Convém sujeitar-se com resignação às falas do Presidente, eis que logo em seguida –  não muito logo, de costume – os hermeneutas palacianos proclamarão o cabível significado dos dissabores, digo dos dizeres, como se deu no último episódio por conta da postura oficial a enfrentar a pandemia em curso, aqui não se repetindo o nome do vírus porque tá demais, já cansou, não?

Feitas as contas na cabeça presidencial, dizem que estilista e prática, quem sabe tipo “marcha, soldado cabeça de papel, se não marchar direito vai preso pro quartel, ou um dois, feijão com arroz; sentido!”. Mal menor seria retomar-se as atividades por inteiro, apenas zelando-se pelo bem-estar das pessoas em grau de risco, como os idosos que continuariam trancados em casa a salvo do vírus, sujeitos à prisão se saírem. Ou seja: “quero ver o vírus ter o atrevimento de invadir residências! Que procure os que estão nas ruas, cujo número de mortos será bem menor do que se perdurasse o confinamento total”. Eis que assim se supõe sejam os exaustivos cálculos e estimativas outras presidenciais em curso, já acompanhados por vozes outras, mediante acaloradas sustentações. Mas não é bom pensar nos algarismos…

Além do mais, não se vai querer o nome de um brasileiro na lista macabra dos matadores históricos, a saber: Mao Tsé Tung, 77.000.000; Stalin, 43.000.000; Hitler, 20.000.000; Kublai Kahn (Mongólia, em 1.215/1294), 19.000.000; Imperatriz Cixi (China, em 1835/1908), 12.000.000; Leopoldo Segundo (Bélgica, em 1835/1909) 10.000.000.     

Segue-se, nesse horizonte de eventos não se tem notícia do decidido, pelo menos até a data destas mal traçadas linhas. Mas aguardemos, com paciência. Se preferir, apele-se para o sobrenatural, tipo Ora pro nóbis; valei-nos Santa Etelvina; Salve-rainha, Mãe de misericórdia, esperança nossa. Mas o bom mesmo é fazer promessa para o santo padroeiro. Nisso, dizem que não tem nada melhor do que se recorrer a Santo Expedito, o das causas justas e urgentes, não fosse chamar-se expedito. E´ batata!

Ore-se a ele: “Socorrei-me nesta hora de aflição e desespero, interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, vós que sois um santo guerreiro, vós que sois o santo dos aflitos, vós que sois o santo dos desesperados”. Mas não se esqueça de passar numa igreja e lá deixar uma graninha. Ou, por outra, achegue-se a um catalizador de crenças da ordem de Oxossi, Ogum, Omulu, Naná, Ossaim, Oxumaré, e então gesticule-se figa, pé de pato, bangalô três vezes. Acenda-se velas vermelhas, é o que aconselham os versados. Como preferir. Mas é melhor mesmo não sair de casa, tal como este articulista…    

Ademais, acode ao pensar que as falas presidenciais no curso da nossa história hão de sempre estampar-se em sintonia com o preparo da figura de quem as profere, e aqui não se quer sustentar obviedades. É que se quer dizer, que mesmo depois de despir a faixa máxima o gajo mantem a mesma postura, ainda que em entrevistas, como se flagra tantas vezes. Quer ver? 

Sabe a última do Lula? Dias atrás, tendo conseguido encontrar-se com o Papa Francisco, por admirável gentileza deste, e não pele entrega de vultoso dízimo, como pregaram mentes maldosas, visto garantir o Google que o Vaticano tem em caixa 6 bilhões de dólares, entre outros ativos, não carecendo portanto de cobiçar os cofres do PT, em que pese certamente abarrotados de grana, dados os escândalos do… ora, deixa pra lá.  Dizia-se que o nosso festejado ex-presidente, revelara que tratara com Sua Santidade o tema de um mundo mais justo.

Assim disse que: “leu a exortação elaborada por Francisco e que concordou com o teor do texto”. Concordou! Olha só! Quanta solidariedade! Quando morrer, vai pro céu! E mais: “eu acho que a gente pode encontrar soluções para os problemas do mundo de forma mais fácil.” Lembra do “eu acho” do Lula? Quer mais? Tem mais. Próximo de se apresentar à Justiça Federal para depor, poderá dizer ao Juiz, agradecendo-lhe pelo adiamento concedido, que “estava bem ali no Vaticano, conversando com o Papa discutindo soluções sobre um mundo mais justo e fraterno”. Sabe, o Lula é fogo. Acabou levando o articulista a se desviar do assunto de fundo.

Voltemos. Divulgou-se o seguinte quadro, dado por notoriedades, que a atual quarentena intitulada horizontal (todos em casa), significaria a quebra da economia em 2 semanas, levando a desordens de todo o gênero, com a tomada das ruas e até a destituição do presidente. Por outra, a quarentena vertical (apenas as pessoas de risco ficariam em casa, seguindo as outras a vida normal), desfazendo-se então o nó econômico.

Logo, a curva da epidemia alcançaria achatamento natural e verdadeiro em menos de 30 dias, mantendo-se o presidente, preservando-se os empregos, a economia andando e a epidemia sob controle. Visto assim, supõe-se que tal aspirada medida administrativa bem se parece com a invenção da perseguida vacina, já que os atuais confinados sairiam à rua para uma vida normal. Sem riscos?

Mas, sabe mesmo o que mais? Neste samba do crioulo doido, o que se está mesmo é estimando o menor algarismo de mortos possível. Ou seja, um controle da mortalidade. As funerárias agradecem, ora se não…

*Bosco Jackmonth é advogado de empresas (OAB/AM 436). Contato: [email protected]

Fonte: Bosco Jackmonth

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email