Do vaticínio às entrelinhas dos discursos prefeituráveis – (Parte 2)

A bordo do texto imediatamente anterior (parte 1), discorreu-se sobre o que se apura de proveitoso nestes dias voltados para as entrelinhas das falas dos candidatos à Prefeitura de Manaus, bem entendido quanto aos que se mostram preparados intelectualmente. Ora deixemo-los às voltas com seus discursos, para mais adiante analisarmos o cumprimento das juras de agora, sendo certo o que noticiam as autoridades judiciárias eleitorais do desinteresse de eleitores por conta de promessas de campanha não cumpridas.

Assim, resta cuidarmos dos demais, que até nos divertem. Logo, como se sabe, a campanha resulta de exibições televisivas postas no mesmo horário das convencionais assistidas pelo público, daí o amplo alcançamento, ora aborrecendo, ora assustando, ou mesmo divertindo quando pândegas. Não?

Por vezes, aqueles manejos faciais e orais de cunho político escapam de se mostrar suspeitos, ao contrário das mensagens publicitárias de costume postas nas telinhas. Sucede, ora ocorreu ao articulista que, com o advento das redes sociais manejadas nos celulares, tornou-se ainda mais difícil identificar indícios de honestidade e sinceridade no moderno arranjo, visto que a consagrada estampa bloqueia uma das formas mais valiosas de criar confiança em alguém: os olhos! E o cultivo do vocabulário ilustrado, ali, só serve para ajudar na enganação, como bem se sabe. Confere?

Então, resta mesmo àqueles cívicos candidatos aproveitarem tal uso e se esforçarem para junto ao eleitor, com teatralidade mesmo – caras e bocas – colher credibilidade, tipo, quem sabe, o William Bonner, (é assim que se escreve?) se bem que mesmo este não é raro de se ver embaraçado no meio da notícia que está narrando a sorrir, estiloso, e de repente apurar em meio à fala, que o caso é de tragédia, desventura e não ventura como lhe parecia a princípio. Mas, aí, só ele mesmo é capaz de no instantinho mudar as pregas faciais de uma natureza para a outra. Já se viu, com certeza…  

Segue-se, não é novidade que o bom orador leva vantagem sobre os demais. Quando então é o caso de campanha eleitoral, sobretudo municipal, rural, às vezes, sucedendo que outras variantes, pitorescas até, se impõem a adequar-se com a cultura tradicional reinante, consagrando a simplicidade, o grotesco mesmo.  Casos em que, mais do que a mera expressão facial, segue-se a gesticulação, tal como consta do anedotário, que vem a ser uma passagem de um orador daqueles que denunciando o que lhe parecia uma desonesta vantagem que o candidato contrário pretendia atirar sobre o eleitorado, bradava “ele qué é botá isso na gente!” e batia a mão direita espalmada sobre a esquerda fechada em concha. E em seguida: “mais nós, óh, vamo dá isso pra ele”, agora com a mão esquerda socando a direita espalmada e o dedo médio ereto entre o indicador e o anular dobrados, ou seja, ali estava o festejado cotôco. Consta que o comício em peso vibrava…

Nesta altura, cabe lembrar o assunto da abordagem inicial desta série, a propósito dando-lhe título. Ou seja, vaticinou-se que os discursos prefeituráveis até mesmo nas entrelinhas prendiam-se a afazeres municipais muito ligados à faxina de sempre, o que se diz apesar do que possa conter de opinião crítica singela.

É que ali se cobrou atenção para a nossa potencialidade natural, como reposto a seguir, verbis: “ausência de consaberes que acaso se voltassem para os nossos ativos naturais, diga-se florestais, únicos e não apenas citadinos, tal como sempre vem se dando, à vista de outras experiências dessa ordem…” “Assim é que esta terra, pátria das águas e das florestas, e que é cosmopolita dado o ciclo da borracha, não poderá continuar se furtando ao seu destino universal”, ora se acrescente.

E em seguida, ali assegurou-se “nisso, não se tem só o proveito agrícola, industrial, turístico, climático, como também o esportivo, quanto a este que gera fama e tradicionalismo. Tratam-se de práticas que glorificam países, como natação, remo, regatas, tênis e tantos outros gêneros. Não, não se vai deixar de lado o futebol e a sua morada verde-amarela.”

Caberia citar variadas modalidades aquáticas inspiradas na vocação regional, sobretudo destacando-se o remo “que enriqueceu os dias juvenis deste articulista” (Continua).

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