominó, a demanda diminui e as indústrias também reduzem o nível de produção. Logo, há redução nas despesas e os desligamentos de colaboradores.
“A retração no consumo é uma consequência ao aumento nos preços. Isso é resultado do aumento dos juros, do combustível, da energia elétrica”, comenta.
Azevedo ainda adianta que o índice de demissões deve aumentar nos próximos meses por falta de medidas que revertam os problemas econômicos. “Vivemos uma situação preocupante com a previsão de evolução nas demissões e quais medidas estão sendo estudadas para reverter esse quadro?, nenhuma”, completou.

Priscila Caldas
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