A organização econômica dos que têm pouco ou nenhum capital, dos sem emprego ou sem trabalho está aumentando velozmente

A organização econômica dos que têm pouco ou nenhum capital, dos sem emprego ou sem trabalho está aumentando velozmente. A questão é mesmo de sobrevivência para a parcela da população que se encaixa neste perfil, embora o espaço esteja aberto a todos demais setores de atividade econômica.
Estamos tratando das sociedades cooperativas. Março é o mês que indica as que estão funcionando normalmente. Por força de Lei, são obrigadas a publicar os Editais de Convocação das Assembléias Gerais Ordinárias e realizá-las até o dia 31.
Em julho de 2009, segundo informações da OCB/AM, 130 estavam registradas. O Anuário 2008 da OCB Nacional informa que eram 89 cooperativas, de 9 Ramos, dos 13 existentes nacionalmente.
As rurais, em razão das suas especificidades, continuavam sendo a maioria, 24, distribuídas em 16 municípios. Contando com especial apoio do governo federal, foram destaques nas décadas de 60 e 70. Com o deslocamento da população do meio rural, o foco da ação governamental voltou-se para as capitais dos estados. Primeiro estimulando as de crédito e de habitação, apoiadas pelos extintos Bancos Nacionais de Crédito Cooperativo – BNCC – e de Habitação – BNH. Na década seguinte, de 80, começaram aparecer as de trabalho – saúde, táxi e serviços gerais. Atualmente, em Manaus estão 14 das 16 cooperativas de saúde; 17 das 20 de Trabalho e 14 das 17 de Transporte rodoviário e fluvial, só para ficar nos grupos maiores.
Na década de 90, o governo do estado, ao tratar mal e estupidamente a classe médica, acabou encorajando e estimulando o aparecimento das cooperativas de especialidades médicas, em número de 12, ainda de acordo com o Anuário 2008. Foi também a década das “coopergatos”, eficazmente combatidas pelo Ministério Público do Trabalho. A COOTRASG – Cooperativas de Trabalhadores de Serviços Gerais – criada em 1996, foi usada para “empregar” 6.403 pessoas “associadas á força’. Enquanto isso a CEMEA- Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores da EMATER, acabou extinta em 31 de março de 1997, ao ser impedida de ter acesso ao código de descontos na folha de pagamento, apesar de permitido pela legislação. Estava no órgão certo, na hora certa mas no governo errado. A criação do IDAM, que substituiu as atribuições da EMATER, menos de 7 meses depois, não conseguiu evitar o estrago.
O panorama atual das cooperativas sinaliza elementos interessantes. A valorização das cooperativas de crédito mútuo, agora entrando no espaço das microempresas e da economia solidária, o aparecimento das de transportes urbano e fluvial, de produção e outros serviços, demonstra a inclusão de vários setores da economia no universo cooperativo.
Nesse sentido a “medicina cooperativista” praticada pelos sistemas UNIMED e UNIODONTO, com suas Federações e Confederações, pode ser estudado pelos outros segmentos. A primeira foi mais longe e estruturou outro sistema nacional, o de crédito mútuo – UNICRED. A UNIMED/Manaus ainda criou a UNICOM, no segmento consumo. A conseqüência é o acúmulo de forças econômicas dos associados dentro do próprio sistema, aumentando a independência financeira e ampliando o universo do potencial econômico e social.
O setor de transporte urbano já tem uma Federação, com seis cooperativas filiadas. Estão fora desse nível de organização onze outras, de transporte rodoviário e fluvial. A mudança de estágio da cooperativa singular para Federação exige coragem, competência e visão dos Dirigentes, Conselheiros Fiscais e associados. É assim que acontece em todos os lugares onde a visão e preocupação com o futuro vai além dos sapatos.
As cooperativas agrícolas do Amazonas, por exemplo, que chegaram a comercializar cerca de 40% da produção do estado de fibras de juta e malva, não conseguiram sustentar sua Central, criada no final da década de 70.
Não é mais necessário ir tão longe para que a mudança de estágio se concretize. A solução nunca esteve tão perto do problema.
Este Artigo é dedicado ao Dr. Petrucio Pereira de Magalhães e Dr. Salvador de Oliveira Sobrinho, ambos ex Dirigentes do sistema UNIMED e OCEAM/OCB-AM.

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