Do complexo de vira-latas (Conclusão)

Ufa! Finalmente chega-se ao fim desta série de artigos, cujo título algo bizarro foi inspirado em incontida alegria, manifestada por Nelson Rodrigues, por conta da gloriosa vitória do futebol brasileiro ao arrebatar a Copa do Mundo de 1958. O relato, denso, constou do “texto 1” imediatamente anterior a esta estação de escritos semanais. 

E dali em diante foi só acúmulo de títulos, sem parar, um atrás do outro, daí porque se confirmou o dito do consagrado cronista ao sustentar efusivamente que acabara a nossa pecha de vira-latas, perante o Mundo. Permitiu-se a expressão escrita que elegeu a mais adequada, tomada mesmo num desabafo de incontido orgulho. 

Já o grito não escrito imagina-se que foi seguido por um gesto de braços estendidos e entrelaçados; a popular “banana”, mais os dedos indicador e anelar dobrados guarnecendo o dedo médio esticado, ou seja configurando o conhecido “taquipratí”, tudo numa rodada de bar da Lapa, cercado de inúmeros companheiros a cervejar, também efusivos, alguns levantando as mãos, sendo uma espalmada batendo na outra fechada em concha, num gesto para o mundo, como é bem de ver “vaiti”… Uma folia algo etílica verde amarela!

De fato, não era pra menos, sobretudo uma conquista alheia a laboratório, sem apoio oficial, apenas nata, provinda da nossa conhecida prática esportiva rudimentar, bastando à molecada um terreno baldio nos arredores do bairro. Pronto; uma escolinha de craques, no ensino fundamental, eis o desenho do sucesso do nosso futebol. 

Daí as nossas conquistas, com os jogadores dominados pela vontade de vencer, de não perder, mirando a vitória consagradora, por vezes parecendo apelar para divindades. Ou seja, a rigor, já no profissionalismo, ou quase isso, tomados por um visível estado emocional, obrigando-se alguns antes de pisar no gramado, por certo com o pé direito, quem sabe mesmo canhoto, benzendo-se com o sinal da cruz, enquanto outros levavam pendurado no pescoço medalhinha de algum santo de sua devoção, ou até algum patuá. Não se exagera se enxergarmos naqueles gestos, aliás ao que se sabe proveitosos, uma ocorrência Mantra.

Dito isso, ressalte-se o sucesso do futebol masculino mas Olímpiadas de Tóquio 2020, em que logramos o ouro! Irresistível não anotar estas conquistas a seguir:

Brasil penta campão mundial com os títulos de 1958; 1962; 1970; 1994; 2002. Tetra nas Copas das Confederações 1997; 2005; 2009; 2013. Octa nas Copas das Américas: 1919; 1922;1949; 1989; 1997; 1999; 2004; 2007.   

 Ainda quanto as últimas Olimpíadas, mercê da aplicação dos nossos atletas, já se disse mesmo carentes de apoio oficial, conseguimos 21 medalhas, sendo 7 de ouro, 6 de prata, 8 de bronze. Em 13 modalidades alcançamos a 12ª colocação. Já nos jogos do Rio de Janeiro, em 2016, tivemos 119 medalhas, ficando na 13ª posição.

Ao final, tivemos os campeões sem medalha, digamos assim dos nossos atletas que não alcançaram o pódio, mas tiveram extraordinário desempenho, enfrentando adversidades socioeconômicas, fazendo supor que outros seriam os resultados se não as tivessem. Foram, quem sabe, auto didatas. Entre tantos, citemos as figuras de Darlan Romani, no arremesso de peso; Lucas Verthein, no skiff simples; Ana Sátila, na canoagem; Hugo Calderaro, no tênis de mesa; e Marcus Almeida, no tiro com arco, todos com história de sacrifício pessoal. (Conclusão.) 

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