Dilma descarta reforma ministerial

Presidente disse que saída de Cid Gomes foi pontual e negou novos ajustes em ministérios

Folhapress

A presidente Dilma Rousseff negou ontem que vá fazer uma reforma ministerial e afirmou que não usará um critério partidário para nomear o substituto de Cid Gomes na Educação. “Vocês [jornalistas] estão criando uma reforma que não existe. São alterações pontuais. Estou fazendo uma alteração pontual no Ministério da Educação. Não tenho perspectiva de alterar nada nem ninguém, mas as circunstâncias às vezes obrigam você a alterar, como foi o caso da Educação. Não tem reforma ministerial”, disse, após evento em que editou Medida Provisória que detalha as condições de renegociação de dívidas de clubes de futebol.
Segundo Dilma, o MEC não será “dado”. “O MEC não é dado para ninguém. Vou escolher uma pessoa boa para educação, não a pessoa desse, daquele ou de outro partido.” De acordo com ela, o nome será escolhido “o mais rápido possível”.
A presidente foi obrigada a aceitar a demissão de Cid Gomes, após audiência dele na Câmara, para evitar que o PMDB deixasse de apoiá-la e agravasse ainda mais a crise política com o Congresso.
Para Dilma, uma reforma não resolverá a crise política em que seu governo está imerso.
“Reforma ministerial é uma panaceia, ou seja, não resolve os problemas.” O que resolve os problemas, disse ela, são medidas como a MP editada por ela nesta terça, e diálogo com diferentes atores. “Precisa dessa capacidade de escutar os outros lados.”
Ao comentar sobre a MP do futebol, a presidente também afirmou sobre a atual situação do país: “O Brasil hoje tem todas as condições para superar esse momento e construir um caminho sustentável.”

Documento
Dilma negou que o documento recentemente produzido pelo ministro Thomas Traumann (Comunicação), que vê “caos políticos” e erros de comunicação na atual gestão, represente a visão do governo.
“Não é oficial, não foi discutido dentro do governo. Eu faço dentro do governo um processo de construção. Não é um texto oficial do governo.”
Questionada se o ministro será demitido, ela não respondeu.

‘Pela esquerda’
A saída de Cid Gomes do governo federal foi motivada por um “incidente político grave” e da falta de “condições políticas” que ele teria após embate em sessão da Câmara dos Deputados.
A avaliação é do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), que comentou nesta quinta-feira (19) a demissão do então titular da pasta da Educação.
“Acho que ninguém desejava que isso pudesse se transformar no episódio que tivemos, mas aconteceu. A política é assim. Tem que virar a página, tocar para frente a educação”, afirmou após receber prêmio da Fundação Conselho Espanha-Brasil.
Cid pediu demissão ontem, após fazer críticas de “oportunismo” à base aliada e afirmar que prefere ser chamado de “mal educado” a “acusado de achaque”, em referência ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Mercadante não quis comentar boatos sobre sua eventual saída da Casa Civil -e retorno ao Ministério da Educação. “Não comento. Tenho trabalho demais para me preocupar com essas coisas.”

PMDB
O ministro negou que a saída de Cid tenha sido resultado de pressão do PMDB, principal aliado do Planalto na Câmara. Mercadante reiterou que o pedido para sair do governo foi feito pelo próprio político e ponderou que Cid e Planalto não viam mais “condições políticas” de ele continuar no cargo após o episódio.
“Ele achava que não havia mais condições políticas porque a presença dele prejudicaria a relação do Congresso Nacional com o Ministério da Educação. Foi uma iniciativa dele e foi imediatamente aceita pela presidente porque, evidentemente, nós tínhamos o mesmo diagnóstico.”

Terceiro turno
Mercadante diz acreditar que, após as eleições presidenciais, o país vive um “clima de terceiro turno” e hoje, há cobrança por respostas num curto prazo de tempo.
“Discurso da campanha é um discurso para quatro anos. (…) A gente não pode ser cobrado em dois meses como se nós pudéssemos entregar em dois meses aquilo que nós queremos entregar em quatro anos”, afirmou nesta quinta-feira (19), um dia depois de o Planalto lançar pacote anticorrupção em resposta às manifestações do domingo.
Para ele, as medidas anunciadas são “novas” e vão “aprimorar a legislação” no combate à corrupção.
“Quanto mais você mostra corrupção, as pessoas acham que é um ônus. Mas como ela [presidente Dilma] disse, é uma senhora idosa, muito antiga, que sempre teve no setor privado, no setor público, e está sendo feito [combate] com toda coragem.”

Eleição polarizada
Mercadante lembrou as manifestações de 2013 e argumentou que, na ocasião, o governo soube “dialogar com as ruas”. “Desenhamos os cinco pactos, demos respostas e a presidente venceu a eleição”.
Ele criticou, no entanto, o clima polarizado que sucedeu a vitória de Dilma nas urnas. “Houve questionamento da urna eletrônica, houve um questionamento das contas eleitorais”, disse.

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