Em 6 anos, indústria do AM reduz empregos e fábricas

O Amazonas perdeu 20,6% de suas indústrias, entre 2013 e 2019, ao passar de 1.269 para 1.008 unidades –o menor número desde 2007. No mesmo período, o Estado perdeu nada menos do que 47,1% de seus empregos industriais, de 139.027 (2013) para 94.505 (2019) pessoas ocupadas. Em ambos os casos, as perdas se concentraram principalmente nas empresas menores. É o que revela a PIA (Pesquisa Industrial Anual) -Empresa, divulgada pelo IBGE, nesta quarta (21).

A mesma sondagem mostra ainda que, apesar do cenário negativo de 2019, a indústria amazonense ocupou mais pessoas do que a paraense (4.851 a mais), mesmo tendo menor número de unidades locais (135 a menos). A fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos foi a atividade industrial que mais ocupou pessoas, no mesmo ano, em nível local, além de gerar a maior receita líquida e valor de transformação industrial. Produtos alimentícios, por outro lado, foi o segmento que registrou maior quantidade de unidades locais.

De acordo com o IBGE, existiam 1.008 unidades industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas no Amazonas, em 2019. Vale notar que a comparação com 2013 contrasta com o maior dado da série histórica em termos de quantidade de empresas (139.027). Essas unidades ocupavam 93.145 pessoas e pagaram R$ 4,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações e R$ 2,8 bilhões em encargos sociais e trabalhistas, indenizações e benefícios. A atividade gerou cerca de R$ 40,9 bilhões em valor de transformação industrial, montante este decorrente do valor bruto da produção industrial (R$ 100,3 bilhões) e dos custos das operações industriais (R$ 59,4 bilhões).

Nada menos do que 98,6% (994 unidades) da manufatura amazonense pertencia às indústrias de transformação, enquanto 1,4% eram indústrias extrativas (14 unidades) – empregando 97,7% (94.505) e 2,3% (2.103) dos trabalhadores alocados no setor. Na receita líquida de vendas, a indústria de transformação participou com 98,02%, enquanto a extrativa teve 1,98%. Já a proporção dos custos e despesas aumenta proporcionalmente para a segunda (5,4%), em relação à primeira (94,6%).

A pesquisa indica que o modelo industrial do Amazonas se caracteriza por poucas unidades industriais, ocupando a 21ª posição do país. Já em relação ao número de pessoas ocupadas, sua posição foi a 13ª –sendo que São Paulo lidera as duas comparações. Na região Norte, o Estado é superado apenas pelo Pará na quantidade de empresas, mas superou o vizinho em pessoal, entre 2018 e 2019.

Indústria de transformação

No Amazonas, ao todo, são 29 classes de atividades industriais. As cinco com maior número de unidades locais foram produtos alimentícios (190 ou 18,85% do total), produtos de borracha e de material plástico (89 ou 8,8%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (83 ou 8,2%), impressão e reprodução de gravações (66 ou 6,5%) e produtos de metal (64 ou 6,3%).

O ranking das atividades industriais com maior número de pessoas ocupadas no Estado também é liderado por atividades da indústria de transformação. Os destaques vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (25.304 ou 26,7%), “outros equipamentos de transporte” (13.895 ou 14,7%), produtos de borracha e de material plástico (8.235 ou 8,71%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7.785 ou 8,24%) e produtos alimentícios (5.300 ou 5,61%).

No ranking das atividades com o maior total de receitas líquidas, as primeiras posições vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (R$ 40,6 bilhões ou 39,2%), “outros equipamentos de transporte” (R$ 13 bilhões ou 12,5%), bebidas (R$ 8,2 bilhões ou 7,9%), produtos de borracha e de material plástico (R$ 4,8 bilhões ou 4,6%) e produtos de metal (R$ 4,4 bilhões ou 4,2%).

“Vocação produtiva”

Segundo a sondagem do IBGE, a região Norte se destaca por “tradicional relevância” da atividade extrativa, especialmente o Pará, onde houve incremento de 13,2 pontos percentuais, em dez anos. No Amazonas, por outro lado, houve retração de 12,2 p.p., na mesma comparação. Ambos os Estados lideraram o valor de transformação da Indústria regional, representando, respectivamente, 55,3% e 39,7% do total em 2019. 

“Essa elevada concentração do Pará deriva de sua vocação produtiva na atividade de extração de minerais metálicos, responsável por 84,3% do valor gerado em transformação industrial no Estado vizinho, enquanto o Amazonas se beneficia das estratégias de desenvolvimento que estabeleceram a Zona Franca de Manaus, com forte predominância da indústria de eletrônicos, bebidas e refino de petróleo”, salientou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa. 

Somados, os demais Estados vizinhos totalizaram apenas 5% da produção da região Norte, com destaque para a concentração na indústria alimentícia, que equivale a parcela significativa e majoritária do valor de transformação industrial estadual em Rondônia (68,2%), Acre (66%), Tocantins (50%) e Roraima (48,2%).

No ranking do valor da transformação industrial do Amazonas, as atividades com maior geração de valor foram equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (R$ 10,2 bilhões ou 25,05%), bebidas (R$ 6,7 bilhões ou 16,4%), “outros equipamentos de transporte” (R$ 4,05 bilhões ou 9,9%), produtos de metal (R$ 2,3 bilhões ou 5,6%) e produtos de borracha e de material plástico (R$ 1,6 bilhão ou 4,1%).

Mais com menos

Em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, salienta que as perdas da unidades industriais foram diluídas ao longo dos anos com alternâncias, sendo que o número de unidades industriais do Amazonas com 30 ou mais pessoas ocupadas, praticamente não teria sofrido alteração desde 2016. O pesquisador observa, contudo, que o mesmo não aconteceu com as empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas, que perderam quase 150 unidades desde 2016, e alcançaram a menor quantidade desde o início da série histórica. 

“As empresas pequenas foram as mais afetadas pelo encerramento das atividades. O número de pessoas ocupadas nas unidades com cinco ou mais pessoas ocupadas também alcançou o menor número, mostrando que a indústria local conquistou alta de produção, mesmo com redução de mão-de-obra. O valor bruto da produção do Amazonas alcançou R$ 100 bilhões, mas o custo das operações industriais atingiu 59% desse valor, fazendo o valor da transformação industrial cair consideravelmente. Como consequência, o Estado perdeu posição para o Pará no valor da transformação, mesmo tendo maior valor bruto de produção que a unidade federativa vizinha”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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