É possível zerar o lixo produzido

Encerrou na ultima semana, o ‘2º Encontro Municipal Lixo Zero de Melhores Práticas’, com promoção do ILZB (Instituto Lixo Zero Brasil), que em Manaus tem como parceiro o coletivo Manaus Lixo Zero. Por conta da pandemia de coronavírus, o encontro foi realizado por meio digital, em live, pela plataforma zoom.

O evento, nos mesmos moldes do que aconteceu em Manaus durante a semana, foi realizado em mais 45 cidades brasileiras e quatro de Portugal, reunindo no total cerca de 300 palestrantes, com a estimativa de participação de mais de 40 mil pessoas. O foco foi a geração e destinação do lixo.

“Somos um grupo de pessoas que tem como missão transmitir a quem tiver interesse o conceito do Lixo Zero”, falou o biólogo Daniel Santos, embaixador do coletivo na capital amazonense.

“Parece impossível deixar de produzir lixo, mas lixo é tudo aquilo que descartamos, de forma misturada. Quando separamos o orgânico, que é a maior parte do que produzimos por dia, de 50 a 60%; dos recicláveis; e dos rejeitos, que são a menor parte, sobram apenas resíduos”, explicou.

De acordo com o relatório mais recente da Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Urbana), o manauara gera em torno de 1,160 kg de lixo por dia.

“Como temos uma população com cerca de 2.200 milhões de pessoas, isso dá uma produção diária total de 276 mil kg de lixo, sendo que 1,8% é enviado para reciclagem; 0,5% é compostado, ou seja, vira adubo; e 98% é descartado no aterro sem nenhum tipo de tratamento ou aproveitamento”, alertou.

Como usar os Rs

Para Daniel, o encontro foi importante porque agregou, em torno do assunto, sociedade civil, empresas, instituições e o poder público, com objetivo comum de dar visibilidade às melhores práticas em relação aos resíduos sólidos em Manaus, difundindo-as de forma a criar uma conscientização.

“É através desses eventos que tentamos conscientizar a sociedade a mudar seus hábitos, adotando o conceito de Lixo Zero na cidade”, falou.

Atualmente, e já há algum tempo, quem aparece como o grande vilão entre o que descartamos como lixo é o plástico. Praticamente tudo que utilizamos hoje é feito de plástico, subdividido em sete categorias.

“Quanto mais alto o número da categoria, significa que ele é menos reciclável. As pessoas acham que foi plástico, é reciclável. Não é bem assim. Nos dias atuais, 46% dos resíduos que chegam aos galpões de coletores de recicláveis, não são recicláveis. Não tem mercado para venda. Aí tem que ir para o aterro”, informou.

Daniel lembrou ainda que existem lixos e lixos. Uns menos, outros mais perigosos, mas todos um pesadelo para as cidades.

“Uma garrafa pet, ou um pedaço de vidro, por exemplo. Vão ser descartados e, ainda que demorem para se extinguir, vão ficar ali, sem afetar o meio-ambiente, diferente das baterias, das pilhas, dos óleos usados que ao serem descartados de maneira errada, irão contaminar o solo e o lençol freático”, avisou.

“Todo lixo tem um valor agregado. Só precisamos dar o destino certo a cada tipo de lixo. Se a sociedade assim o fizesse, conseguiríamos viver sem ele”, completou.

Uma ação recente para ajudar na redução do lixo no planeta, a logística reversa, parece ter chegado em boa hora. É uma das possibilidades para amenizar a quantidade de resíduos que segue diariamente para os aterros.

“Seria o ideal que todo fabricante de embalagens se responsabilizasse em coletar de volta o material que produziu. Também a sociedade ajudaria bastante se utilizasse o conceito dos Rs: Repensar (utilizar só embalagens sustentáveis, por exemplo), Reduzir (o consumo), Reutilizar (o que já tem) e Reciclar (tudo o que for possível)”, listou.

“No mundo, várias cidades já se beneficiam com o Lixo Zero, então, é possível que todos assim o façam”, concluiu.

Quem desejar fazer parte do coletivo Manaus Lixo Zero pode solicitar outras informações pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones: 9 9132-0500 / 9 9460-5121 / 9 9219-9249.

Fonte: Evaldo Ferreira

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