Eduardo Pazuello contradiz Teich e Mandetta em depoimento na CPI

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello depôs, ontem, na CPI da Pandemia no Senado. Ele disse, ontem, que o governo federal jamais recomendou o uso de cloroquina como tratamento alternativo para a Covid-19, contrariando as versões dadas pelos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, também ouvidos pela comissão.

Bombardeado pelas perguntas dos senadores, Eduardo Pazuello passou mal durante a sessão, que acabou sendo suspensa. Ele teve que sair às pressas do plenário. A ocorrência foi confirmada pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). O ex-ministro deve retomar o depoimento, nesta quarta-feira (30), na comissão que investiga as medidas de enfrentamento à pandemia, a compra de vacinas e o uso de recursos destinados para municípios e Estados do País.

Ao contrário de Carlos Murillo, executivo da Pfizer, e do ex-secretário de Comunicação Social do governo federal Fábio Wajngarten, Pazuello disse que houve resposta às ofertas de vacina feitas no ano passado pela empresa farmacêutica.

Também divergiu de Mandetta e Teich, seus antecessores no cargo, sobre questões como a influência dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para usar cloroquina contra o coronavírus.

Ele foi questionado sobre a razão pela qual o governo teria deixado de responder a sete ofertas de vacinas feitas pelo laboratório. “Como é que não houve respostas? Nós tivemos 20 respostas para a Pfizer, de agosto a dezembro. Nós estávamos falando com a Pfizer ininterruptamente. Respondemos inúmeras vezes, eu tenho todas as respostas aqui. De agosto a dezembro. Eu tenho todas as comunicações“, garantiu o coronel, dirigindo-se ao relator Renan Calheiros (MDB-AL) que fez a pergunta.

De acordo com Pazuello, foram as “cláusulas assustadoras” impostas pela Pfizer que atrasaram o fechamento do contrato. E disse ainda que o ministério sempre respondeu às ofertas de contrato feitas pela empresa e que os dados relativos a essas negociações poderão ser enviados à CPI. 

Segundo o ex-ministro, as cláusulas seriam “assustadoras”, mas isso não impediu ao final as assinaturas dos contratos, feitos alguns ajustes legislativos. “Outros problemas nas negociações iniciais com a Pfizer foram o fato de a farmacêutica não compartilhar tecnologia e a pequena quantidade de doses de vacinas ofertadas”, acrescentou.

Crise de oxigênio

Questionado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Pazuello disse que o Ministério da Saúde conseguiu se antecipar em relação à crise de oxigênio em Manaus, mas o surgimento de uma nova cepa do novo coronavírus piorou a situação.

“Montamos uma das maiores operações logísticas já realizadas para transportar o insumo até Manaus”, afirmou.

Eduardo Braga reagiu exaltado sobre as declarações do ex-ministro.  “O senhor estava lá e viu com seus olhos, os amazonenses morrendo por falta de oxigênio”, questionou  o senador.  “Antes a gente ficava dependendo da ajuda do Gusttavo Lima, do Paulo Gustavo”, completou, citando o cantor sertanejo e o humorista e ator, morto por complicações da Covid-19. Pazuello preferiu, porém, ficar em silêncio a rebater os questionamentos do parlamentar.

Braga questionou ainda por que o governo teria deixado passar dez dias, com média diária de mortes de 200 pessoas, e não se empenhou para que a carga de oxigênio oriunda da Venezuela chegasse ao povo amazonense. Ele lembrou que um avião norte-americano estava à disposição do Brasil, mas não foi acionado.

“Foram dois mil amazonenses que morreram. Nós poderíamos ter colocado aquele oxigênio, ministro. E o que nós queremos saber é o seguinte: Faltou dinheiro ao governo do Estado para fazer isso? Faltou vontade política do governo federal em fazer isso? E por que que não fez? Por que que não deu as informações ao ex-ministro Ernesto Araújo para que o avião dos Estados Unidos pudesse ter ido à Venezuela buscar o oxigênio e levar para o Amazonas, para salvar vidas? É isso que o povo brasileiro quer saber”, acrescentou o parlamentar.

Omar Aziz disse que recebeu um requerimento do vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), solicitando a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de comunicações de Pazuello. A medida tem a ver com denúncias de que o ministério teria usado a pandemia como pretexto para contratar obras sem licitação.

Foto/Destaque: Leopoldo Silva/Agência Senado

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