Dólar é baliza para reajuste na Selic

O Banco Central manifestou hoje preocupação mais explícita com o impacto da valorização do dólar na inflação. A mudança de tom reforça a expectativa de novos aumento nos juros, mas não provocou uma revisão das projeções no sentido de uma elevação maior da taxa do que a prevista anteriormente.
Os comentários do BC estão na ata do Copom (Comitê de Política Monetária), documento que traz detalhes sobre a decisão de elevar a taxa básica Selic para 8,5% ao ano na semana passada. No documento, o BC afirma que desvalorização do real “constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos”. Ele ressalta, porém, que o impacto desse aumento do dólar em prazos mais longos “podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária”, ou seja, pelo aumento dos juros.
Para o economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, esse trecho indica que, se o dólar continuar subindo, o BC vai subir ainda mais os juros. No entanto, sua expectativa é que a cotação da moeda americana deve permanecer no atual patamar, entre R$ 2,20 e R$ 2,30.
“Mantemos nossa projeção de mais duas altas da Selic, uma de meio ponto percentual e outra de 0,25 [ponto percentual], fechando em 9,25% neste ano”, disse.
A avaliação é a mesma do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.
“O BC manifestou uma preocupação a mais com o câmbio, indicando que uma desvalorização maior levaria a um ciclo mais longo de aumento dos juros. Mas acredito que o dólar vai se estabilizar agora”, observa.

Taxa Neutra

Os dois economistas chamaram a atenção para retirada de um trecho que constava na ata anterior do Copom. O novo documento não traz um parágrafo afirmando que a taxa de juros neutra -aquela que permite sustentar o crescimento sem provocar aumento na inflação- recuou no Brasil. Segundo relatório da consultoria LCA, esse comentário aparecia nas atas desde setembro de 2010.
Para Rosa, isso é reflexo do atual processo de normalização de cenário internacional, com redução dos estímulos econômicos do governo americano e consequente diminuição da oferta de dinheiro no mundo. Isso tem provocado a valorização do dólar, o que pressiona a inflação, exigindo juros mais altos, nota o economista.

Crescimento

Na ata de hoje, o BC manifestou também preocupação com o ritmo de crescimento da economia. Apesar de notar que trabalha com “um ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano”, a autoridade monetária ressalta que a velocidade da retomada pode ser contida caso a queda na confiança de empresários e consumidores não seja revertida.
O BC voltou a destacar no documento que a inflação alta é maléfica para o crescimento, ao corroer o poder de compra das famílias e dificultar o planejamento das empresas, sendo um importante fator que afeta a confiança da população.
Para Serrano, outro fator que tende a aumentar o pessimismo da sociedade são as manifestações populares que ocorrem no país desde junho. Esses protestos afetaram, por exemplo, o desempenho do comércio e geram uma insegurança política, acrescenta Rosa.
“O crescimento no segundo trimestre deve ser ruim, de apenas 0,7% [ante o primeiro]. No ano, projetamos alta de 2,3% para o PIB”, afirmou Serrano.

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