“É melhor analisar suas escolhas” afirma a professora Joziane Mendes

Todo ano é a mesma coisa. Depois do primeiro período numa faculdade, ou até mesmo antes, muitos alunos começam a desistir do curso escolhido, seja porque não se identificaram com o conteúdo apresentado, ou por dificuldades financeiras. Outras causas aparecem em menor proporção. E os números não são poucos, conforme falou ao Jornal do Commercio a professora Joziane Mendes, especialista em Gestão de Pessoas por Competências, Indicadores e Resultados; e em Auditoria e Gestão Ambiental; assessora de Aperfeiçoamento e Desenvolvimento Profissional do grupo Fametro e Faculdade Santa Teresa, além de professora de pós-graduação nas áreas de Gestão e Negócios, e de Administração, da Faculdade Santa Teresa.

Jornal do Commercio: A sra. tem ideia da porcentagem de alunos que entram num curso da faculdade, e depois desistem, principalmente porque não era o que queriam?

Joziane Mendes: O Censo da Educação Superior de 2018, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) aponta que 56, 8% dos estudantes que ingressaram entre 2010 e 2015 desistiram do curso. Porém, a falta de afinidade com o curso não é causa única de desistência. A dificuldade financeira e a necessidade de mudança de turno também estão entre as razões.

JC: O que o jovem deve fazer para ter certeza de que está entrando no curso certo?

JM: Deve sobretudo buscar um autoconhecimento. Autoconhecimento sobre suas afinidades, preferências e habilidades técnicas e comportamentais. Se prefere rotina ou inovação, se tem mais foco nas pessoas ou no processo, se é mais emotivo ou mais racional, mais disciplinado e organizado, ou mais crítico e criativo. Há inúmeros testes de vocação profissional e encontros acadêmicos que podem auxiliá-lo a identificar estes fatores. Depois de filtrar eventuais áreas de atuação, é importante ler sobre as devidas áreas, assistir a filmes e programas de TV relacionados, dialogar com profissionais atuantes nestes campos para compreender o dia a dia do profissional e desmistificar eventuais fantasias.

JC: E também tem a questão da família (pais) muitas vezes forçar o jovem a seguir determinado curso.

JM: Tanto os pais quanto o jovem precisam compreender que definir um curso de graduação é como um casamento. Quem vai conviver com o outro, neste caso, o curso escolhido, é o jovem e não os seus pais. Logo, a opção definida pelo estudante deve agradar e satisfazer, sobretudo, a si, porque é ele quem vai vivenciar o dia a dia da profissão, com suas lutas e glórias.

JC: Explique o que seria uma segunda graduação, seria desistir da primeira e fazer outra? E se não gostar dessa segunda, também?

JM: Uma segunda graduação tanto pode ser uma substituta à primeira que ficou inacabada como uma complementar a uma outra graduação já finalizada.

É claro que o ideal é não investirmos tempo e dinheiro em uma graduação na qual não se pretende atuar ou da qual não se pretende usufruir de alguma forma. Mas, se acontece de o estudante perceber-se sem afinidade com a primeira, segunda ou terceira tentativa de graduação, a minha sugestão é recomeçar. É melhor analisar suas escolhas, afinidades e sonhos e refazer o caminho do que permanecer infeliz por constrangimento ou expectativa de terceiros.

JC: Visar o alto salário de uma determinada profissão é um erro, pois se não for o que se quer, pode-se trabalhar insatisfeito enquanto estiver naquele trabalho?

JM: O erro está em considerar apenas a perspectiva de salário alto, pois sabemos, por exemplo, de celebridades que deixaram o curso de medicina para serem artistas (Chacrinha), assim como temos profissionais formados em medicina (a campeã do BBB20, Thelma Assis) que passou a investir na carreira artística. Uso os exemplos de medicina e artes por se tratarem de áreas comumente relacionadas ao sucesso x fracasso, sucessivamente. Outros fatores precisam ser considerados: afinidade, tendências de mercado, perspectivas de valorização da profissão.

JC: Concurso público é a saída para quem quer bom salário e trabalho fácil?

JM: Eu diria que um concurso público ainda é a saída para quem quer estabilidade (considerando que há projetos de lei e propostas de reforma administrativa que sugerem o término da estabilidade para muitos cargos públicos). Estabilidade no sentido de ter um salário garantido por um tempo estável, não necessariamente um salário alto e muito menos um trabalho fácil, pois há inúmeros cargos oferecidos em concursos públicos que pagam um salário baixo e possuem uma significativa sobrecarga de trabalho. Como exemplo cito o cargo de merendeiro, que recebe em média R$ 1.304,01 para uma carga horária de 40 horas semanais e o cargo de professor de ensino fundamental da rede pública que ganha em média R$ 2.233,40 para uma carga horária de 30 horas semanais, segundo o site salario.com.br

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email