O espírito humano, algo abstrato e indefinível por natureza, tem sido apontado como a base de todas as conquistas da humanidade ao longo dos séculos. Inquiridor e realizador, quase sempre; indômito, muitas vezes; apaixonante, por outras tantas, mas sempre no centro de nossas atenções por sua capacidade de realização e superação de obstáculos e que nos motiva a seguir sempre em frente. Ao espírito humano emerge uma de suas facetas mais visíveis, por envolver a ação social, o empreendedorismo, o que nos reporta diretamente ao próprio empreendedor, esse agente social que leva as oportunidades e potencialidades a um termo, beneficiando o conjunto da sociedade. Sem o espírito empreendedor, sem a capacidade de assumir riscos calculados e de enfrentar as adversidades, a humanidade não teria evoluído tanto.
A ação social e econômica promovida por empreendedores do mundo inteiro não passa despercebida à Academia. Desde julho de 2006, quando elaborei e veiculei na nossa coluna um modesto estudo sobre o perfil do empreendedor, tenho procurado aprofundar o tema, com respaldo sobretudo nos mestres e doutores das áreas de psicologia, antropologia, sociologia, economia e administração. Não por coincidência, deparei-me com o estudo promovido pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre os temas fundamentais para o segmento dos negócios de pequeno porte, publicado no início desta década, em que há um tópico intitulado Espírito Empresarial trazendo informações sobre a trajetória acadêmica do tema empreendedorismo.
Mais recentemente, a busca pela criação ou fortalecimento do espírito empresarial tem levado a Academia e as instituições de pesquisa a procurar conhecer o próprio empreendedor como o sujeito da ação econômica, papel que foi praticamente ignorado pela teoria econômica a que tivemos acesso, a despeito de alguns economistas terem ressaltado sua importância. Este interesse acadêmico tem seu aspecto prático, pois, ao se conhecer o empresário ou potencial empresário, pretende-se incentivar o empreendedorismo e a criação de empresas, a base do modo de produção capitalista no qual estamos inseridos.

Mestres empreendedores

Segundo o estudo do Sebrae e da CNI, Cantilon (1755) e Jean Baptiste Say (1803) foram os primeiros a destacar o papel do empresário no processo econômico. Cantilon o considerava um “risk taker” (tomador de risco) porque investia seu próprio dinheiro e administrava um negócio com o objetivo de dar lucro. Say, admirador de Adam Smith e da Revolução Industrial Inglesa, fazia uma distinção entre o capitalista e o empreendedor quanto à essência e aos objetivos. Ele associava o empreendedor à inovação, e o considerava um agente de mudança, linha seguida por Schumpeter (1928) e muitos outros depois dele que procuraram entender o papel do empresário e da inovação para o desenvolvimento. Hayek e outros economistas da Escola Austríaca demonstraram o papel do empreendedor como disseminador de informações para o mercado, por meio do mecanismo de preço que, por sua vez, permite aos outros empresários tomar suas decisões. George Gilder considera que o empresário não apenas aproveita as oportunidades existentes no mercado, mas também contribui para o aparecimento destas mesmas oportunidades. Cita, como exemplo, a criação de novos produtos, para os quais ainda não existe demanda, a ser criada pelo próprio produto.
O estudo das duas instituições brasileiras mostrou que, enquanto os economistas procuram entender o papel dos empreendedores nas relações econômicas, os sociólogos, psicólogos e outros especialistas do comportamento humano se interessam pelas motivações dos empresários e por suas características pessoais. O estudo de Max Weber, principalmente em seu clássico A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, foi pioneiro em querer saber quais as motivações dos empresários e seu sistema de valores como elemento fundamental para se con

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