Conheça as medidas adotadas pela Islândia, país modelo em energia limpa e potência mundial em e-mobilidade.

Em 2020, a Islândia ficou em segundo lugar em market share (venda de veículos elétricos em relação ao total de vendas de veículos) com 44,6%, atrás apenas da Noruega (74,8%). Além disso, em termos de número de veículos elétricos para cada 1000 habitantes, a Islândia também ficou em segundo lugar (36,8) depois da Noruega (81) <https://bit.ly/3xQDk9s>. 

Parte do sucesso da Islândia em energia limpa e e-mobilidade pode ser entendida ao ler o novo Plano de Ação Climática 2018-2030, lançado pelo Primeiro Ministro em 10/09/18 <https://bit.ly/3DqQSw9>, o qual visa impulsionar os esforços em reduzir as emissões, a fim de cumprir as metas do Acordo de Paris em 2030 e alcançar a ambiciosa meta de tornar a Islândia neutra em carbono até 2040. Ao estudá-lo, descobre-se que:

1) Há décadas a Islândia tem priorizado o uso de energia limpa, pois começou a usar água geotérmica para aquecer casas por volta de 1930, substituindo o carvão e o petróleo.

Além disso, a oferta de eletricidade de baixo carbono favorece a população em geral, estando disponível a um custo mais baixo, cujo preço da eletricidade é 20% mais barato quando comparado com o preço médio dos países da UE <https://bit.ly/3yr0Dqo>.

Segundo o Conselho Internacional sobre Transporte Limpo, em 2018, um consumidor que morava na Islândia podia reduzir drasticamente os custos com combustível, trocando seu veículo convencional por elétrico. Por exemplo, um dono de um veículo Golf (WV) pagava anualmente cerca de 1500 Euros em combustível, assumindo uma quilometragem anual de 13 mil Km ao custo de 1,68 Euros o litro da gasolina. Enquanto isso, um proprietário de um e-Golf (WV) apenas pagava cerca de 300 Euros, ou seja, um 1/5 do valor do combustível fóssil. Para fins de comparação, na Noruega os valores são respectivamente 1400 e 400 Euros, enquanto que na Alemanha os valores são 1200 e 750 Euros respectivamente <https://bit.ly/2WwUFXU>.

2) Os combustíveis fósseis são usados no transporte e na pesca. Lá as principais fontes de gases de efeito estufa são os combustíveis fósseis para carros e navios, bem como processos industriais e agricultura. O transporte rodoviário é responsável por 20%, a pesca por 11%, processos industriais e químicos por 42%, agricultura por 13% e gestão de resíduos por 5%, razão pela qual estes setores são os alvos principais do novo plano;

3) O plano consiste de 34 medidas governamentais, variando deste o aumento do reflorestamento até a proibição de novos registros de veículos movidos à combustível fóssil em 2030. Basicamente, as medidas estão divididas em três grandes grupos: 3.1) transferência de energia limpa no transporte; 3.2) transferência de energia limpa em outros setores; 3.3) mitigação do clima no uso da terra e das florestas.

4)  Em relação à transferência de energia limpa no transporte, há onze medidas, maioria relacionada aos veículos elétricos, a saber:

4.1) Incentivos fiscais para carros limpos e combustíveis

A Islândia tem executado uma série de incentivos fiscais temporários e generosos para a compra de carros elétricos e outros tipos de veículos não poluentes. No entanto, esses incentivos expirarão com a nova regulamentação, razão pela qual o governo pretende substitui-los por incentivos de longo prazo para a aquisição de veículos limpos.

4.2) Aumento da taxa do imposto de carbono

O país tem um imposto geral sobre o carbono, que cobre todos os combustíveis fósseis. Esse imposto foi aumentado em 50% no início de 2018, teve aumento de 10% em 2019 e 10% novamente em 2020.

4.3 Apoiar a infraestrutura para carros elétricos e de outros tipos de veículos limpos

Nesse sentido, entre 2016 e 2018, o governo alocou cerca de 210 milhões de coroas islandesas (hoje seria quase R$ 9 milhões) para apoiar a construção de estações para recarregar carros elétricos.

4.4) Planejamento predial e espacial com mudanças para apoiar carros elétricos

Regulamentos estão sendo revisados para assegurar que novos prédios sejam projetados para permitir infraestrutura para recarregar carros elétricos.

4.5 Proibição de novo registro de carros a diesel ou gasolina depois de 2030

Com isso o governo sinaliza para fábricas e importadores que a partir de 2030 será ilegal fazer tal registro, com exceção de algumas áreas remotas.

4.6 Sistema de descomissão para carros velhos poluidores

Está sendo feito um estudo de viabilidade econômica, levando em consideração experiências em outros países, a fim de atestar a eficácia dessa medida, cuja ideia inicial é criar um sistema de descontos para descomissionar carros altamente poluentes.

4.7 Melhorar a infraestrutura para bicicletas elétricas e regulares

Um plano de ciclovias em áreas urbanas está sendo desenvolvido, considerando também as estações de recarregamento para bicicletas elétricas.

4.8 Governo e empresas estatais comprarem veículos limpos.

5) Em relação a transferência de energia limpa em outros setores, vale destacar as seguintes medidas: 5.1) prover energias limpas para balsas; 5.2 aumentar a participação da energia renovável para navios; 5.3 melhorar a Infraestrutura elétrica em portos, especialmente para alimentar navios que estão ancorados para que não tenham que usar motores para sua iluminação; 5.4 prover conexão elétrica para aviões estacionários, tornando o uso obrigatório; 5.5 ampliar a eletricidade para produção de refeições à base de peixe; 5.6 eliminar gradualmente o óleo combustível pesado.

Importante frisar que o plano supracitado é o mais novo, ele complementa a Estratégia de Mudança Climática 2007-2050 adotada pelo Governo Federal da Islândia, cujas medidas podem ser estudadas neste link <https://bit.ly/3BjSi9T>. 

Por outro lado, em 2019, o Brasil registrou respectivamente 0,1% e 0% em market share de carros e baterias elétricas <https://bit.ly/3m2fV2x>, uma vergonha, reflexo da falta de visão das autoridades, forte lobby, má gestão e de distrações inúteis (copa das copas, kit gay, escola sem partido, ataques as universidades, voto impresso, etc) que em nada agregam valor para a maioria da população.

Finalmente, em vez de desperdiçar tempo e torrar dinheiro público com distrações e manifestações como a de 07/09/21, não seria mais produtivo para a nação investir na participação de brasileiros no Show de Mobilidade de Munique <https://www.iaa.de/en/mobility/>, evento importantíssimo sobre e-mobilidade que iniciará na mesma data? 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email