Edgar Montrezol combina música e pães

No próximo dia 8 é comemorado o Dia do Padeiro, porém, para o músico Edgar Montrezol todo dia é dia do padeiro. Mas o que tem a ver pão com música? Edgar é violonista, com participação em grandes eventos artísticos. O músico se especializou no violão de seis cordas. Além desse tipo específico de instrumento, ele também toca alaúde, também de cordas, de origem árabe, bastante difundido na Europa, na época medieval. O interesse pelo pão ele herdou do pai, João Vicente Vitalli Montrezol, que amava fazer pães.

A gastronomia, assim como a música, faz parte da vida de Edgar. Entre 2011 e 2013 ele foi proprietário da champanheria Viúva Negra, no Centro de Manaus.

“Meu pai chegou a fazer algumas massas para a champanheria, como o folhado de queijo brie com cupuaçu, que era sucesso garantido entre os clientes”, lembrou.

Depois que a Viúva Negra fechou, Edgar resolveu se dedicar somente à música, mas eis que veio a pandemia e o retorno à gastronomia, mas especificamente à panificação, foi uma necessidade.

“Na música o que eu gosto mesmo é de dar aulas. Os palcos não me interessam muito. O meu prazer é ensinar e formar instrumentistas. Com a pandemia, não pude mais dar aulas, e eu tinha que sobreviver, então, pensei, vou fazer pães, os pães especiais que aprendi com meu pai, e vender pelo sistema delivery. Foi aí que descobri que acompanhar todo o processo de produção dos pães me dava o mesmo prazer de tocar meu violão, ou alaúde”, contou.

Tão logo todo o comércio começou a fechar as portas, a partir de março do ano passado, Edgar deu início à produção de pães na sua própria casa, passando a vender apenas para os moradores do condomínio onde morava. Surgiu a Montrezol Pane. E o negócio foi bem.

Pães para todos os gostos

“O que eu sei é que meu pai aprendeu a fazer pães com a mãe dele, minha avó Desdêmona, então, algumas das receitas da Montrezol Pane são de família, outras são tradicionais e em algumas eu crio. Não tem como inventar pães. O pão é um alimento milenar, existente e apreciado em praticamente todo o mundo. O que eu faço, como todo padeiro, é acrescentar algum item para diferenciá-lo, ou dar um novo sabor”, revelou.

Há pouco mais de uma semana Edgar transferiu a Montrezol Pane para um espaço maior e melhor, no Condomínio Morada dos Nobres, na estrada do Cetur, Tarumã, agora atendendo a pedidos para qualquer bairro de Manaus. Da imensa cozinha saem os mais diversos tipos de pães, e as fornadas se sucedem: pão italiano, francês, croata, judaico, árabe, entre outros, cada um com suas características próprias.

O pão italiano, por exemplo, é redondo, tipo meia bola, já o francês é alongado, como a tradicional baguete, ou redondo e doce, como o brioche. Apesar de para Manaus, em tempos que se perderam, terem vindo muitos portugueses e italianos, e pouquíssimos franceses, até hoje o que se vê na maioria das padarias é o pão francês, com cerca de 10 cm de comprimento.

Outro pão que chama a atenção na Montrezol Pane é o croata povitica (lê-se povtitza), também preparado na Sérvia e na Eslovênia (potica – lê-se potitza). É um pão doce feito a partir de uma massa enrolada tradicionalmente recheado com nozes e servido nas festas de final de ano. O pão judaico babka também é doce, uma massa doce enrolada em creme de chocolate surgido entre os judeus do leste europeu. O pão árabe (ou pão sírio) é bem característico, parecido com a nossa tapioca, talvez por isso seja uma boa opção para o café da manhã. Esse formato de pão é um dos mais antigos conhecidos, surgido no Egito, há 1.800 anos a/C.

A habilidade de fazer massas é também uma arte – Foto: Divulgação

Músicas e pães

Tão logo a pandemia passe completamente, Edgar pretende retornar com as aulas de violão e alaúde. Enquanto ele aguarda que isso seja em breve, compõe obras sacras e réquiens na tranquilidade do local onde mora e faz seus pães, uma imensa área verde onde cantam pássaros e ele se maravilha com o pôr do Sol entre as árvores.

“A Montrezol Pane funciona de quarta-feira a sábado, mas aceitamos pedidos diariamente, 24h pelo WhatsApp. Nos outros dias me dedico à música, mas fazer um pão com um belo formato, aroma e sabor deliciosos é como, guardando as devidas proporções, compor uma obra sacra”, disse.

Edgar já tocou na Orquestra de Violões do Amazonas, fez diversas participações no Festival Amazonas de Ópera, estreou o concerto para violão e orquestra do compositor Aleh Ferreira, fez recitais nas cidades venezuelanas de Carora, Porto Ordaz, e Ciudad Bolívar e foi jurado no Festival de Guitarras Alirio Diaz, um dos mais conceituados festivais de música da Venezuela.

O músico/padeiro comemora a rápida projeção da Montrezol Pane, e pretende ‘amazonizar’ seus pães acrescentando cada vez mais ingredientes regionais como castanhas, tucumã, pupunha. Já está pensando em criar pestos e antepastos, ambos de origem italiana, mas preparados com ingredientes amazônicos, para acompanhar seus pães.

“Para mim, juntar músicas e pães tem sido uma combinação perfeita. Acho que meus fãs da música clientes dos pães pensam assim também”, concluiu.

“Juntar músicas e pães tem sido uma combinação perfeita” – Foto: Divulgação

Pedidos de pães: 9 8193-8286 – Instagram: @montrezol_pane             

Foto/Destaque: Divulgação

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