Segundo setor mais importante do PIM, o polo de duas rodas vem perdendo espaço e luta para se adaptar a condições de mercado desfavoráveis. Apenas nos últimos dois anos a perda de faturamento foi de -26,8%. Após as crises econômicas de 2009 e 2012 o setor viu sua participação no faturamento do Polo Industrial ser reduzido em 8% em 5 anos, caindo de 25,4% para 17,5%. Com um “ano de incertezas” em virtude da Copa do Mundo e eleições, o setor admite que não vê perspectiva de crescimento.

2013: Expectativas frustradas
O início do ano era de esperança para o setor que vivia a expectativa de maior liberação do crédito e recuperação do setor, que acabou não acontecendo. Somente abril conseguiu ter um desempenho superior ao visto em 2012, frustrando a expectativa do mercado. No segundo semestre a situação foi ainda pior. Nos 10 primeiros meses do ano, apenas 3 conseguiram ter um desempenho superior ao obtido em 2012, ano considerado péssimo. “As expectativas não se concretizaram. Pelo contrário, ficaram bem abaixo. Tínhamos uma expectativa muito grande de crescimento no segundo semestre e ele acabou sendo pior que o primeiro. Com exceção de novembro, nenhum mês conseguiu atingir a média de 6 mil unidades vendidas em um dia” afirma o presidente da Abraciclo (Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Marcos Fermanian,
Segundo dados da Abraciclo, a produção de motocicletas no ano, sofreu redução de -2,2%, considerando os meses de janeiro a novembro. As vendas no atacado também sofreram redução, essa de -2,8%, enquanto nas vendas no varejo a redução foi ainda maior, -8,3%. Para o economista, Francisco Mourão Júnior, o setor chegou a sua maturação e está tentando conviver com a nova realidade após um “boom” de vendas em anos passados. “Se vendeu moto de mais, produção estava em uma escala maior que o normal e hoje essas motos já estão nas ruas. Agora a demanda começou a cair. Isso juntou com medidas do governo de segurar inflação aumentando a taxa de juros e acesso ao crédito ficando mais restrito”.
A dificuldade para se obter acesso ao crédito é tido como o principal vilão por empresários que acreditam que ainda há uma forte demanda de compradores. Para o presidente da Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a liberação de crédito por parte dos bancos resolveria grande parte do problema. “É uma situação que não mudou. Com isso, continuamos sem algo palpavel para visualizar uma melhora no setor. Mas acredito que as melhoras começarão a ocorrer a partir do momento que tivermos mais crédito no mercado”, ressaltou.
O presidente da Suframa Thomaz Nogueira, assume que o polo de duas rodas é hoje o grande entrave no crescimento do faturamento da Zona Franca de Manaus. Mas acredita que a situação se deve ao mercado e não faz parte dos problemas estruturais da autarquia. “Se excluirmos o polo de duas rodas, veremos um bom crescimento na Zona Franca. Sem dúvida é hoje a grande decepção do polo, mas é uma questão de mercado e o mercado é que tem que resolver. Estamos com a discussão da questão dos PPBs para dar maior adensamento à cadeia, que é o que podemos fazer”, explicou.

Investimentos
Apesar da queda na produção, faturamento e vendas os investimentos no setor continuam altos. Em 2013 Foram investidos US$ 2,5 bilhões no setor, mesma quantidade do ano anterior. Um dos grandes investimentos feitos pelo setor no ano foi da Honda, empresa lider de mercado, que investiu R$ 13 milhões na inauguração de um novo Centro de Desenvolvimento e Tecnologia na Amazônia. A fábrica japonesa na capital, que já estava entre as mais verticalizadas do modelo, conta com mais de 90% das partes e peças produzidas no Brasil – agora vai desenvolver novas tecnologias de produção, com o intuito de nacionalização com competitividade, fortalecendo ainda mais a indústria local.
O diretor Sênior de Relações Institucionais da Honda, Paulo Takeuchi, garante que apesar da crise no mercado a empresa acredita no mercado brasileiro e deve continuar com grandes investimentos no Polo Industrial de Manaus para 2014. “Apesar do mau momento as fábricas da Zona Franca são muito importantes para empresa. Continuaremos investindo aqui e mantendo os empregos gerados pela empresa”, garantiu.

2014: Ano de 11 meses
Carnaval em março, Copa do Mundo, eleições. A atipicidade do ano de 2014, aliada à falta de perspectivas de mudanças no cenário macroeconômico, congelam as expectativas do setor. Sem otimismo e visualizando um ano que deve ser de nova queda no faturamento o setor busca soluções para manter o nível de emprego e não sofrer grande perda de faturamento.
“Há um comprometimento das indústrias de realizarem altos investimentos em marketing para tentar segurar os números nos mesmos patamares de 2013. Mas sabemos que a situação é delicada. A copa, embora seja um evento esperado, impacta negativamente no comércio em geral. Com exceção dos produtos que lucram diretamente com ela, as vendas no período caem”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.
Wilson Périco lembra que os outros eventos também devem afetar o mercado. “Há incerteza gerada pelas eleições e especificidades de um ano com poucos meses produtivos nos mostram que não haverá recuperação em curto prazo para o setor”, comentou. A ideia de que não haverá crescimento é unanime entre empresários e economistas. Para o presidente da Fieam, Antônio Silva, “não há perspectivas de crescimento para o polo de duas rodas. Está tudo do mesmo jeito. Mas não cair já será uma vantagem em uma situação de crise na economia e desaquecimento da indústria”, afirmou.
Para o economista Mourão Jr. o único aquecimento que pode acontecer será devido as regularizações de mototaxistas que vem acontecendo por todo Brasil. “Manaus é um exemplo e vem acontecendo em outras regiões isso pode motivar as vendas para esse setor. Mas não será o suficiente para suprir as perdas de mercado, mas pode aliviar”, explica.

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