Dilma promete diminuir MPs

A presidente Dilma Rousseff recebeu ontem no Palácio do Planalto a bancada do PT no Senado para uma reunião de “avaliação política”. Numa tentativa de estreitar laços com o Congresso, ela passou mais de três horas conversando com a base de seu partido naquela Casa.
Segundo senadores presentes, Dilma mais ouviu do que falou. Demonstrou preocupação com a análise de vetos pelo Congresso, no próximo dia 20, e prometeu diminuir o envio de medidas provisórias ao Legislativo. “Pedimos a ela que o Senado seja menos caixa de ressonância e mais porta-voz do governo. Porque, do jeito que estava, a gente se sentia muito inútil”, disse Jorge Viana (PT-AC) após a reunião.
Neste ano, é a primeira vez que a presidente recebe senadores petistas em bloco para uma audiência exclusiva. Inicialmente marcada para ontem, a reunião foi transferida para hoje de manhã, após um remanejamento de agendas no Palácio do Planalto.
Dilma passou realmente a receber parlamentares em bloco a partir de junho, a reboque das manifestações. Antes disso, recebia isoladamente um ou outro interlocutor, geralmente atrelado a alguma pauta importante para o Planalto que estivesse para ser votada no Congresso.
Na reunião de segunda-feira com líderes governistas da Câmara, os congressistas pediram a ela que usasse como interlocutores oficiais do governo seus líderes no Congresso, e não representantes isolados de bancada.
“A presidente coloca claramente uma disposição de intensificar [o diálogo] e disse: ‘Olha, tem um momento em que a gente tem que trabalhar a parte técnica, a parte da governança, e agora eu quero trabalhar cada vez mais a condição de ter um estreitamento, uma interlocução maior com prefeitos, governadores”, relatou o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI).
De acordo com o petista, Dilma afirmou que, com o novo regime de análise dos vetos presidenciais, “aumentam as responsabilidades do Executivo e do Legislativo”. “Nós temos o desafio agora de lidar com a nova política relacionada aos vetos. O novo ritual de tramitação. O que a presidente coloca: que aumenta a responsabilidade das duas partes. Do Executivo e do Legislativo. Um não pode ficar brincando de colocar um veto, no caso do Parlamento para dar satisfação a suas bases, coloca lá uma proposta, para depois a presidente chegar aqui e ter que vetar”, disse o líder do PT.
“Da mesma forma, a presidente se dispõe a ter um diálogo com o Congresso sobre projetos estratégicos porque também ela e seus ministros sabem que precisa ir para o Congresso Nacional e passar pelo entendimento do Congresso Nacional aquilo que é da necessidade do país, e dialogando sempre”, completou Dias.
A presidente também se prontificou a ir ao Congresso na semana que vem para receber o relatório CPI da Violência contra Mulher, cuja relatora é a senadora Ana Rita (PT-ES), também presente à reunião.
Os senadores também relataram que há uma percepção do Palácio do Planalto de “controle da inflação”. Dilma reforçou durante a conversa que o governo está “vivendo os resultados de um governo que passou por uma grave crise econômica” e que há, agora, margem para trabalhar com “estabilidade” -ao que os senadores responderam aliviados: “nos coloca com muito mais segurança para a defesa dos projetos do governo”.
“Saímos amando muito mais a presidente do que amávamos quando entramos”, disse Eduardo Suplicy (PT-SP).

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