Do vaticínio às entrelinhas dos discursos prefeituráveis – (Parte 3)

Tem sido manifesto, é de ver, que os candidatos em curso se mostram à população de eleitores com notório otimismo em torno do que farão em prol da cidade, mas caso eleitos. Quer dizer, não só os prefeituráveis como igualmente também os vereaduráveis, segundo segue posto em suas pregações buscando votos. São todos efusivos mesmo, “cheios de nove horas”. São ou não são?

Então, fica combinado assim: estimaremos que esta eleição será a marcha da família com Deus pelo bem de Manaus. Mas, pera aí! Conjeturemos! Onde estiveram esses notáveis que se mantiveram omissos no questionar os responsáveis pelo zelo urbano, quando ainda não candidatos mas apenas cidadãos desde sempre compenetrados, decerto que sem remuneração oficial provinda de mandatos ora buscados?

Foi o desmando que no duro se deu, durante a vigência de ocorrências que atiraram a cidade à toda sorte de infortúnios gritantes e bem conhecidos, seja na esfera da recuperação das ruas, abertura de novos acessos, remoção adequada do lixo, atendimento à saúde pública, aplicação quanto ao ensino gratuito, trânsito conflituoso, violência nos bairros e o mais que hoje vociferam em seus discursos redentores garantindo que irão agir pra valer.

É o que nos dizem no horário político televisivo desta campanha eleitoral, presente a teatralização de semblantes emocionados. Sucede, a conhecida manobra de caras e bocas, que no conjunto mostra-se uma encenação, tem provocado em eleitores mais aborrecidos e apressados incontida desconfiança, a ponto de vociferarem desafios da ordem de “Pensa queu sô leso, é?” “Tá, agora conta outra…” “Vê se cola” Mas, aguardemos, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Bate na madeira! Seja o que Deus quiser!

De fato, têm afirmado os candidatos que basta serem eleitos e a coisa toda se resolverá. Mesmo a questão gravíssima da criminalidade, tipo a da violência em algumas regiões da cidade, aliás assunto citado no artigo anterior desta mesma estação de escritos semanais. Então, acreditemos e preparemo-nos para festejar a aspirada solução. Sim, e não escape de se anunciar ao Comando Vermelho mandante daqueles bairros, que pode contar pois o que é dele está guardado. Não perde por esperar! Tá pensando o quê?

Que bom, tudo azul! Seria então o presente que Manaus receberia por conta do seu aniversário de 351 aninhos. E não custa sonhar que nessa torrencial chuva de benesses inclua-se a recuperação de tantos prédios algo históricos, hoje quase arruinados, como carrancas fincadas por toda a cidade, conferindo um lamentável visual urbano qual agora visagens de ditosos idos.

Infortúnio que bem lembra a omissão do poder público, pelo menos ao se manteve alheio àquele prejuízo sofrido pela cidade, nem que fosse para intimar os proprietários relapsos quanto aos referidos visuais carcomidos dos seus prédios, obrigação estampada na Lei n° 673, de 04 de Novembro de 2002, que instituiu o Código de Obras e Edificações do Município de Manaus.

A propósito, subordinando o interesse particular ao interesse público, figura ali, no art.2º, verbis: “Este Código tem por objeto garantir condições adequadas de habitabilidade, principalmente no que se refere à segurança e a salubridade dos espaços construídos, através da definição de normas e procedimentos para a elaboração de projetos de licenciamento, execução, utilização e manutenção das obras e edificações, públicas ou privadas, em todo o território municipal.” Aquele digesto, em outros pontos, fala de obras de reconstituição de parte danificada ou inutilizada, além de reconstruções e demolições, com previsão de vistoria, presentes a hipótese de eventuais multas.

No próximo texto além de desenvolvermos o comentário já anunciado sobre a vocação regional, como pátria das águas e da floresta, cuidaremos também da mensagem de despedida do prefeito que sai, assim proclamando: “Meu sucessor terá a faca e o queijo na mão”, onde diremos que não é bem assim. (Continua).

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