Dólar alto não influencia preços

Maior parte das mercadorias comercializadas foi comprada nos meses anteriores

Lucas Câmara
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Mesmo com a galopante alta no preço do dólar, os consumidores amazonenses podem gastar sem medo neste natal. É o que garante o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra.
Ele explica que a maior parte das mercadorias comercializadas neste fim de ano foi comprada nos meses anteriores e, portanto, já está paga. Já para a parcela que ainda será paga pelo comércio, Bicharra explica que o mercado deverá se acomodar no próximos dias fixar valore muito abaixo do vem sendo registrado nos últimas semanas, quando a cotação da moeda americana chegou perto dos R$ 2,70.
“O dólar está em uma turbulência. Acreditamos que o dólar deve se acomodar na faixa dos R$ 2,40 chegando até 2,50. Os empresários trabalham com a faixa de R$ 2,40. Temos que ter critérios para a formação dos preços, estabelecemos um valor. Não se pode ficar variando para cima e para baixo. O consumidor pode ficar tranquilo que não vai haver aumento de preço. Neste natal ainda será praticado o câmbio de R$ 2,40”, tranquilizou o presidente da ACA. No entanto, Ismael Bicharra não descarta reajustes a partir de 2015. “Se a instabilidade do país continuar em janeiro e fevereiro, possivelmente precisaremos ter aumento de preços.

Consequência

Na opinião do presidente do sistema Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, a recente desvalorização do real frente ao dólar não é surpresa. Ele explica que durante todo o ano de 2014, o Brasil viveu sob a égide da crise, que culminou com o PIB acumulado pífio e crescimento anual de apenas 0,1%.
Tadros afirma ainda que, a elevação do preço da moeda americana é uma consequência natural da política econômica nos quatro anos do governo Dilma Rousseff. Com isso, o mercado já previa o período das “vacas magras” pelo qual a economia brasileira passa atualmente. Essa percepção fez com que o comércio se preparasse para minimizar as perdas com a alta do dólar. Entre os fatores que contribuíram com o caos econômico, Tadros cita a redução da atividade econômica, aumento da inflação, redução do PIB, descrédito internacional, dívida interna crescente, gastos públicos excessivos, perda do estímulo e dinamismo por parte do empresariado interno, perda do poder de competitividade junto ao mercado internacional devido ao excessivo custo Brasil e gastos sociais excessivos do governo federal com intenções eleitorais.

“Quem acompanha o dia a dia da economia já sabia dos desastres que vinham se praticando na economia em praticamente todo o período Dilma. Por tudo isso nós já antevimos que essa situação iria desaguar no processo como esse. Sabíamos que, ao término das eleições, se eleita fosse, como de fato foi, a atual presidente teria que promover mudanças brutais que iriam travar o país, como aumento de combustíveis e energia. Todos esses fatores nos recomendavam cautela, pois sinalizavam que nós teríamos um problema sério ao final do ano”, avalia.
Mesmo com o cenário desfavorável, o presidente da Fecomércio espera que o comércio possa finalmente dar “uma respirada” neste fim do ano para poder se preparar para os ajustes econômicos do próximo governo. “Vamos ter que confiar nesse país. Tudo o que nós temos está aqui, portanto temos que confiar. Mas, decididamente, os governantes não podem brincar com a economia aos seus interesses políticos-eleitorais”, disse Tadros.

Novo recorde

Uma semana após ultrapassar R$ 2,60, a moeda norte-americana encosta em R$ 2,70. O dólar comercial encerrou a segunda-feira (15) vendido a R$ 2,685, com alta de R$ 0,034 (1,29%). O valor é o mais alto desde 29 de março de 2005, quando a cotação tinha fechado em R$ 2,702.
O dia foi marcado pela volatilidade no mercado financeiro. Durante toda a sessão, a moeda operou em alta, mas o movimento se intensificou por volta das 12h30. Na máxima do dia, por volta das 15h, a moeda chegou a atingir R$ 2,695. O dólar acumula alta de 4,42% em dezembro e de 13,9% no ano.

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