9 de maio de 2021

Eleições de 2022 devem ser polarizadas entre Lula e Bolsonaro

As eleições majoritárias para presidente e governadores, em 2022, deverá ser mesmo polarizada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tentará a reeleição, segundo prevê o cientista político Carlos Santiago.

Ele avalia que potenciais candidatos como Sérgio Moro, Fernando Haddad, Ciro Gomes, Luciano Huck, João Doria, Flávio Dino, perdem força com uma possível candidatura na corrida eleitoral pela presidência no próximo ano. 

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) abriu caminho para esse possível novo cenário político. Ele anulou todas as sentenças que resultaram da operação Lava Jato, culminando pela condenação de Lula há quase dois anos de prisão. E que teve como o principal protagonista de sua sentença o ex-ministro Sérgio Moro, declarado como um potencial candidato às eleições para presidente da República. 

Fachin concedeu habeas corpus declarando incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar quatro processos que envolvem Lula – o do triplex, do sítio Atibaia, da compra de um terreno para o Instituto Lula e sobre doações para o mesmo instituto. Mas o MPF (Ministério Público Federal) pode recorrer da decisão. E a palavra final será mesma do plenário do STF.

Com a decisão, o petista volta a ter os direitos políticos e se torna elegível para uma possível nova disputa. “É um momento importante e isso muda todo o cenário político das eleições de 2022, causando um enfraquecimento em nomes da esquerda e da direita cotados para disputar o pleito do próximo ano”, avalia Carlos Santiago. “A polarização será mesmo entre Lula e Bolsonaro”, acrescenta ele.

O cientista político diz, porém, que Bolsonaro ainda possui uma forte base de apoio, apesar do desgaste causado por estratégias fracassadas na economia e ainda devido à indiferença no controle da pandemia do novo coronavírus.

Para ele, Bolsonaro encontra, agora, um adversário à altura com a retomada dos direitos políticos de Lula. “Mas ele, Bolsonaro, ainda tem um forte apoio de parte do empresariado, do centrão, dos evangélicos. E é imprevisível de como será o desfecho das eleições à presidência em 2022”, afirma o cientista político.

Santiago ressalta que o eleitorado brasileiro está, hoje, muito mais amadurecido e a volta de Lula reforça mais essa polarização. “O ex-presidente tem grandes possiblidades de resgatar o mesmo protagonismo que teve junto aos eleitores”, diz.

Marketing de Ciro Gomes

Analisando a declaração de Ciro Gomes que disse “não me envolvam nesse circo com Lula presidente”, Carlos Santiago avalia ser mais um marketing do político. 

“Ciro faz mais um jogo de marketing, é um Bolsonaro à esquerda, mas no fim ele acaba tendo uma compreensão correta da disputa política”, salienta o cientista. “Ele tenta se colocar como o cara que pode derrotar Bolsonaro, mas Lula inviabiliza as outras candidaturas”, enfatiza.

Para o cientista político Breno Rodrigo Messias Leite, Lula poderá se desvincular da imagem da ex-presidente Dilma Rousseff e do próprio PT, envoltos em várias denúncias de corrupção, para fortalecer uma possível candidatura em 2022. 

“Poderia ser uma candidatura isolada nesse cenário adverso, mas o Lula não é homem de ser candidato isoladamente”, ressalta ele. “Mas Lula continua sendo um candidato fortíssimo e é a melhor liderança política do País’, acrescenta.

Breno Rodrigo salienta que o desgaste de Bolsonaro por desastres nas medidas econômicas e também no combate à pandemia favorecerá o ex-presidente Lula. 

“O eleitorado brasileiro é muito sensível nessas questões, punindo ou premiando a liderança política de acordo como se apresenta a situação econômica”, afirma ele.

O plenário do STF ainda precisa decidir se mantém a decisão de Fachin, algo que pode ameaçar a vida política de Lula. Segundo Breno Rodrigo, o problema é que o Brasil tem muita insegurança jurídica, um campo sempre marcado por incertezas.

“A lei da Ficha Limpa que pode autorizar Lula ou não é claríssima. Porque a decisão veio só de um órgão colegiado do Paraná. Lula não foi impeachemado, como Dilma, podendo ser um franco favorito às eleições”, afirma.

Breno vê Ciro Gomes como o mais prejudicado com a volta de Lula ao cenário político. Mas admite que o político tem um bom cacife eleitoral. Porém, acaba não polarizando os votos nos segundos turnos das disputas.

“Ciro Gomes teve teto eleitoral em três eleições. Mais o agravante é que não agrega tantos votos no segundo turno. Sua candidatura fica praticamente inviável com uma possível disputa de Lula à presidência”, afirma.

O cientista político afirma que o desgaste político do presidente Jair Bolsonaro favorece Lula. Ele não observa também nenhuma possiblidade de Sérgio Moro sair candidato porque o ex-juiz se desvinculou da política, como também acontece com o apresentador Luciano Huck.

“Moro agora está cuidando de suas consultorias, não agrega mais tantos votos”, avalia. Outro dado que desgasta mais ainda Bolsonaro, favorecendo Lula, é que o presidente sempre manteve uma política de enfrentamento com governadores e prefeitos, segundo Breno Rodrigo.

“Essas lideranças estaduais e municipais, até mesmo da oposição, só mantêm mais proximidade com o presidente com o objetivo de conseguir verbas federais”, analisa.

Foto/Destaque: Divulgação

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