Duas rodas aposta em estabilidade

Fabricantes do polo de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus) acreditam em um segundo semestre de estabilidade com um equilíbrio entre o volume produtivo e as vendas. Na avaliação dos empresários, o desemprego, seguido do menor poder de compra do consumidor e a restrição ao crédito dificultam a comercialização nacional. Como alternativa ao período de dificuldades econômicas, as empresas apostam na apresentação de novos modelos de motocicletas e também em investimentos estruturais nas plantas fabris. É o caso da Moto Honda da Amazônia, que a partir deste mês disponibilizará ao mercado brasileiro o modelo XRE 190.
De acordo com o diretor-executivo de relações institucionais da Moto Honda, Paulo Takeuchi, a empresa não prevê crescimento no volume produtivo para os próximos meses. Mas, há expectativas de uma retomada nas comercializações a médio ou longo prazo, o que na avaliação do diretor, deve acontecer a partir de 2018. Ele frisa que o mercado de motocicletas no país tem forte potencial, o que motiva a fabricante a investir em melhorias estruturais e na elaboração de novos produtos na planta instalada no PIM.
“A curto prazo a prioridade será manter o ritmo mínimo de produção para que cresçamos junto com a recuperação econômica. Enquanto essa melhora não acontece é impossível prever crescimento no mercado de duas rodas, que apresenta forte potencial no país”, disse o diretor.
De janeiro a maio deste ano a Moto Honda registrou queda entre 20% e 23% no faturamento em comparação ao mesmo período de 2015. Segundo Takeuchi, caso os índices produtivos permaneçam estáveis até o mês de dezembro, a empresa encerrará 2016 com decréscimo de 20% no faturamento anual. “Mas, se houver ao menos uma pequena recuperação nos números a partir deste mês, o nível de decréscimo poderá diminuir. Por isso, é importante termos novidades com novos modelos que atendam à expectativa do consumidor”, comentou.
Takeuchi explicou que o modelo XRE 190, desenvolvido no CDT (Centro de Desenvolvimento e Tecnologia) da Honda, foi inspirado na motocicleta XRE 300. O lançamento dispõe o design moderno, além do sistema de freios com ABS (antitravamento) de apenas um canal. A motocicleta custa R$13,3mil. A empresa prevê produzir 32 mil unidades do modelo ao ano.
Nos últimos 5 anos a empresa investiu aproximadamente R$1,1 bilhão no Amazonas. Entre os destaques, a empresa iniciou duas novas operações em novembro de 2015: a produção de tubos e o spin casting (fundição centrífuga). Essas produções demandaram investimentos de R$75 milhões. As novas linhas incrementaram o desenvolvimento de componentes para a fabricação do motor e chassi das motocicletas, quadriciclos e motores estacionários. Alguns processos também passaram a ser feitos internamente como: corte de chapas, conformação dos tubos e a produção da camisa do cilindro do motor.
Segundo a assessoria de comunicação da Yamaha Motor da Amazônia, neste primeiro semestre a fabricante passa por um período de ajustes de estoque. A empresa afirma que a produção foi muito abaixo da capacidade instalada, e abaixo do volume de vendas. A Yamaha espera que no segundo semestre haja uma retomada do equilíbrio entre o volume de produção e de comercialização, ou seja, de estabilidade.
Na avaliação do gerente comercial da Moto Traxx da Amazônia Ltda., Zoghby Koury, o atual cenário econômico descarta qualquer sinalização de crescimento produtivo. Ele explica que há dificuldade no acesso às linhas de crédito, o que impede os financiamentos. Outro problema, segundo o empresário, é o alto índice de desemprego.
“É um período em que está acontecendo um fato atípico. Os clientes estão com medo do endividamento devido ao alto índice de desemprego que nunca foi tão forte nos últimos 20 anos. Em anos anteriores tínhamos índice de crescimento devido a demanda crescente. Porém, agora as pessoas estão economizando e se resguardando de dívidas”, considerou. “Para os próximos meses, acreditamos em uma estabilidade”, completou.

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