Embaixador do Brasil diz que resolver impasse no país é ‘difícil ou impossível’

O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, disse estar pessimista sobre as perspectivas de negociação entre o governo interino de Honduras e o presidente deposto Manuel Zelaya. Para ele, o progresso é “difícil ou impossível’’.
Cesaes foi um dos diplomatas que esteve em Honduras nesta semana para conversar com ambos os lados, sem sucesso. Houve acordo apenas em relação a uma agenda de negociações.
O diplomata disse perante o Conselho Permanente da OEA, que, apesar das dificuldades, “mantém a esperança’’ de que o governo interino, liderado pelo presidente Roberto Micheletti, e Zelaya cheguem a um acordo.
O governo brasileiro afirma esperar que a OEA medie a crise. A missão da OEA, encabeçada pelo secretário-geral da instituição, José Miguel Insulza, se reuniu na quarta-feira com Micheletti, na Casa Presidencial, e com Zelaya, dentro da embaixada brasileira na capital Tegucigalpa, onde ele e dezenas dos seus partidários estão “abrigados” desde o último dia 21 de setembro.
No dia seguinte, pouco antes de deixar Honduras, a missão emitiu um insípido comunicado no qual expressava “esperança” no processo. O secretário de Assuntos Políticos da OEA, Victor Rico, admitiu que a delegação ficou “surpresa” com a resistência demonstrada por Micheletti na reunião -o que teria sido o motivo do pouco avanço do diálogo até o momento.
Na reunião, quando os chanceleres propuseram a possibilidade de restituir Zelaya antes das eleições marcadas para novembro que vem, Micheletti respondeu em um tom de desafio. “O objetivo final são as eleições, que terão lugar em 29 de novembro. Só se nos mandarem um ataque e nos invadirem, é a única forma de nos deter”, disse, segundo relato de Rico.

Abandonar o cargo

Nas conversas, portanto, o presidente interino de Honduras insistiu que só abandonará o cargo se Zelaya também o fizer, o que, para o governo brasileiro, envolvido nos diálogos, seria inadmissível.
Zelaya afirmou em entrevista a um canal de TV que a recusa da gestão interina em aceitar o retorno dele está levando o país “ao abismo”. Para o deposto, Micheletti age “como se vivesse em um outro mundo, como se Honduras fosse uma grande potência” e “desencadeou uma briga contra o mundo”.

Contratação de mercenários

Um grupo de especialistas em direitos
humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) denunciou que hondurenhos estão contratando ex-paramilitares colombianos como mercenários para proteger suas famílias e propriedades por medo da eventual violência que poderá emergir da profunda crise política que o país vive há mais de cem dias.
Os cinco especialistas, integrantes de um grupo da ONU que estuda mercenários, afirmaram ter conhecimento de que 40 ex-integrantes do grupo AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) foram contratados por latifundiários -o AUC é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos- e de que 120 paramilitares de diversos países foram chamados a Honduras para apoiar a deposição de Zelaya, em junho passado.
Conforme os especialistas, o objetivo das contratações, por parte dos hondurenhos, é proteger pessoas e propriedades de “mais violência”.
“Exortamos as autoridades hondurenhas a tomar todas as medidas práticas para evitar o uso de mercenários dentro do território e a investigar as acusações relativas à sua presença e às suas atividades”, disseram os cinco especialistas em declaração divulgada em Genebra.

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