Embrapa pesquisa adubo verde na Amazônia

Três espécies de leguminosas –duas delas nativas da Amazônia– podem se transformar muito em breve em uma espécie de adubo verde. São a gliricídia (Gliricidia sepium), uma árvore originária da América Central, e as amazônidas táxi-branco (Sclerolobium paniculatum), e o ingá (Inga edulis). Elas são estudadas por pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Amazônia Ocidental, sediada em Manaus, para servirem de alternativas ecologicamente corretas de melhoria do solo pobre de algumas áreas da região.

As espécies ainda poderão garantir maior produtividade aos agricultores de baixa renda, segundo os estudos preliminares da Embrapa.
Durante as pesquisas, os pesquisadores descobriram que essas leguminosas são capazes de fixar nitrogênio para adubação verde e cobertura do solo. Conforme os estudos, as espécies têm potencial para melhorar as características químicas e físicas do solo e recuperar áreas alteradas e abandonadas. Os resultados de pesquisas revelam que as leguminosas são promissoras como componentes de consórcios agroflorestais.

A gliricídia (Gliricidia sepium), uma árvore originária da América Central, é amplamente difundida nos trópicos. Segundo a pesquisadora Joanne Régis, que participa do estudo, essa planta apresenta uso múltiplo. Pode ser utilizada como barra-vento, cerca-viva, forrageira, madeirável e adubo verde. “Ela tolera solos ácidos e pobres, resiste a várias podas anuais e produz grande quantidade de biomassa”, explicou.

Outra espécie citada pela pesquisadora é o táxi-branco (Sclerolobium paniculatum). Segundo Joanne Régis, a espécie tem potencial para a recuperação de solos degradados, pois tem elevada produção de liteira (matéria orgânica formada restos vegetais) rica em nutrientes e apresenta rápido crescimento.
O táxi-branco é uma leguminosa arbórea nativa da Amazônia brasileira que ocorre em diferentes tipos de solos e apresenta capacidade de fixação de nitrogênio.

Espécie potencial

Outra espécie potencial para uso como adubo verde em consórcios agroflorestais é o ingá (Inga edulis), uma frutífera tolerante a solos ácidos, que tem sido utilizada para sombreamento, controle de invasoras e proteção do solo. No Estado do Amazonas é frequentemente encontrada nas propriedades rurais como parte dos pomares caseiros. Porém, geralmente não é submetida a qualquer espécie de manejo de poda.

Alternativa para quem possui solo em processo de degradação

Pesquisadores da Embrapa avaliaram o comportamento do ingá quando submetido a podas anuais e capacidade de produção de biomassa em sistemas agroflorestais estabelecidos em pastagens degradadas. Segundo a pesquisadora Elisa Wandelli, a partir do segundo ano de estabelecimento, o ingá sofreu três podas anuais, antes do período de floração e sua biomassa foi depositada nas linhas das espécies frutíferas (cupuaçu, acerola, maracujá e araçá-boi).

“A poda disponibilizou para as espécies frutíferas boas quantidades de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio”, completou Wandelli. As pesquisas mostram que a adubação verde de leguminosas desempenha papel vital no estabelecimento dos sistemas agroflorestais, no balanço dos nutrientes e na economia de recursos com a compra de adubos. É uma alternativa para aqueles que possuem áreas de plantio em processo de degradação.

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