Economia pós Covid-19 – parte 3

Tempos de discussões sobre todas as questões que interferiram a vida das sociedades em todo mundo! Contudo, sempre esclareço aos eleitores da Coluna ”ESTRATÉGIA & AÇÃO”, do Jornal do Comércio, que sou Economista e somente escrevo sobre áreas da Ciência da Economia, pontuando para alguns que as áreas sociais e de medicina são outros departamentos, que não me compete e não trato sobre esses assuntos, principalmente em respeito a Ética.

Voltando ao nosso metier, me reporto que  mundo adentrou no século XXI, como sendo o maior período de crises nos sistemas econômicos do Capitalismo  global, haja vista, o que ocorreu no sistema financeiro em 2008 e 2011, atingindo a economia em grande maioria dos países do mundo, espraiando seus efeitos nefastos até os tempos atuais em vários países, incluindo o Brasil.

Quando se pensava que nessa nova década, os sistemas econômicos capitalistas do mundo globalizado entrariam em fase de recuperação, foi atingido por um terrível “black swan”, no modo de pandemia de novo coronavírus (Sars-Cov-2) COVID-19, provocando milhares de mortes, na maioria dos países em todas regiões da Terra. Essa é uma crise da ordem de saúde pública que atingiu, sobremaneira, as estruturas das economias dos vários países do mundo, com o travamento das atividades econômicas, com o isolamento social e a quarentena (“fiquem em casa”), causando paralização geral da economia, por queda forçada na demanda. São temas que se discute no Clube de Economia da Amazônia (CEA), no qual se apresentam algumas posições quanto aos planos e ações que governos que tentam aplicar na reativação dos sistemas econômicos pelo mundo, haja vista, que a humanidade tem enfrentado na saúde publica das sociedades como Covid-19, com índices altíssimos de mortandade nos diversos países do mundo.

Também, se tem apresentado em pauta, o tempo de duração que esses efeitos da crise Covid-19 na economia, na incerteza de seu processo de incidência nas pessoas, que poderá ser de curta à média duração, inclusive colocado por técnicos do Ministério de Economia do Brasil e que seus impactos poderão destruir a estrutura econômica de um país.

Ressaltam os economista-pesquisadores do CEA que diversas instituições internacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional – FMI, a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico – OCDE, dentre outros, que discutem sobre porque os governos nacionais devem deixar de lado o discurso da austeridade fiscal e adotarem medidas urgentes em dois patamares: 1) por um lado, conter a pandemia do Covid-19, salvando vidas; 2) por outro lado, adotar planos de ações que objetivem reativar as economias reestruturando todo sistema, evitando maior precaridade (aumento do desemprego, falências, aumento do endividamentodas famílias, aumento da pobreza, etc) dos sistemas econômicos.

Para alguns economistas de variadas tendências ideológicas, nesse tempo de crise, tem demonstrado para alguns que o ideário econômico neoliberal que esteve em prática em diversos países capitalistas está sendo questionado, pois nessas crises o  mercado se desmantela, e fica incapaz, por si mesmo, voltar a si reequacionar/reequilibrar, aparecendo a importância do Estado como interveniente no sistema econômico, enquanto agente normativo/controlador, capaz de implementar políticas/planos de ações capazes de reativar as atividades econômicas e reestruturar a economia.

Assim sendo, volta-se à antiga discussão entre (neo) Liberalismo versus o Keynesianismo. Contudo, o que tem acontecido, verdadeiramente, é que o governo do Brasil, até março não havia apresentado nenhum plano de ações específico que apontasse de alguma forma articulada para minimizar os efeitos drásticos do Covid-19 na estrutura econômica brasileira, na qual governadores e prefeitos se organizaram para pressionar o governo federal sobre auxílios para minimizar efeitos nas economias regionais.

Até o momento foram anúncios desencontrados e ações a conta gotas de montantes de recursos, com encaminhamentos restritos, uma vez que muitas das medidas anunciadas ainda nas primeiras semanas sequer foram implementadas concretamente. Primeiramente, o centro das intervenções continuava sendo dominado pela ideia de que a aprovação das reformas neoliberais seriam o caminho para recompor as atividades econômicas diante dos efeitos da crise do COVID-19.

Porém, do montante de recursos previstos, notou-se que a maior parte dizia respeito à antecipação de gastos orçamentários previsto no orçamento geral para o exercício de 2020, os quais ainda se cogitava a ideia contrária à expansão dos gastos públicos. Ressaltando-se que agora foi marcado pela tentativa de redução de jornada e de salários, tanto dos trabalhadores do setor privado quanto do setor público.

Salienta-se, no momento, o Plano mais Brasil que, em síntese, nos parece com alcance muito limitado, (- pois, na visão dos técnicos do Ministério da Economia é aumentar o déficit publico igual ao antigo PAC, que se não fosse o atual governo o gastos ainda não haviam parado, vejam o exemplo da empresa TREM-BALA, que nem chegou a funcionar e já haviam gasto mais de U$S15 milhões -), no sentido de recompor as atividades econômicas diante de um cenário global extremamente adverso.

É evidente que as medidas fiscais lançadas pelo Governo para combater o Covid-19 deixarão um legado de maior déficit e dívida pública, esses  deverão ser pagos por toda a sociedade, a longo prazo, até mesmo décadas. Os economistas em redor do mundo pontuam que o futuro da economia mundial soa complexo, haja vista ninguém saber qual será seu custo humano e econômico final.

Como diz o economista Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia, sobre a reativação dos sistemas econômicos, “Acho que a maioria dos negócios, e evidentemente os gigantes norte-americanos e de outros países, não fracassarão no retorno às suas atividades empresariais [quando a crise passar]”. E daí, perguntamos: e as micros e pequenas empresas? Como ficam? Nós que somos da área econômica preferimos citar economistas famosos para sustentar as teses espositadas no momento assim, o professor de Harvard, um dos grandes economistas do século XXI, Kenneth Rogoff diz; “O impacto potencial na política econômica é profundo. Mas pode ir em diferentes direções, e parece que nos dirigimos a uma profunda recessão global, com um tamanho nunca visto desde a Grande Depressão, mas esperemos que seja muito mais curta.

Contudo, o vigor da saída dessa crise depende da resposta sanitária na saúde publica”. Por outro lado, outros prescrevem que conceitos haverão de ser alterados, como de “segurança nacional”  que poderá validar a inclusão da redistribuição da riqueza, com uma fiscalidade mais justa a reforçar o Estado de bem-estar. Talvez o novo tempo que virá, proponha a lição de que os professores e as enfermeiras são muito mais valiosos do que os banqueiros de investimento e os gestores de fundos especulativos.

*Nilson Pimentel é Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Fonte: Nilson Pimentel

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