“Para morrer, basta estar vivo”, diz um ditado popular que mostra certo conformismo com a morte. Os mais dramáticos afirmam que “a única certeza é a morte”. Ou os mais teatrais profetizam: ”A vida é uma luta de onde ninguém sai vivo.” Ou ainda existem os religiosos que dizem que não vivemos, mas somos vivificados. A verdade é que a pessoa começa a pensar com mais seriedade quando atinge a velhice e o fim está cada vez mais próximo, em se tratando de morte natural.

Contudo, neste início de milênio vivemos uma situação que não pensávamos em viver. Uma epidemia que qual peste digna da idade média ceifou muitas vidas indistintamente. Durante dezoito meses, quase 15 por cento do total de mortos foi causada ou atribuída ao novo corona vírus. Um número respeitável e triste que, como disse, ninguém esperava. As pessoas ficaram com mais medo da morte que em outras épocas. À bem da verdade, durante muitas décadas vivemos situações alarmistas que nunca se confirmaram com tanta intensidade como agora.

Lembremos a gripe suína, do mal da vaca louca, da H1N1 e tantas outras que não se mostraram tão letais como esta. E o pior é que a população fica com as orelhas em pé, apta a ficar apavorada ao menor sinal de alerta. Na política brasileira, onde só falta acusar o presidente de ter metralhado quase seiscentas mil pessoas, as acusações são dirigidas a quem minimizou o problema e não a que o maximizou de tal modo a causar um pânico geral. Para alguns, ficou determinado que o crime consiste em encarar a pandemia com serenidade e os alarmistas que fazem o contrário, com ou sem conhecimento de causa, são os heróis. Sabe-se que é mais fácil instigar que apaziguar. Assim como a prática ilegal de medicina é combatida, a divulgação alarmista também deveria ser.

Agora temos o mal da urina preta que causou algumas mortes. Morte sempre é dolorosa, por isso não deveríamos falar em poucas, mas em número pequeno que nunca pode ser chamado de epidemia. A população se ressente e deixa de consumir peixe. De pouco vale dizer que o risco é extremamente baixo, que o número de pessoas que morre por acidente doméstico é muito maior, porque se trata de algo que a população não conhece. Por não conhecer, evita. Infelizmente toda notícia deste gênero, fundamentada ou não, provoca prejuízos para quem trabalha com o produto. 

As pessoas tentam manter o bom humor no meio do luto. A mente nos força, até para não sucumbir, a procurar alguma coisa positiva em meio à choradeira. Não se trata de fazer pilhéria, mas manter o bom humor. Nestas férias forçadas e não remuneradas (só funcionário público não perdeu seus proventos) muitos foram criativos para manterem a chama da atividade econômica acesa. Outros simplesmente deixaram estourar suas contas esperando dias melhores. Embora a doença não tenha sido totalmente debelada as pessoas começam a trabalhar fazendo a roda da economia girar. 

Assim como é fácil morrer fisicamente, também a economia pode entrar em colapso. Governos podem, temporária e artificialmente, manter o poder de consumo, mas existe uma fonte originária que vem da produção agrícola e industrial. No Brasil, o agronegócio garantiu e garante a alimentação, mas não os preços. É uma boa perspectiva: Os que escaparam da doença não vão sucumbir na fome.

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