Após a outorga da constituição de 1988 o Brasil sofreu mudanças que jamais a sociedade brasileira irá esquecer, ou se recuperar, sei lá. Aquilo que deveria ser a oportunidade de criar um instrumento democrático e popular, com a adesão de uma maioria jamais conseguida na história deste controverso país, apostou alto demais em mudanças que a população não estava preparada para assumir.

E quando eu falo em população neste caso, não estou me referindo apenas aquela camada mais pobre ou menos educada à quem os radicais gostam de usar como escudo em suas bravatas. Estou me referindo também aos ditos intelectuais e altos pensadores da época, que resolveram se colocar como os defensores da nova identidade brasileira. Em primeiro lugar começaram errado quando se revestiram de uma hostilidade inútil contra tudo que pudesse, na cabeça deles, ter emanado do regime militar.

Neste caso não cabia o mérito e sim a origem sem direito à análise, como fizeram com as matérias OSPB e Educação Moral e Cívica, do atual ensino Médio, que pelo menos dava aos jovens um mínimo de conhecimento sobre as instituições do país. Mas na cabeça dos “politicamente corretos”, estas matérias teriam sido fruto dos militares e teriam que ser cortadas do currículo. Passou a haver então um verdadeiro festival de intervenções ideológicas em salas de aula de todos os níveis, com professores completamente despreparados politicamente, o que criou uma geração completamente despreparada e alienada politicamente.

A constituição foi prostituída por benfeitores de si mesmos, que geraram favorecimentos a uma CASTA DE SERVIDORES, que passou a viver em um plano completamente diferente do restante da população brasileira. Em termos de renda, de favores, estabilidade no emprego e até mesmo de benefícios que foram sendo incorporados a cada período, enquanto a maioria da população somente piorava em sua miséria de vida e sua visão deturpada da realidade.

Quando se fala em qualquer tipo de reforma, como aconteceu com a Previdência, parece que uma grande parcela da população se volta contra, mas, no entanto, a contrariedade é comandada por este pequeno grupo de privilegiados que não aceita perder seus “DIREITOS”. Batem no peito para dizer que são “Direitos Adquiridos” e utilizam como justificativa os Concursos, nem sempre honestos. E a máquina Estatal vai ficando cada vez mais inchada e pesando no bolso da maioria pobre da população, aquela que deveria ser a privilegiada, mas que, na verdade, acaba por ser a apunhalada.

Na ultima semana, em um programa de entrevistas, no alto de seus 92 anos de idade e com toda a experiência de sua vida, o ex-Ministro Delfim Neto ao comentar sobre o excesso de direitos sobre a Previdência Social brasileira, utilizou um termo excepcional: “SÃO DIREITOS MAL ADQUIRIDOS”, pois não foram estes os direitos previstos na Constituição. Ele citou com muita clareza e com muita excepcionalidade a NATA DOS SERVIDORES PÚBLICOS, que acabam por denegrir aqueles que realmente trabalham, são necessários e por vezes ganham menos do que merecem.

O Brasil precisa fazer uma reforma muito forte e muito séria, principalmente na maneira de pensar a democracia e o futuro do país. Quem tem de ganhar mais é quem trabalha mais e produz mais, justificando a MERITOCRACIA como forma de chegar ao sucesso. Não podemos mais fazer com que um grupo de aproveitadores se valham de brechas legais de uma Constituição mal elaborada, que permitiu esta bagunça de quase quarenta partidos em uma feira política, releguem nosso povo a um futuro mais longo ainda de negações.

Um país como o Brasil, com todos os vetores que tem, sem problemas de ordem natural, com matéria prima à vontade e tudo o que a natureza tão sobejamente nos proporcionou, continue sendo um dos últimos no Ranking do IDH ou do PISA. Precisamos de líderes de verdade, de um povo que pense como tal e principalmente de vergonha na cara para entender que ter direitos, é entender primeiro QUAIS SÃO ESTES DIREITOS!

*Origenes Martins Jr é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio

Fonte: Orígenes Martins

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