14 de abril de 2021

E-lixo abre oportunidades de negócio

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A venda de eletrônicos vai disparar nos próximos dez anos e com isso aumenta a produção de lixo eletrônico.

A venda de eletrônicos vai disparar nos próximos dez anos e com isso aumenta a produção de lixo eletrônico. No relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado em fevereiro, há um alerta para a explosão de resíduos eletrônicos, especialmente nos países em desenvolvimento. Segundo o relatório, a geração de lixo eletrônico do mundo cresce em torno de 40 milhões de toneladas por ano. Equipamentos como TVs, computadores, cartuchos, CDs e celulares não devem ser descartados no lixo comum por conterem substâncias tóxicas como manganês, bário e chumbo que podem contaminar o solo e o lençol freático.
Apesar dos estudos para o desenvolvimento de uma solução integrada relativa à gestão de resíduos industriais no PIM (Polo Industrial de Manaus), iniciados em fevereiro e realizados pela Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão), em parceria com a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e a ABC (Agência Brasileira de Cooperação), não há uma pesquisa específica sobre o lixo eletrônico produzido no polo e seu devido descarte.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em março pela Câmara dos Deputados, também não inclui a destinação correta para o e-lixo. Mas, para o assessor do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas), Antônio Ademir Stroski, isso não significa que o Estado ou o município não possam fazer a sua própria política para esses resíduos. “O problema do lixo eletrônico é urgente e não se resume às capitais. No interior, os lixões estão cheios de sucata eletrônica”, afirmou Stroski.

Cumprir requisitos

Há um ano atuando em Manaus, a Lorene Amazonas Fabricação e Reaproveitamento de Materiais com Conteúdo Metálico Ltda. tem a solução para este tipo de resíduo tecnológico, possibilitando que as empresas possam cumprir os requisitos para o descarte ambientalmente correto. Os serviços atendem industria, comércio, órgão públicos, escolas, lojas de informática, farmácias, supermercados e usuários residenciais de computadores e celulares.
Segundo o gerente de vendas da Lorene, Fulvio Stelli, a maioria das empresas do PIM incinera seus resíduos eletrônicos. “A incineração libera poluição tóxica e acaba com a possibilidade de reaproveitamento dos metais nobres”, afirma Stelli. A fabricação de celulares e PCs consome 3% da produção anual mundial de ouro e prata, 13% do paládio e 15% do cobalto.
Fundada em 1997, com capital nacional, a Lorene compra e exporta sucata digital, de informática, de telefonia, de eletroeletrônicos, industrial (aço inoxidável e outras ligas) e de catalisadores automotivos. Tem sede na cidade de São Paulo, e filiais nas cidades do Rio de Janeiro, Curitiba e Manaus, além de países como os Estados Unidos, Bolívia, Chile,Venezuela, Israel e Japão. A empresa dispõe de uma logística que lhe permite comprar materiais em todo o território brasileiro e em vários países da América Latina.

Informalidade inibe potencial de geração de empregos

A infra-estrutura logística da Lorene permite comprar, retirar e transportar materiais em todo o território nacional. São mais de 100 representantes da empresa atuando na compra de resíduos e produtos descartados no Brasil e também em países da América Latina. A empresa dispõe de uma frota de veículos com capacidade para acondicionar os produtos com segurança. A Lorene estabelece valores por quilo para cada tipo de sucata e firma contratos mensais de retirada.
Todos os processos realizados e serviços de destruição de sucata estão de acordo com a legislação ambiental. Nenhuma substância não aproveitada pela empresa retorna à natureza. As sucatas digitais, de produtos de informática, eletroeletrônicos, centrais telefônicas, catalisadores, entre outras, passam por triagem, separação, trituração e ensacamento e exportação. Já os catalisadores automotivos são analisados por meio de um moderno laboratório para saber a qualidade do material e posteriormente armazenados em embalagens para facilitar a exportação.

Lixeira eletrônica

O termo lixo eletrônico, ou e-lixo, abarca uma grande variedade de resíduos. É considerado lixo eletrônico todo equipamento que possua circuitos eletrônicos ou precise deles para funcionar e que não está sendo mais utilizado.
No documento da ONU, há dados reunidos de 11 países para estimar a produção atual e futura de lixo eletrônico. Nessa categoria entram desktops e notebooks, impressoras, celulares, pagers, câmeras fotográficas, players de música, televisores, brinquedos e refrigeradores.
Na China e na África do Sul, a produção de e-lixo deve crescer até 400% até 2020. Na Índia a situação é pior: haverá um aumento de 500% em relação ao que era produzido em 2007. O número de celulares descartados deve ser também 18 vezes maior. Hoje a China produz 2,3 milhões de toneladas de lixo eletrônico.
Os caminhos percorridos pelo lixo eletrônico no Brasil são muito pouco conhecidos. Se de um lado os eletrônicos por aqui têm uma vida mais longa, uma vez que o poder de compra é mais limitado e não é difícil encontrar interessados em receber os equipamentos mais velhos, de outro pouco se sabe sobre o que acontece com um aparelho quando ele realmente não tem mais utilidade.

Ciclos de substituição

A exemplo do que ocorre em países desenvolvidos, os ciclos de substituição de produtos estão cada vez mais acelerados. O tempo médio para troca dos celulares -que já são mais de 102 milhões em uso no país- é de menos de dois anos. Os computadores, cuja base instalada é estimada em 33 milhões, são substituídos a cada quatro anos nas empresas e a cada cinco anos pelos usuários domésticos.
Para o gerente de vendas da Lorene, Fulvio Stelli, é preciso tirar o tratamento de lixo eletrônico da informalidade. “A reciclagem de lixo eletrônico tem o potencial de gerar empregos decentes”, explica Stelli, citando a possibilidade de revenda de metais nobres e a parceria com os catadores.
Segundo o estudo da ONU, Brasil, Colômbia, México, Marrocos e África do Sul têm um grande potencial para a reciclagem de lixo eletrônico porque a informalidade do setor ainda é relativamente pequena –diferente do que acontece na China e Índia.
O PIM reúne aproximadamente 550 indústrias nacionais e multinacionais que atuam em segmentos como eletroeletrônico, duas rodas, termoplástico, químico, entre outros. Segundo dados da Suframa, atualmente, o tratamento de grande parte dos resíduos gerados pelas indústrias do PIM é realizado em Manaus por meio da terceirização, pelas fábricas geradoras, dos serviços de coleta, transporte e destinação final a empresas credenciadas pelos órgãos ambientais no Amazonas. Estima-se que somente 1% do lixo eletrônico produzido no Brasil seja reciclado.

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