A política ainda é uma incógnita para as próximas eleições, segundo o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), mas ele não descarta a possibilidade de disputar o governo do Amazonas, caso os candidatos sejam Eduardo Braga (PMDB) e José Melo (PROS). “Se o cenário for afunilando para esse, eu não teria problema em colocar meu mandato em risco e apresentar a população outra alternativa”, disse ao Jornal do Commercio.
Quando a ex-senadora, Marina Silva esteve em Manaus, ela confirmou sua indicação para Marcelo Ramos ser candidato ao governo do Amazonas nas eleições de 2014. Segundo Ramos hoje não há clima dentro do PSB para que ele dispute o governo do Estado. “Mas o que eu disse para a Marina e para o Serafim também, é que eu estou convicto de que nós não temos o direito de permitir que a eleição seja disputada entre o Eduardo Braga e José Melo, mas isso tudo é muito prematuro ainda”, declarou.

Cenário atual
Segundo Ramos, no caso do PSB, o partido tem uma aliança com o prefeito Arthur Neto (PSDB), mas tem um candidato a presidente. “O Arthur, ninguém sabe bem o que ele vai fazer, no final do ano passado ele sinalizou muito para a candidatura da Rebecca Garcia, o que seria um projeto que caberia bem para o PSB”, relatou. Neste caso, Serafim Corrêa sai candidato a deputado federal, uma chapa que garantiria cociente para deputado federal e faria ‘bastante’ deputado estadual, discorreu Ramos. “Ainda o partido tinha uma candidata que não negava nossa trajetória, agora nesses últimos tempos não sei se por uma questão de governabilidade, Arthur se aproximou muito do José Melo. Que já falam em juntar todo mundo para apoiar o vice-governador para derrotar o Eduardo Braga”, lembrou.
Para Ramos se a eleição for disputada entre Melo e Eduardo, ambos já ganham antes de começar a disputa, “porque eles são a mesma coisa”, disse, mas o fato é que ainda “não tem muita clareza, está muito obscuro”, completou. Ramos não se entende muito bem com o vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão (PPS), desde a época em que disputaram eleições para vereador, mas não vai deixar de ouvi-lo assim que voltar do período de férias. “O Hissa, sem a máquina, fica difícil, vamos esperar mais um pouco, então vamos nos encontrar quando ele voltar de viagem”, informou.
Na opinião do deputado o trio de mestres na política: Arthur Neto, Omar Aziz e Eduardo Braga, são peças chaves para definir o rumo das eleições amazonenses e presidencial. “Arthur joga para ganhar, Omar é aquele que guarda a carta para jogar no último segundo, e Eduardo que parece estar quieto, ele está dando corda e deve amarrar o apoio do PT e PCdoB e de outros partidos que o governo federal controla e isso já lhe dá um tempo de televisão robusto. E se for contra o José Melo, não tem condições, o Eduardo é mais inteligente e mais carismático. Essa é a minha leitura”, avaliou.
Marcelo Ramos garante que não trabalha com a hipótese do Arthur Neto sair para governador, mas tem a convicção de que Omar Aziz sairá candidato ao Senado. “Arthur não vai deixar a prefeitura porque ele não confia no Hissa. E se o Omar não se candidatar ao Senado, vai fazer o quê na política? Voltar a disputar a prefeitura daqui dois anos? Acredito que não. Ele será candidato ao Senado. Mas na política tudo pode acontecer, é um terreno movediço”, disse.

O legado da Copa
O legado da Copa do Mundo em Manaus será de dívidas para o Estado e um elefante branco dos mais caros. “O que vai sobrar da Copa para o Amazonas é uma dívida de R$ 700 milhões para pagar esse estádio e um puxadinho no aeroporto”. Segundo o deputado, soma-se a isso a missão de manter o estádio. “Impossível com um custo mensal estimado em R$ 600 mil só com estádio parado, funcionando fica muito mais caro. Também foram estimados pelo governo do Estado que, para se manter, precisa de 30 lotações no ano”, que para Ramos é impossível “nem com show”, lamentou.
Na África do Sul já se discute seriamente a demolição dos estádios que sediaram os jogos da Copa do Mundo realizada em 2010. “Na África é muito mais barato demolir do que deixar como está. Eu queria conseguir abstrair minha indignação. Com o prejuízo que isso vai dar apenas para contemplar a bela obra, mas vai ser um problema sério para o Estado manter toda aquela estrutura”, desabafou. Marcelo Ramos duvida da utilização da arena da Amazônia após os jogos da Copa do Mundo, inclusive pela ausência do espaço multiuso.
“Foi contratada uma assessoria para elaborar um estudo do que é possível fazer pós-Copa. Mas eu duvido muito que tenha o que fazer. Até porque aquela ideia de multiuso não concretizou, não há shopping, hotel, não tem nada, só tem o campo e não tem nada lá dentro”, verificou. Ele lembra que no início o projeto contemplava uma arquitetura multiuso com shopping, hotel, área de recreação e a arena. “Vai ser um problema sério depois da Copa”, alertou.

Orçamento de R$ 14 bi
O governo do Estado encerrou 2013 com um orçamento estimado em R$ 14 bilhões. O orçamento com a educação ficou em torno de R$ 2 bilhões que corresponde a 25% da receita corrente líquida, apenas sobre o montante arrecadado sobre impostos, segundo Ramos. “O problema da educação, pelo menos no Amazonas e em Manaus, não é recursos, é gestão. Recurso tem e no final ficam arrumando como gastar para dar os 25%, avalia. Na saúde tem problema de recurso”, disse.
O deputado recorda de quando o atual senador, Eduardo Braga disputou o governo do Estado em 2002, a previsão do orçamento era de US$ 1 bilhão por ano, algo em torno de R$ 2,5 bilhões. Eduardo ganhou as eleições e quando terminou o primeiro ano ele realizou US$ 4 bilhões, quatro vezes mais que o previsto. “O crescimento do orçamento do Amazonas do primeiro ano de gestão do Eduardo até hoje, é enorme. São 120% de crescimento em dez anos, não existe isso. Esse Estado é muito rico”, avaliou.
Segundo Ramos, todo o ano os gestores estaduais subestimam o orçamento para no final do exercício fiscal comemorar os recordes de arrecadação tributária. “O orçamento realizado em 2013 ficou em torno de R$ 14 bilhões, para o previsto do ano seguinte apresentam R$ 14,3 bilhões, óbvio que vai dar muito mais, é para no final do ano ficar vendendo recorde de arrecadação”, disse.
Do total do orçamento realizado 90% vêm da arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o restante é distribuído entre as demais rubricas. Por isso que essa guerra do ICMS por São Paulo é tão importante para o Amazonas, estamos falando de 90% da receita corrente líquida do Estado, onde metade é proveniente da Indústria que gera a massa salarial que por sua vez fomenta o Comércio de Manaus, responsável pela outra metade da arrecadação do Estado se somado a rubrica Serviços. “Não adianta o Comércio achar que vai sobreviver se tiver uma crise na indústria, a queda é proporcional”, alertou.

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