9 de maio de 2021

Dinheiro e banco digital em alta

Com um sistema bancário muito bem consolidado, mas caro, e uma população com pouca educação financeira, o Brasil, um dos maiores mercados consumidores do mundo, fomentou o ambiente propício para a evolução das fintechs.

Para exemplificar o cenário, segundo um estudo realizado pela Locomotiva –instituto de pesquisa e estratégia –1 em cada 3 brasileiros com mais de 16 anos não possui conta bancária. Isso significa um montante de cerca de 45 milhões de pessoas, que juntas movimentam mais de R$800 bilhões por ano.

Por fim, com o Brasil sendo um dos países com maior concentração bancária no mundo –cinco bancos são detentores de 85% dos ativos totais do segmento comercial –está feita a fórmula para que as fintechs ganhem cada vez mais espaço no cenário financeiro. E o apoio encontrado em políticas do BC (Banco Central) tornou isso realidade.

O que se destaca na evolução das fintechs é que essas startups proporcionam a modernização do setor financeiro, oferecendo produtos e serviços acessíveis a uma grande parcela da população, trazendo novas experiências com uma versatilidade surpreendente em um o setor bastante regulado e burocrático.

A evolução das fintechs 

Segundo dados do FinTech Report 2020, do DISTRITO, existem hoje 742 startups financeiras no Brasil: um aumento de 34% em relação a 2019.

Esse crescimento é uma consequência de diversos fatores, sendo os dois principais: lacunas em nichos do mercado e o boom da digitalização no país. Praticamente 100% das soluções fornecidas pelas fintechs são digitais, tornando o negócio totalmente escalável.

Ainda segundo dados report do DISTRITO, as 10 fintechs que mais se destacam no setor hoje, no Brasil, são:

  • Nubank;
  • Neon;
  • C6 Bank;
  • Pagseguro;
  • Stone;
  • Ebanx;
  • Picpay;
  • Weel;
  • Creditas;
  • Conta Azul.

Os critérios para a elaboração desta lista foram algoritmos de scoring que levam em conta número de funcionários e o seu crescimento no último ano, faturamento presumido via análise do CNPJ, investimento captado, acessos no site e métricas de redes sociais.

O case PicPay

Em 2012, o PicPay nasceu como uma carteira digital de soluções como pagamentos com QR Code em estabelecimentos comerciais e em lojas online. Além disso, a plataforma oferece a possibilidade de pagamentos de boletos, cartão múltiplo e rendimento a 210% do CDI para os valores disponíveis na conta.

Para Anderson Chamon, fundador e vice-presidente de Produtos e Tecnologia do PicPay, a pandemia teve um impacto direto na digitalização de serviços financeiros.

“A pandemia acelerou a digitalização dos meios de pagamentos no Brasil, o que contribuiu para a inclusão de uma parcela desbancarizada, e popularizou o uso de ferramentas digitais, aquecendo o setor. Com o PIX, nossa previsão de que o futuro do pagamento seria mobile e instantâneo se consolidou”, afirma.

Além da frente de serviços financeiros, o PicPay conta com o PicPay Store, Social e Ads. A ideia da plataforma é transformar as interações transacionais em conversacionais, em que o usuário possa falar com outras pessoas da rede e também com lojistas, podendo criar grupos de vaquinhas, bater papo e pagar no próprio chat.

“Esse aspecto de rede social também representa uma enorme oportunidade no mercado de mídia e trade marketing no país”, esclarece.

Ainda de acordo com Anderson Chamon, o PicPay iniciou recentemente o processo de abertura da plataforma, o que vai permitir que cada fornecedor interessado em integrar a PicPay Store possa desenvolver uma experiência customizada, proporcionando um crescimento rápido e estruturado.

Enfrentamento aos gigantes do setor?

Ao contrário do que muitos pensavam, as fintechs conseguiram se destacar no mercado e não foram “engolidas” pelos grandes bancos. Muito pelo contrário. Elas acabaram trabalhando em parceria com muitos desses sistemas tradicionais, e foram ganhando cada vez mais fôlego e espaço, até em decorrência da sua rapidez de adaptação.

“O PicPay é uma empresa nativa digital e cresceu de maneira acelerada impulsionada por esse posicionamento à frente do mercado. Hoje, está se consolidando como o super-app com o maior número de usuários do Brasil, com mais de 41 milhões de clientes cadastrados”, explica o fundador da plataforma.

Regulamentação do Open Banking

Atualmente, os dados de clientes pertencem exclusivamente às instituições financeiras. O Open Banking propõe que os usuários sejam donos de seus dados e o compartilhamento deles entre instituições financeiras seja universal.

Regulamentar o compartilhamento desses dados trará mais competitividade para o mercado. Sendo assim, instituições mais jovens, como as fintechs, poderão ter acesso a informações mais assertivas sobre os clientes que buscam os serviços que elas oferecem.

“O PicPay enxerga as últimas movimentações do mercado, como o Open Banking e PIX, como evoluções que tendem a aproximar o cidadão comum do mundo financeiro. Somos a favor de toda e qualquer iniciativa que beneficie o consumidor e simplifique sua vida”, afirma Anderson Chamon.

O BC já colocou a primeira fase do Open Banking para rodar, ao todo serão 4 etapas. Essas e outras ações, como o sistema de pagamento instantâneo PIX, têm criado condições para ampliar a concorrência em meio à grande concentração que sempre houve no Brasil e incentivar a inclusão financeira.

Por esse motivo, a Associação Brasileira de Fintechs estima que 700 novas fintechs nasçam com a consolidação dessas tecnologias, quase que dobrando o número atual.

Perspectivas para o futuro

A sustentabilidade do mercado dependerá diretamente da experiência proporcionada ao cliente. Os usuários querem ter mais controle sobre seus dados financeiros e acesso aos melhores benefícios disponíveis em termos de vantagens, promoções e descontos, o que abre espaço para inovações.

Como em qualquer segmento, a concorrência saudável vai contribuir para destacar os melhores players e profissionalizar o mercado.

Ainda segundo o FinTech Report 2020, do DISTRITO, mais de 200 rodadas de investimento injetaram US$ 2.4 bilhões em fintechs desde 2015 no Brasil. O destaque fica por conta do salto de 183% no crescimento de capital de investimento entre 2018 e 2019.

Em relação aos investimentos direcionados às startups, as fintechs foram as que mais receberam recursos em 2019, abocanhando 35,6% do capital disponível.

As fintechs mudaram o jogo, fazendo com que o mercado financeiro brasileiro entrasse em uma fase de modernização, o que é extremamente importante.

E, nesse contexto, o maior beneficiado é o consumidor. Afinal, o iminente Open Banking possibilitará cada vez mais acesso e empoderamento a respeito de seus próprios dados, obrigando tanto bancos tradicionais como fintechs, a prestar serviços cada vez mais democráticos, personalizados e flexíveis.

Foto/destaque:  Divulgação

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