10 de abril de 2021

Dimpe já está com 80% de sua área industrial ocupada

Para o gestor do distrito, Jorge Franco de Sá, a grande relevância do Dimpe é acolher empresas que desenvolvam produtos a partir de matéria-prima local

Com pouco mais de três meses em funcionamento, o 1º Dimpe (Distrito Industrial de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Amazonas) Ozias Monteiro Rodrigues já está com cerca de 80% de sua área locada por micro e pequenos empreendedores. Na construção da obra foram investidos cerca de R$ 14 milhões.
Para o gestor do distrito, Jorge Franco de Sá, a grande relevância do Dimpe é acolher empresas que desenvolvam produtos a partir de matéria-prima local. “Por exemplo, aqui temos empresas que desenvolvem fitofármacos que são exportados para outros países e que produzem violões e bandolins com material aqui da nossa região”, declarou.
A concepção do local é do governo do Estado, com a construção de 24 galpões para alocar micro e pequenas empresas e indústrias. Na primeira concorrência entraram quinze empresas. Na segunda, realizada no último mês, mais sete, que irão se instalar no complexo industrial nos próximos 60 dias. O Dimpe começou a funcionar em meados de dezembro e existem apenas dois galpões disponíveis para futuros empreendedores. Segundo Jorge Franco, apenas quando todas as empresas estiverem instaladas será possível fazer um balanço completo das operações da instituição.
Os segmentos das empresas instaladas no Dimpe são de madeira-móveis, fitofármacos e cosméticos. A previsão é de que, no futuro, elas possam gerar em torno de 300 empregos diretos. “Algumas empresas contrataram funcionários moradores das adjacências, dos bairros Campos Sales e Solimões, por meio da associação de moradores”, disse.
Segundo ele, as empresas deverão permanecer incubadas no distrito por um prazo de cinco anos, podendo ser prorrogado por igual período. Após esse período, outras empresas poderão vir a utilizar a infraestrutura oferecida pelo Dimpe. O galpão oferecido possui uma área de 450m² e custaria a cada empresa incubada um aluguel que varia entre R$ 2.000 a R$ 8.000. Mas as empresas alocadas no Dimpe pagam apenas uma taxa de concessão no valor de R$ 750.

Área prioriza questão ambiental

Dentro de uma concepção de respeito ao meio ambiente, foi instalada uma estação de tratamento de efluentes, por meio do qual todo o esgoto produzido pe­lo distrito é ­despejado limpo no córrego próximo as dependências do distrito. Na área, muitas árvores foram plantadas e as madeiras utilizadas por algumas empresas ali instaladas são de origem certificada.
Para fazer parte do Dimpe, as empresas participaram de uma concorrência, onde apresentaram um plano de trabalho para os próximos cinco anos, além dos investimentos a serem realizados, o número de funcionários a serem contratados, entre outros itens. A cada item foi atribuído uma pontuação. As empresas com maiores ‘notas’ foram selecionadas.

Pontos a melhorar

Na opinião do proprietário da B.K. Móveis, Bernardo Alecrim, para a consolidação do Dimpe, é necessário o incentivo tanto estrutural quanto financeiro para o funcionamento do polo moveleiro. Segundo ele, o galpão destinado à secagem de madeira não tem nenhuma infraestrutura para tal, ficando a cargo de cada empresa a realização desta operação. “A concepção do projeto não foi essa. Foi um estilo de condomínio onde a prestação de serviços seriam para todas as empresas ­instaladas no polo moveleiro” declarou.
A empresa De Alecrim investiu em torno de R$ 600 mil reais para transferir-se para o Dimpe, principalmente em instalações pneumáticas, elétricas, de máquinas e equipamentos. Hoje, a empresa trabalha com nove funcionários, produzindo móveis escolares que abastecem as secretarias municipais e estaduais de educação do Estado do Amazonas.

Gotas da Amazônia exporta produtos em meio a crise

Para a proprietário da Gotas da Amazônia, Veranil Luiz Coser, a oportunidade de compor o 1º Dimpe Ozias Monteiro é a chance de obter um lugar ao sol. A empresa, com dois anos e meio de funcionamento, produz cosméticos utilizando como matéria-prima, frutos da região amazônica como açaí, buriti, cupuaçu, entre outros.
De acordo com Coser, até o momento foram investidos em torno de R$ 80 mil reais, e a meta é que estes investimentos sejam maiores, pois a empresa está em fase de adaptação pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária). A empresa trabalha hoje com nove funcionários, e no futuro, poderão ser contratados mais seis pessoas.
A pesquisa para os para os produtos é advinda da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). “A meta da empresa não é ficar apenas no segmento de cosméticos, mas fornecer produtos diretos da floresta, como óleos essenciais e essências”, disse Coser.

Novos horizontes

Segundo Coser, a empresa mantém representantes da empresa nos Estados do Rio de Janeiro e Brasília. Segundo ele, há apenas sete meses a Gotas da Amazônia trabalha comercializando os produtos, que são hidratantes, esfoliantes, condicionadores, cremes e xampus.
“Hoje estamos timidamente tentando abrir novos horizontes”. A frase de Coser ilustra bem o momento pelo qual a Gotas da Amazônia está passando. A empresa iniciou a exportação dos produtos para a Itália, país extremante exigente quando o assunto é exportação. “Lá, o produto é examinado logo na chegada e se não estiver de acordo, ele volta. Quem vende pra Itália, vende para o resto do mundo”, declarou.
Com pouco capital de giro, a empresa negocia quantidades e valores pequenos, apenas a título de conhecimento do produto. “Geralmente, os produtos são comercializados de R$ 20 mil a R$ 25 mil”, disse. Segundo ele, já estão preparando a segunda remessa de produtos para a Itália. “Agora, vamos enviar três vezes mais do que enviamos anteriormente”, afirmou.
De acordo com Coser, toda exportação está condicionada a uma entrada de 50% por parte do importador. “Se houver um calote por parte de um importador, a nossa empresa quebra.” Segundo ele, esse problema foi determinante para o não-fechamento de contratos com importadores dos Estados Unidos. “Com a crise, os créditos por lá ficaram limitados e não tiveram como fazer o pagamento da entrada de 50%. Mas assim que houver condições eles voltarão a negociar”, disse.

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