O artigo inicia uma série de reflexões sobre a e-mobilidade, um assunto negligenciado por nossas principais autoridades, mas que tem sido levado muito valorizado em países compromissados com o acordo de Paris.

Apesar do seu enorme potencial, há décadas o Brasil tem sido mal gerenciado, se perdido em distrações que consomem tempo e recursos  (copa das copas, escola sem partido, voto impresso, etc) que em nada agregam valor para a melhoria da qualidade de vida da maioria esmagadora da população. 

Como resultado, uma boa parcela dos nossos indicadores-chaves tem apresentado retrocessos quando comparados com os de outros países, bastando dizer que temos registrado queda na competitividade global <https://bit.ly/3CTlTsi>, sem contar que estamos muito atrasados em adotar agendas inovadoras e sustentáveis que estão no epicentro da discussão global.

Por exemplo, estamos atrasados na adoção dos padrões de conectividade 5G <https://bit.ly/3m5ZcLR>, não levamos à sério a Indústria 4.0 <https://bit.ly/3iOu3ub>, tão pouco nossas principais autoridades têm mostrado interesse em cumprir metas assumidas em acordos internacionais, como o de Paris <https://bit.ly/3sjH0PK>.

No evento internacional da COP-21, em Paris, realizado em dez/15, o Brasil atuou de forma ativa e entre outras coisas se comprometeu: a) em até 2025 liberar 37% a menos de gases de efeito estufa na atmosfera em relação aos índices de 2005; b) até 2030 esta redução seria de 43%; c) até 2030 zeraria o desmatamento ilegal, restauraria e reflorestaria 12 milhões de hectares de florestas, etc. Infelizmente, na atual administração do Governo Bolsonaro, o Brasil retrocedeu, tem perdido protagonismo, afugentado investimentos estrangeiros e se afastado cada vez mais das metas assumidas em Paris <https://bit.ly/3CPDTns, https://bit.ly/37MeoW0>. No entanto, é necessário que façamos uma reflexão séria no sentido de desenvolver políticas públicas para ajudar o nosso país a cumprir as metas assumidas, incluindo na agenda do desenvolvimento a e-mobilidade, uma vez que ela tem sido uma das alternativas que os países mais avançados estão investindo.

A eletromobilidade ou e-mobilidade envolve o uso de tecnologias chaves para o desenvolvimento de um sistema de transporte limpo e eficiente, envolvendo veículos elétricos: carros, motos, bicicletas, aeronaves, navios, ônibus, caminhões, etc. Eles são silenciosos, eficientes e de baixa emissão de carbono. A característica comum é que são total ou parcialmente acionados eletricamente, têm um meio de armazenar energia a bordo e obtêm energia principalmente da rede elétrica. 

Para reforçar a importância da e-mobilidade, em 2018, o transporte foi responsável por cerca de 24% das emissões de CO2 (emissões da energia) no planeta, dos quais: 45,1% de veículos usados em estradas com passageiros (carros, motocicletas, ônibus e táxis); 29,4% de veículos em estradas usados para transportar cargas (caminhões); 11% de aeronaves; 10,6% de embarcações; 2,2% outros e 1% veículos que usam trilhos < https://bit.ly/3iOD4n1>. 

Neste sentido, a e-mobilidade se torna um diferencial positivo para melhorar a qualidade do ar, restaurar nosso planeta e dar uma melhor qualidade de vida para a população, pois ao contrário dos veículos movidos a gasolina ou a diesel, eles não emitem CO2 quando dirigidos. Ainda assim, vale lembrar que os veículos elétricos são neutros de CO2 no sentido literal da palavra apenas se as baterias e a eletricidade para alimentá-los forem produzidas usando fontes renováveis, desafio que tem sido debatido e superado em vários países, alguns dos quais já estão liderando o mercado global, gerando novos empregos e renda para sua população. 

Segundo o relatório Global EV Outlook 2020 <https://bit.ly/3m2fV2x>: 

1o) as vendas globais de automóveis de passageiros foram lentas em 2019, mas as de carros elétricos tiveram um ano excepcional, com a venda de 2,1 milhões de veículos;

2o) carros elétricos tiveram expansão anual média de 60% no período entre 2014 e 2019;

3o) cerca de 17 mil carros elétricos estavam nas estradas do mundo em 2010. Na época somente cinco países poderiam contar com mais de 1000 desses carros em suas estradas: China, Japão, Noruega, Reino Unido e EUA;

4o) Em 2019 o total de carros elétricos chegou a 7,2 milhões com nove países possuindo mais de 100 mil carros elétricos em suas estradas;

5o) Em 2019, os cinco países que lideram em vendas de carros elétricos foram: China, EUA, Alemanha, Reino Unido e Holanda;

6o) Em 2019, enquanto o Brasil representou apenas 0,1% do market share dos carros elétricos, a Noruega obteve o primeiro lugar com 55,9%, saltando para 74,7% em 2020 <https://bit.ly/3xJTam8>.

Em abril de 2021 um relatório da IAA Mobility <https://bit.ly/3xQDk9s> foi preparado para o Show de Mobilidade de Munique <https://www.iaa.de/en/mobility/>, evento importantíssimo que será realizado a partir do dia 07 de setembro de 2021. Esse relatório apontou que:

1o) o total de carros elétricos estimados no mundo chega perto de 10 milhões, maioria na China (4,2M), Europa (3,2M) e EUA (1,7M);

2o) As dez regiões que acumulam mais carros elétricos no planeta são: 1) China (4190273), 2) Europa (3201644), 3) EUA (1700825), 4) Alemanha (702981), 5) Reino Unido (447486), 6) Noruega (433609), 7) França (413212), 8) Suécia (212477), 9) Coreia do Sul (152652) e 10) Itália (100680);

3o) Os cinco países com mais carros elétricos para cada 1000 habitantes são: 1o) Noruega (81); 2o) Islândia (36,8), 3o) Suécia (20,6), 4o) Alemanha (8,5) e 5o) Reino Unido (6,7);

4o) Em 2020, os dez países com maior market share de carros elétricos foram: 1o) Noruega (74,8%; 18,8% a mais que em 2019); 2o) Islândia (44,6%; 25,8% a mais que 2019); 3o) Suécia (32,1%; 32,1% a mais que 2019); 4o) Holanda (24,7%); 5o) Finlândia (17,7%); 6o) Dinamarca (16,4%); 7o) Suíça (14,3%); 8o) Alemanha (13,5%); 9o) Portugal (13,5%) e 10o) Luxemburgo (11,4%).

Estes dois últimos resultados são interessantes porque revelam potenciais países modelos em políticas públicas para dar acessibilidade para a população aos carros elétricos, razão pela qual serão abordados com mais detalhes nos próximos artigos.

Finalmente, vamos dedicar mais tempo para discutir e construir coisas para mudar positivamente o mundo ?

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