Embrapa apresenta ao país nova cultivar resistente à sigatoka negra

A sigatoka negra é a mais grave doença da bananeira, causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, que ataca as folhas e pode dizimar as plantações. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), já recomendou 11 variedades de bananeiras que são produtivas e resistentes à doença, a mais recente cultivar desenvolvida é a BRS Conquista, com sabor e formato semelhante à banana maçã, que vem conquistando produtores, distribuidores e até mesmo os consumidores mais exigentes.
Na semana passada, o pesquisador Luadir Gasparotto, da equipe de fitopatologistas da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus) apresentou o resultado da pesquisa no 40.º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, realizado em Maringá (PR). Ele trabalha na avaliação de resistência e produção da nova variedade há dois anos e divulga o resultado desse trabalho em várias regiões.
A nova variedade começou a ser plantada no mês de fevereiro nas cidades de Presidente Figueiredo (AM), Cáceres e Rondonópolis (MT), Andirá (PR), Jales (SP) e começará a ser implantada em Unidades de Observação de Janaúba (MG), Registro (SP) e litoral de Santa Catarina.
A disseminação da Conquista é também resultado da ação dos Escritórios de Negócios da Embrapa Transferência de Tecnologia (SNT), encarregada de introduzir no mercado as tecnologias geradas pela pesquisa.
O novo material foi multiplicado e avaliado quanto à resistência a doenças, produtividade e aceitação comercial. Além disso, foram efetuados testes de degustação com 120 consumidores em dois supermercados, em Campinas (SP), e com 17 atacadistas no Ceagesp, em São Paulo (SP). A aceitação, segundo Gasparotto, foi plena.
A intenção de fazer os testes nessas cidades se deve à proximidade com os maiores mercados consumidores e com os grandes centros de distribuição de alimentos do país.

Semelhante à cultivar maçã

A cultivar BRS Conquista se assemelha ao sabor e formato da cultivar maçã e também é resistente à sigatoka-negra e ao mal-do-panamá. Todos os procedimentos para o lançamento e divulgação dessa nova cultivar (previsto para março de 2008) estão sendo feitos de acordo com o plano de marketing estabelecido pela Embrapa Amazônia Ocidental em parceria com o SNT, que compreende também a proteção da cultivar, testes sensoriais, montagens de UDS (Unidades de Desenvolvimento Sustentável) e pomar de plantas básicas, licenciamento de viveiristas entre outros.
A sigatoka negra foi constatada no Brasil, no início de 1998, nos municípios de Tabatinga e Benjamin Constant (AM), na fronteira do Brasil com a Colômbia e Peru.
Atualmente, segundo Gasparotto, que nos últimos meses tem sido convidado por secretarias de Agricultura para diagnosticar o aparecimento da doença em Estados de todas as regiões brasileiras, o fungo encontra-se disseminado nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, exceto no Distrito Federal e Estados do Tocantins, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás.
A sigatoka e o mal-do-panamá (Fusarium oxysporum f.sp.cubense) constituem-se nos principais fatores bióticos que dificultam o desenvolvimento e a manutenção da bananicultura nacional. Os pesquisadores recomendam, portanto, a obtenção de cultivares produtivas que apresentem resistência múltipla às duas doenças.
Desde 1998, a Embrapa Amazônia Ocidental e a Embrapa Mandioca e Fruticultura (Bahia) vêm desenvolvendo trabalhos para seleção de cultivares de bananeiras produtivas e resistentes à sigatoka-negra.
A nova cultivar registrada no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), pertence ao subgrupo genômico AB, apresenta porte médio a alto, possui resistência às sigatokas negra e amarela e ao mal-do-panamá e apresenta alta produtividade. A polpa dos frutos apresenta coloração creme, com bom equilíbrio entre açúcares e ácidos, conferindo-lhes sabor agridoce.

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