Em segurança não vale recall

É interessante e indica tendência que deve prolongar-se por bom tempo, relatório da Área de Sistemas Eletrônicos Prediais da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). Seu conteúdo demonstra que o faturamento da indústria de segurança eletrônica no Brasil deverá crescer 20% em 2007, em relação ao ano passado, alcançando a expressiva cifra de R$ 1,26 bilhão. Tal expansão, conforme sinaliza o próprio levantamento, deverá abranger serviços e produtos como controle de ponto e acesso, bem como monitoramento via internet e sistemas que detectem remotamente problemas de incêndio, invasão e vazamento de gás.
Os números são coerentes com estudo da Forrester Research, companhia norte-americana de pesquisas, consultoria, dados e mediadora de comunidades em tecnologia, que revela: os investimentos corporativos em projetos de segurança deverão atingir US$ 11,2 bilhões até 2008 nos Estados Unidos e Europa, contra apenas US$ 1,1 bilhão em 2005. Como ocorre aqui no Brasil, esse fluxo de aporte de capital em segurança abrange o controle de acessos em empresas, órgãos públicos, sedes de entidades internacionais, embaixadas, consulados e condomínios residenciais. O ambiente virtual/cibernético também tem sido contemplado.
É possível observar, numa análise mais acurada dos mercados europeu, norte-americano e brasileiro, que um dos focos dos investimentos tem sido a tecnologia de biometria de reconhecimento facial, palma das mãos e impressão digital. Estes itens são essenciais, à medida que se constituem na efetiva prevenção física da invasão de prédios por pessoas indesejadas. Assim, devem ser, necessariamente, de alta precisão e confiabilidade.
Essa vertente mais sofisticada da segurança, propiciada pela tecnologia de ponta, incluindo o ato de sua conexão aos sistemas de informática e TI, destinada a controlar com eficácia a entrada e saída de funcionários de uma empresa, moradores de condomínios e visitantes de quaisquer prédios ou instalações, deve, necessariamente, ser muito pouco suscetível a falhas e defeitos. Afinal, é imenso o risco em jogo, diretamente ligado à operação eficaz desses equipamentos.
Dessa maneira, é importante que os investimentos — crescentes como demonstram os números dos mercados nacional e internacional — privilegiem qualidade e confiabilidade. Além disso, é crucial o treinamento e constante reciclagem dos profissionais que interagem e/ou operam com esses sistemas, pois sua tecnologia e funcionamento, por mais avançados que sejam, podem ser comprometidos pelas falhas humanas. Assim, todos esses cuidados, do investimento correto à gestão de recursos humanos, devem ser sempre adotados para o adequado atendimento da demanda da segurança. Este é um segmento típico em que, na maioria das vezes, o recall é quase inútil…

Dimas de Melo Pimenta II, economista, é presidente da Dimep e diretor do Departamento Sindical (Desin) da Fiesp.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email