Dólar volta a fechar em queda, cotado abaixo de R$ 3,30

O dólar fechou em baixa nesta sexta-feira (8), com investidores enxergando na meta fiscal para 2017 um sinal de comprometimento do governo com o aperto na economia, e reagindo à ausência do Banco Central após cinco dias de intervenção no mercado para sustentar as cotações.
A moeda norte-americana caiu 2,12%, vendida a R$ 3,2945. Na semana, o dólar subiu 1,90%. No mês de julho, avançou 2,52%. Em 2016, contudo, a moeda dos EUA recuou 16,5%.

A última vez que a moeda norte-americana fechou abaixo de R$ 3,30 para venda foi no dia 4, a R$ 3,2649.
Ao longo o dia, o real foi de longe a moeda com maior valorização entre os principais mercados emergentes, segundo a Reuters. O apetite por ativos de risco voltou nesta sessão após o mercado de trabalho dos Estados Unidos recuperar com força em junho, mostrando robustez na maior economia do mundo.
O dado fez com que operadores apostassem que o Federal Reserve, banco central norte-americano, ainda evitará elevar os juros enquanto avalia as consequências da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

“Temos tudo hoje: fiscal, exterior, BC. Tudo colabora para trazer o dólar de volta a esses R$ 3,30”, resumiu o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira, à Reuters.
O governo definiu na quinta-feira a meta de déficit primário de R$ 139 bilhões para o governo central em 2017, abaixo do rombo de R$ 170,5 bilhões previsto para este ano. No entanto, não especificou como vai cumprir o esforço fiscal de R$ 55,4 bilhões necessário para atingir o objetivo.
Interferência do Banco Central
Mas o BC não anunciou qualquer intervenção para esta sexta, o que contribuiu para trazer alívio ao câmbio. De maneira geral, investidores entendem que o BC quer evitar exageros no mercado e entrou no mercado para reduzir o ritmo de queda do dólar após marcar a maior queda mensal em 13 anos ante o real em junho.
Preocupações com a possibilidade de o presidente em exercício Michel Temer se contentar com uma meta pouco ambiciosa haviam contribuído para elevar o dólar em relação ao real nas últimas cinco sessões. A moeda norte-americana havia sido amparada também pela intervenção do BC, que vendeu até então em cada um dos dias 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares.
“O BC estava agindo como principal comprador de dólares no mercado brasileiro. Em um dia como hoje, em que tudo aponta para baixo, a ausência do BC chama atenção”, resumiu o operador de um banco nacional à Reuters.

Véspera

Na véspera, o dólar subiu 0,86%, vendido a R$ 3,3659.

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