Duas contas de luz em julho para o manauara pagar

Numa época em que o dinheiro anda curto para a maioria da população brasileira, consumidores do Amazonas ficaram surpresos ao receber duas contas de energia com o mesmo vencimento em julho. A concessionária Manaus Energia justifica a medida pelos 60 dias em que a cobrança do serviço foi suspensa por causa da pandemia do novo coronavírus.

Segundo a empresa, as tarifas referem-se, respectivamente, aos consumos de maio e junho, que devem ser pagos em julho. E a de julho será paga em agosto. “Não são contas duplicadas. A concessionária deu um prazo maior para pagamento devido a essa situação excepcional causada pela pandemia, já que a maioria dos consumidores ficou sem trabalhar e impedida de cumprir seus compromissos”, explica Marcelo Pinho, diretor comercial da Manaus Energia. “Jamais tomaríamos medidas que prejudicasse o consumidor”, acrescenta.

O diretor-presidente do Procon-AM (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor no Amazonas), Jalil Fraxe, avalia que a cobrança de duas faturas de energia com vencimento em um mesmo mês não é ilegal.  Mas ressalta que a concessionária não pode causar transtorno aos consumidores e sair cobrando por duas tarifas num mesmo mês, sem avisar previamente mudanças nos seus calendários de pagamento do serviço.

“Afinal, ninguém sempre está preparado e tem condições financeiras para manter em dia o pagamento por serviços essenciais, principalmente nesta época de retração na economia. A pessoas têm que se programar, adequar seus orçamentos”, afirma o diretor-presidente do Procon-AM. 

Fraxe orienta que os usuários consultem o site da Manaus Energia antes de efetuar o pagamento das tarifas. Uma forma de o cliente checar o consumo e evitar pagar duas vezes as contas, que podem vir duplicadas por um lapso da empresa ou até pela ação de criminosos.

Ele alerta ainda sobre aplicação de golpes que têm causado grandes prejuízos às pessoas menos informadas. “Hoje, as maiores queixas que chegam ao Procon-AM são de problemas relacionados às contas de energia”, afirma Fraxe.

Aplicar fraudes e fazer cobranças indevidas por serviços essenciais à população é considerado estelionato, segundo Jalil Fraxe. Os que se sentirem lesados devem procurar inicialmente o Procon-AM e, posteriormente, a Delegacia do Consumidor, que responde pelas investigações criminais dos casos.

“O Procon-AM fica com a parte administrativa e aciona os canais legais. E nunca deixamos de atender os consumidores. Temos hoje o maior número de resolutividade dos casos”, afirma o diretor-presidente.

‘Aperto’

O problema é que muita gente foi pega desprevenida nesse momento em que o orçamento mal dá para cobrir os gastos com alimentos em casa. E quem tem dinheiro sobrando não sente tanto impacto no bolso.  

Mas não é o caso de Yuri Gonzaga, 20 anos, operador de caixa e um pretenso candidato a estudante de medicina veterinária.  “Não entendo como a empresa decidiu cobrar duas contas ao mesmo tempo num mesmo mês. Não sei como vou ajudar a minha família a pagar. Quase não vai sobrar nada para a gente comer”, lamenta ele.

Yuri conta que ajuda a família nas despesas básicas em casa. Parte do que ganha é direcionada para o pagamento de energia e água. Mas dessa vez avalia como praticamente impossível continuar mantendo essa ajuda. “Logo agora, que esperava guardar alguns trocados e investir num curso de veterinária, mas vou ter mesmo que ajudar no pagamento das duas tarifas porque não podemos ficar sem energia”, diz.

Na mesma situação de Yuri estão milhares de famílias no Amazonas. O auxílio emergencial do governo Jair Bolsonaro (sem partido) não chega para todos. E poucos conseguem se enquadrar nos critérios exigidos pela CEF (Caixa Econômica Federal) para poder ter a concessão do benefício.

As fraudes também são um gargalo. Só no Amazonas, foi descoberto que muitos servidores, políticos e pessoas que não precisam receberam o auxílio indevidamente, enquanto milhares de famílias ficam desassistidas num momento em que a economia está em retração e o desemprego aumenta.

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