10 de abril de 2021

Economistas esperam alta hoje e em agosto

"O BC precisa continuar recuperando credibilidade, inclusive para voltar a ancorar as expectativas para o IPCA. A mensagem que precisa passar aos agentes econômicos é que o combate à inflação será mantido até quando for necessário"

Além de elevar os juros em 0,25% hoje, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve repetir a expressão “período suficientemente prolongado” no comunicado divulgado após a reunião, para manter aberta a possibilidade de um novo aumento na reunião de agosto, segundo analistas.
“O BC precisa continuar recuperando credibilidade, inclusive para voltar a ancorar as expectativas para o IPCA. A mensagem que precisa passar aos agentes econômicos é que o combate à inflação será mantido até quando for necessário”, disse o sócio da consultoria Tendências, Juan Jensen.
“Há uma desaceleração lenta da economia doméstica, numa conjuntura marcada por mercado de trabalho muito pressionado e demanda aquecida, que faz com que a inflação de serviços fique próxima de 9% no acumulado em 12 meses”, destacou o professor da PUC/RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo.
Outro fator que justificaria a ausência da alterações no texto é que a taxa de desemprego, apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em seis regiões metropolitanas, atingiu 6,2% em junho, a menor para o mês desde 2002, enquanto o rendimento médio real dos assalariados aumentou 0,5% em junho em relação a maio e subiu 4,0% ante junho de 2010.
Para Juan Jensen, o BC deve manter o tom cauteloso, em seu comunicado, sobre a manutenção do ciclo de alta de juros. A Tendências estima que o IPCA deve encerrar em 6,6% neste ano.
Para Jensen, como a inflação não está tão comportada como o BC esperava, a preocupação em combater a alta dos preços continuaria, tanto que a equipe econômica não avança na adoção de medidas para conter a apreciação do real. Mas o câmbio teria se tornado instrumento vital para segurar os preços.
Embora espere que o IPCA deve ficar em 6,1% neste ano, marca distante do centro da meta de 4,5%, o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, pondera que alguns elementos domésticos e externos podem colaborar para que o aperto de juros não seja ainda maior no decorrer do ano.
“O BC manifestou, no relatório de junho, que as medidas macroprudenciais que adotou desde dezembro devem apresentar seu auge de impacto sobre o nível de atividade no terceiro trimestre”, comentou, acrescentando que as medidas evitaram que o BC precisasse subir a Selic em cerca de 2% até hoje.
Para Borges, o PIB está em plena desaceleração, pois, na margem, subiu 1,3% no primeiro trimestre e deve apresentar uma alta de 0,7 entre abril e junho. Segundo ele, o terceiro e quarto trimestres devem apresentar uma taxa de expansão média de 1% pelo mesmo critério. De acordo com o economista, o país deve crescer 3,4% neste ano e 4% em 2012, marcas inferiores ao PIB potencial, que para ele está próximo a 4,4% em 2011.
“Como pode ser que ocorra um enfraquecimento expressivo do nível de atividade dos EUA e da Europa no curto prazo, isso pode tirar força da economia do Brasil. E a adoção de uma política monetária muito forte nesse contexto internacional tão incerto poderia provocar um desaquecimento muito grande do país, que poderia levá-la para uma expansão entre 2,5% a 3% neste ano”, comentou.

Fatores externos

Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, a situação da inflação doméstica e fatores externos, como a crise soberana de países europeus, que pode atingir Espanha e Itália, além das incertezas sobre um eventual default do Tesouro dos EUA em agosto, deveriam levar o BC a “copiar” literalmente as mesmas palavras do comunicado emitido após a última reunião do Copom. Ele espera que o Banco Central eleve os hoje e em 31 de agosto e, a partir daí, mantenha a taxa em 12,75% ao ano provavelmente até o final de 2012. Mas essa avaliação toma como pressuposto que o IPCA recue do pico de 7,1% em agosto deste ano, no acumulado em 12 meses, para 6,7% em outubro. Para ele, caso não ocorra esse arrefecimento e a inflação persista ao redor dos 7% no início do quarto trimestre, provavelmente o BC deve adotar novas medidas, como a elevação de depósitos compulsórios dos bancos.
Na avaliação de Gonçalves, embora o nível de emprego do país esteja aquecido, sobretudo porque a possibilidade de que altas salariais vigorosas pressionem a inflação, seria adequado colocar em perspectiva a evolução do mercado de trabalho no Brasil nos próximos meses. Ele mostra-se cético que categorias profissionais fortes, como petroleiros, metalúrgicos e bancários, consigam em seus dissídios deste ano reajustes superiores à produtividade, como ocorreu em 2010.

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