Economia brasileira pós-pandemia (parte 2)

Como os processos de choques na globalização, bem antes da pandemia – COVID-19, já haviam suscitado diversos debates sobre os destinos das cadeias globais de valor (CGV) foram Levantadas indagações se as reações de políticas públicas de países poderiam levar ao fim da globalização da produção e se, de fato, as principais multinacionais que comandavam essas CGV’s deixariam a China, a Índia e outros países da Ásia.

O que norteava essas ideias gerais eram fatos que as cadeias globais de valor estavam ‘presas’ dentro de certos limites e que poderiam se transformar. Com a explosão do novo coronavirus – COVID-19 mundialmente, via China, se deu o rompimento das cadeias de suprimentos de produtos médicos em todo mundo.

Com isso, se identificaram as concentrações e dependências de equipamentos médicos e hospitalares e outros tantos produtos e bens componentes fabricados na China. Isto ressaltou a excessiva dependência produtiva, a qual concorreu para o maior alastramento da contaminação e choques da pandemia à economia em todos países ocidentais. Assim, seus governos reagiram às dificuldades de importação de equipamentos médicos e enquadraram a pandemia como tema de segurança sanitária. Sendo que, assim reagiriam e passariam a justificar a necessidade de produção nacional.

Contudo, as reações ocidentais incluíram medidas que ampliaram distorções nos investimentos, na forma de comércio e foram propostas medidas para diversificar as cadeias de suprimentos com vistas a reduzir a dependência da China, inclusive retirar daquele país, as plantas fabris das multinacionais.

Visto assim, a regionalização/nacionalização das cadeias produtivas trariam maior importância aos serviços no valor agregado, como P&D&I, patentes, distribuição e marcas, inserção de inteligência artificial, robotização e outras tecnologias.

A outra grande importância seria a preocupação do carbono na produção e a sustentabilidade ambiental, para tanto, essas propostas de mudanças nas cadeias de valor estaria associado à mudanças tecnológicas e aos modelos de negócios as quais deveriam ser orientadas por outras variáveis estratégicas.

Questionam-se os economistas-pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia (CEA), se nesse intervalo de tempo seria possível esvaziar o ciclo das cadeias globais de valor na China? Os processos de combate a pandemia alterariam as CGV’s na China? Pois para o pessoal do CEA, apontam que, para as multinacionais o setor secundário chinês é o mais atrativo e integrado para desenvolver, produzir e distribuir para todo o mundo. Transplantá-las nesse momento abrangeria processos complexos, demorados nada eficiente e muito caro, justamente agora na pandemia com economias paralisadas.

Muito além da eficiência, os mercados asiáticos estão em vertiginoso crescimento mundial, produtivo e financeiro. Visto assim, a retomada da economia brasileira, longe disso tudo, deve gradual, pois como observam os economistas do CEA, a recomposição das atividades econômicas irá perder ímpeto logo mais, e nesses primeiros momentos, se tem uma recuperação maior porque é a saída de um choque, mas, em seguida, espera-se que a retomada seja mais gradual, porque o Brasil tem muitos desafios pela frente, como as reformas e a composição do orçamento e a observância do teto das despesas públicas.

Os economistas do CEA ressaltam que essa crise provocou falências de empresas em muitas demissões reduzindo a renda das famílias, pois o V observado dessa retomada deve ser suave. Como se vê, a indústria e o comércio já trilham caminhos no campo positivo, mas os serviços ainda seguem no vermelho, e pelo visto, depende muito mais do mercado de trabalho, que demora mais tempo para se ajustar e à circulação das pessoas nas ruas.

Para os pesquisadores do CEA, O buraco em que a economia brasileira entrou é muito profundo, acreditam que a velocidade da recuperação dependerá do que o governo fará para ampliar os investimentos, para estimular a geração de empregos e para garantir a renda à montanha de desempregados. Para tanto, o Brasil deve incluir em seus planejamentos estratégicos, como novos princípios, as possibilidades que é possível preservar e produzir, aproveitando o potencial dos serviços ecossistêmicos ambientais e os recursos naturais biológicos da biodiversidade da Amazônia, assim melhorar a situação econômica da região e de suas populações.

Sem embargo de outras abordagens, a regionalização produtiva das cadeias de valor pode ser um processo de transformação a considerar, motivados por crescimento de serviços específicos dentro das cadeias, tais como: P&D&I, inovações e patentes, distribuição e marcas, a robotização, a inteligência artificial e outras tecnologias. Sendo que nesse movimento de mudanças, nas cadeias de valor está associado às mudanças tecnológicas e nos novos modelos de negócios e estratégias comerciais.

Ressaltando o que os pesquisadores do CEA afirmam que não será recomendável reconstruir a economia como ela era antes, baseada em combustíveis fósseis como principal fonte de energia, uma vez que se vê o desmatamento e a degradação ambientais seguirem avançando, os quais poderão resultar em novos problemas sociais e ambientais, afetando mais ainda a qualidade de vida das populações amazônicas. Assim, será necessário uma recuperação econômica de forma mais “verde”, incluindo em a Infraestrutura, os serviços da floresta que podem fazer parte dessa recuperação.

Nessa nova retomada da economia deverá ser aproveitada as oportunidades de investimento em setores estratégicos, promovendo novas tecnologias, inovações nos processos de produção e uso mais eficiente dos recursos, reduzindo a emissão de gases na atmosfera, diminuindo a poluição do ar e reduzindo impactos de mudanças climáticas.

Com isso tudo, os benefícios nessa retomada “verde” serão marcantes, bem como, se assim não for, os riscos de não se considerar as questões climáticas e ambientais, e continuar Investindo em atividades e infraestrutura intensivas em carbono se pode ter uma economia ineficiente de toda forma. Para tanto, será necessário adaptar a sociedade brasileira para uma nova economia de desafios do século 21.

Essa seria uma nova retomada da relação entre economia e sociedade, onde se reformule conceitos e análises aptas para um horizonte de sociedade do pós pandemia, com melhorias do bem-estar social, com políticas públicas voltadas para o desenvolvimento solidário de territórios desiguais.

Exemplos se apresentam em todo mundo, como a Alemanha que apresentou um pacote de €130 bilhões para retomada econômica que promova crescimento e criação de empregos em setores de baixo carbono, com expectativa no processo de transição energética, promovendo crescimento e emprego no setor de energias renováveis e permitindo a desativação de usinas a carvão.

Na Coreia do Sul, a retomada na econômica “verde” se tornou assunto principal dos debates legislativos, e o governo prometeu atingir emissões líquidas zero carbono até 2050, como um plano de recuperação econômica com forte ênfase em tecnologias digitais, prevendo um pacote de US$ 61,9 bilhões até 2025 para gerar empregos e impulsionar a economia, substituindo sistemas baseados em combustíveis fósseis por energias renováveis no país, investir em modelos de negócios sustentáveis, criar infraestrutura para a utilização de energia solar, eólica e criar empregos em prevenção de desastres naturais e manejo de recursos hídricos.

A União Europeia apresentou um plano de investimento de €750 bilhões para retomada da economia com instrumentos para atrair investimentos em energias renováveis e tecnologias de captura e armazenamento de carbono, além de aumentar o financiamento à agricultura de baixo carbono.

Deixa-se claro que não existe solução única para a retomada econômica nos diversos países e economias, recomendando que o Brasil possa adaptar, conforme suas necessidades, propostas apresentadas em outros países, beneficiando investimentos em infraestrutura, na indústria e na agricultura, sem deixar de considerar soluções baseadas no meio ambiente com aproveitamento sustentável dos recursos naturais.

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