Como a Noruega se tornou potência em e-mobilidade?

O Brasil só piora! Por exemplo, uma análise de 101 indicadores nos últimos 30 meses revelou que maioria (62,4%) piorou, 10 (9,9%) permaneceram estáveis e 28 (27,7%) melhoraram <https://bit.ly/2UJ68TS>. Tudo isso reflete o acúmulo da má gestão, alta impunidade e corrupção em um ambiente caótico recheado de retrocessos, fake news, distrações e negacionismo (copa das copas, petrolão, kit gay, escola sem partido, ataques às universidades, à Lava Jato, à OMS, à vacinação, à imprensa, à democracia, às urnas, etc).

Enquanto estamos na sombra do caos, a Noruega brilha com indicadores invejáveis, pois nos últimos 5 anos tem estado entre: a) os sete países mais transparentes e com baixa percepção de corrupção  <https://bit.ly/3895uSp>; b) os onze países mais competitivos <https://bit.ly/3gmcU9u>; c) as cinco melhores nações em se desenvolver e atrair talentos <https://bit.ly/3DgYCRA>; d) as dez nações mais felizes do planeta <https://bit.ly/3sAADrv>. Além disso, os descendentes dos vikings surpreendem em relação à qualidade de vida <https://bit.ly/382mIkz>, inovação <https://bit.ly/2xVJ4FU>, meio ambiente <https://bit.ly/3wMXEZC> e e-mobilidade.

Conforme abordado na semana passada: 1) o relatório Global EV Outlook 2020 <https://bit.ly/3m2fV2x> apontou que em 2019 a Noruega obteve o primeiro lugar com 55,9% (market share), saltando para 74,8% em 2020 <https://bit.ly/3xJTam8>. Para nossa vergonha, em 2019, o Brasil representou apenas 0,1% do market share dos veículos elétricos; 2) o relatório da IAA Mobility <https://bit.ly/3xQDk9s> publicado em abril de 2021 apontou que: 2a) os cinco países com mais carros elétricos para cada 1000 habitantes são: 1o) Noruega (81); 2o) Islândia (36,8), 3o) Suécia (20,6), 4o) Alemanha (8,5) e 5o) Reino Unido (6,7); 2b) em 2020, os dez países com maior market share de veículos elétricos foram: 1o) Noruega (74,8%; 18,8% a mais que em 2019); 2o) Islândia (44,6%; 25,8% a mais que 2019); 3o) Suécia (32,1%); 4o) Holanda (24,7%); 5o) Finlândia (17,7%); 6o) Dinamarca (16,4%); 7o) Suíça (14,3%); 8o) Alemanha (13,5%); 9o) Portugal (13,5%) e 10o) Luxemburgo (11,4%).

E quando se estuda sobre as estratégias, programas, políticas ou metas do Governo Federal da Noruega, descobre-se que:

Primeiro) o histórico da política de veículos elétricos tem seu início em 1989 com destaque aos seguintes fatos: 1.1) Em 1989, o grupo pop A-ha e a ONG Bellona unem forças para promover os melhores carros elétricos; 1.2) Em 1990, há a abolição temporária da taxa de importação, se tornando permanente em 1996; 1.3) Em 1994, a então empresa norueguesa PIVCO apresentou 12 veículos elétricos durante as olimpíadas de inverno de Lillehammer; 1.4) Em 1995, a Indústria Norueguesa criou a Associação de Veículos Elétricos da Noruega <https://bit.ly/2WcruJJ>, uma organização sem fins econômicos, a fim de representar os donos dos veículos elétricos, cooperar com o governo e empresas, realizar pesquisas bem como disseminar as boas práticas de políticas públicas na Europa e resto do planeta. Outros fatos podem ser visualizados neste link <https://bit.ly/3mnPmVM>;

Segundo) o sucesso dos Noruegueses deve-se em parte a um pacote substancial de incentivos para promover no mercado os veículos com emissão zero. Esses incentivos foram introduzidos gradualmente por diferentes governos e amplas coalizões de partidos desde o início da década de 1990. 

Por exemplo, em 2012, um consenso suprapartidário decidiu sustentar incentivos financeiros para colocar nas estradas (até 2018) cinquenta mil veículos novos com emissão zero (em 2010 eram 10 mil);

Terceiro) O Programa de e-mobilidade <https://bit.ly/3sAbcGq> foi criado para incentivar a população a usar veículos elétricos. A meta é até 2025, todos os carros novos vendidos serem elétricos ou híbridos plug-in com taxas de emissão mais baixas. 

Este Programa está conectado com as seguintes políticas: 

1) Eliminar impostos de compra/importação (1990); 2) Reduzir taxa rodoviária (1996); 3) Oferecer estacionamento municipal gratuito (1999); 4) Reduzir em 50% o imposto sobre veículos da empresa (2000); 5) Isentar em 25% o Imposto sobre o Valor Acrescentado na compra (2001); 6) Isentar taxas em estradas com pedágio ou em balsas (1997 a 2009); 7) Autorizar o acesso às faixas de ônibus (2005); 8) Isentar em 25% o Imposto sobre o Valor Acrescentado na locação (2015); 9) Realizar campanhas de divulgação, com relatórios contendo o andamento do programa e seus resultados disseminados regularmente para a população; 10) Avaliar regularmente o nível de satisfação da população com os incentivos dados e com os veículos elétricos; 11) Conduzir pesquisas (órgãos do governo) para identificar oportunidades para aumentar a participação dos veículos elétricos no mercado, etc.

Este é um programa de longo prazo com cinco fases, cujos detalhes podem ser lidos neste relatório <https://bit.ly/3CZmatU>: Fase 1) Fase do desenvolvimento do conceito (1970 até 1990); Fase 2) Testes (1990-1999); Fase 3) Fase inicial de Mercado (1999-2009); Fase 4) Fase de Introdução ao Mercado (2009-2013); Fase 5) Fase de Expansão (2013 até os dias atuais).

Aqui vale salientar que o Programa de e-mobilidade é tratado como parte integrada de uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável, alinhada com as diretrizes do Acordo de Paris. Entre as metas de longo prazo, pode-se ressaltar: 1) até 2030, reduzir a emissão de gases de efeito estufa em até 55% (base de comparação é 1990). Esta meta é fruto de um acordo de cooperação com a Islândia e a União Europeia; 2) até 2050, se tornar uma sociedade de baixa emissão.

Além disso, este programa, outras iniciativas e metas são amparados pela Lei de Mudança Climática <https://bit.ly/3mmaIm9> aprovada pelo Parlamento da Noruega em 2018, mostrando assim a importância de bons legisladores no processo de desenvolvimento da nação.

Finalmente, a principal lição é que o sucesso da Noruega em gerar emprego (só 4,62% de desempregados em 2020), riqueza, renda e acesso à população aos veículos elétricos, acontece por conta do trabalho transparente e integrado entre seus principais atores (parlamento, executivo, indústria, ONGs, etc), foco no desenvolvimento de planos de longo prazo, alinhados com acordos internacionais relevantes ao planeta, apoiados por recursos/investimentos, leis, incentivos, educação, P&D, consultas à população, bem como avaliação contínua e disseminação de boas práticas. 

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