Dólar alto prejudica eletroeletrônico

A valorização do dólar, em relação ao real, tem sido mais uma barreira a prejudicar o desempenho da indústria eletroeletrônica do PIM (Polo Industrial de Manaus). Com alta acumulada que supera os 12% em 2014, a valorização da moeda norte-americana prejudicou as importações no PIM ao longo de todo o ano. O setor eletroeletrônico, que é o de maior participação no PIM, também é o que mais depende de insumos importados e, portando o que mais sofre com as variações cambiais.

De acordo com dados da Balança Comercial, divulgados na última quarta-feira (10) pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), as empresas Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda e LG Eletronics do Brasil Ltda foram responsáveis por 33,12% de tudo o que foi importado pelo estado do Amazonas nos últimos 11 meses.
Ao todo, de janeiro a novembro, somente a Samsung importou o equivalente a US$ 2,23 bilhões, o que representa 18,33% do total de importações – uma alta de 18,13% em relação ao mesmo período de 2013. Já a LG Eletronics desembolsou um montante de US$ 1,20 em importações – alta de 14,99% em comparação com o ano passado. Em terceiro lugar, apesar da crise no setor de duas rodas aparece a Moto Honda da Amazônia Ltda, com participação de 4,34% nas importações e US$ 528 milhões. A participação da montadora nas compras externas, no entanto, caiu 14,64%.

O presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Celso Piacentini, confirma que o a dificuldade do setor eletroeletrônico com a alta da moeda estrangeira. Ele explica que as empresas acabam sendo obrigadas a pagar mais pelo mesmo material – na maioria das vezes importado – e que o mercado não aceita o ajuste de preços ao consumidor final.

“O que acontece é que ficamos pressionado pela taxa de conversão e não temos muito o que fazer. O material custa para nós em reais, mas não conseguimos repassar isso para os clientes. É só prejuízo. O impacto é direto”, lamenta o empresário.
Material

Ainda segundo os dados do Mdic, os quatro principais produtos importados pelo Polo de Manaus em 2014 estão diretamente ligados ao segmento eletrônico. O item “Outras partes para aparelhos receptores de rádio e televisão” foi o mais importado, com 21,44% de participação e US$ 2,61 bilhões investidos. Piacentini explica que, com a alta acumulada do dólar em 2014, o preço destes materias já subiram mais de 7%, o que acaba influenciando negativamente o faturamento.

“O material representa de 75% a 80% do custo do produto. Com o aumento de 10% nos custos em cima de 75%, o aumento real é de 7,5%. A maioria das empresas não tem lucro de 7,5% nunca. Então realmente a alta nos impacta muito”, disse.

Alta Recorde

Nesta quinta-feira (11), a moeda norte-americana voltou a bater recorde. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 2,648 com alta de 1,34%. O valor é o mais alto desde 4 de abril de 2005, quando a cotação tinha fechado em R$ 2,659.

O dia foi marcado pela volatilidade no mercado financeiro. Durante toda a sessão, a moeda operou em alta. Na máxima do dia, por volta das 14h (no horário de Brasília), a moeda chegou a atingir R$ 2,649. O dólar acumula alta de 2,96% em dezembro e de 12,31% no ano.
Desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o dólar tem registrado grande volatilidade. A cotação não caiu mesmo após a confirmação da nova equipe econômica, com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central.

A instabilidade é agravada pelo cenário externo, principalmente depois que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, encerrou o programa de injeções de dólares na economia mundial motivado pela recuperação do emprego nos Estados Unidos.
O dólar não tem caído apesar de o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) ter aumentado a taxa Selic (juros básicos da economia) para 11,75% ao ano. Em tese, os juros domésticos mais altos ajudam a derrubar o dólar porque ampliam a diferença das taxas brasileiras em relação às dos Estados Unidos, tornando o Brasil mais atrativo para os aplicadores internacionais.

Sobre a expectativa em relação a 2015, Piacentini disse acreditar que “continuará sendo um ano difícil” para o setor eletroeletrônico do Polo Industrial de Manaus.

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