Antes de iniciar, quero expor uns pontos de vista: nada mais atraente e inútil do que comparar culturas! E, pior ainda, comparar religiões. E tem mais: nada mais inócuo do que criticar outras civilizações diferentes da nossa. Enfim! Vamos abordar o país que até uns dias era conhecido como Afeganistão. Esse país está localizado em uma região geopolítica extremamente sensível e de interesse das grandes potências, desde sempre. Faz fronteira com o Irã, Paquistão, China e alguns países da extinta União Soviética (URSS). Ou seja, no olho do furacão geoestratégico mundial. Possui incalculáveis riquezas minerais e serve, também, de corredor de comércio entre a Ásia Central e o Oriente Médio. Seriam necessárias centenas de toneladas de papel A4 para resumir, em letras de fonte 12, a história desse país, cuja civilização tem mais de 9.000 anos e possui vestígios de presença humana de mais de 50.000 anos. Dentre os variados invasores  do Afeganistão, ao longo da História, inicio por Alexandre, o Grande e seu fabuloso e muito bem treinado exército da Macedônia. Alexandre invadiu, mas não conquistou. A história reza que pertence a Alexandre, o Grande uma frase sobre o Afeganistão: “ Fácil entrar, difícil sair “. Tempos depois, o poderoso exército mongol de Gêngis Khan conheceu a força dos defensores do Afeganistão e, também o invadiu, mas não conquistou. No Século XIX o Afeganistão foi o pivô de crises entre os impérios britânico e russo.

No início do século XX, o país foi invadido pela superpotência da época: a Inglaterra, que, também, confirmou a frase de Alexandre, o Grande. No decorrer do Século XX, os russos invadiram o Afeganistão e conheceram a derrota, igual aos invasores anteriores. Interessante notar que, nessa época, os EUA defenderam o Afeganistão com propaganda, material militar e pessoal. Assistam ao filme RAMBO 3, que é dedicado ao “galante povo afegão”. Enfim, anos depois que os russos saíram, também, do Afeganistão, os EUA o invadem. E também saíram agora, há alguns dias.

Vamos pensar: o que este país tem de tão diferente que consegue vencer os maiores exércitos do planeta ao longo da História, sem terem armas atômicas ou poderio militar de destaque? Bem, o Afeganistão tem uma arma muito poderosa e que mostrou ao longo do tempo ser muito eficaz e eficiente: a coragem do seu povo! Isso realmente é de se admirar, e muito. Deve-se estudar, sempre, as batalhas ocorridas no Afeganistão para que todos possam aprender uma nova abordagem de História Militar. E este assunto não deveria estar restrito aos estrategistas e nem ao militantes ideológicos radicais por aí. Agora, o que assistimos na mídia televisada são “especialistas”, alguns com menos de 30 anos, criticarem o modus vivendi do povo afegão, criticam os métodos do Talibã e alguns criticam, até, a fé religiosa da maioria daquele povo. E, muitos, rangem os dentes contra o tratamento reservado às mulheres, segundo a crença do Talibã e as leis da Sharia. Bem, creio que seria interessante, para quem critica, que vá até Cabul e faça manifestações contra o regime. Poderiam ir grupos feministas e de direitos humanos, por exemplo. E, também meio ambientalistas radicais.

As passagens aéreas estão baratas nesta época. Vão lá e digam que a Democracia é o melhor regime. Para o Ocidente, claro. Talvez eles, os Talibãs, perguntem, então como é que um Presidente eleito democraticamente com quase 58 milhões de votos, tem tantos adversários na mídia, no Legislativo e no Judiciário? E esses adversários propagam a volta da Democracia? Mas, o Presidente foi eleito de forma democrática, ou não? Em suma, creio que muitos brasileiros não têm moral alguma para criticar a cultura e o modus vivendi de outras nações. Mas, se ainda assim quiserem criticar, vão lá e se manifestem. Lá, no país alvo de suas críticas. E boa viagem.

Entrar é fácil. Difícil é sair vivo !

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