No Brasil, a despeito do discurso oficial justificar a distância e a invisibilidade social na tese da discriminação social, um instrumento surpreendentemente demolidor tem deitado por terra a fragilidade e inconsistência desses fundamentos que pregam a cantinela da democracia racial.

Importantes e atuais pesquisas isentas de organismos insuspeitáveis têm contribuído definitivamente para colocar por inteiro e confirmar à exaustão, o que sempre se soube informalmente: no Brasil, o segundo maior contingente de negros do mundo, a discriminação racial atinge níveis estratosféricos.

O IBGE aponta que os negros compõem 45% da população brasileira. Nos estudos do PNUD/ONU, consi­derando o Índice de Desenvolvimento Humano, o Brasil, tomando-se como referên­cia os negros ocupariam a 105º posição no ranking entre países. Considerado somente os brancos, ocuparia a 44º, isto é, 61 posições de di­ferença. O IPEA noticia que nos últimos dez anos – oito de social demo­cracia – a distância social do negro em relação aos brancos aumentou. Entre os 10% mais pobres do país, 65% são negros; entre os 10% mais ricos, 86% são brancos. O Dieese comunica que para trabalho igual, com a mesma qualificação e anos de estudo o negro recebe até 50% menos que os trabalhadores brancos e a mulher negra até a metade do salário do homem negro.

O Instituto Ethos informa que nas 500 maiores empresas do país que praticam responsabilidade social, os negros representam apenas 3,5% dos cargos de direção, o que não é diferente nas empresas estatais e nas multinacionais. Aliás, e por incrível que possa parecer muitas delas atuando em país miscigenado, não desenvolvendo qualquer ação da valorização da diversidade racial e não possuindo um funcionário negro sequer nos cargos de direção ou chefia, ainda assim, são detentoras de certificações internacionais por práticas de ações de sustentabilidade sócio-ambiental.

Em rápida e superficial imersão vi­sual na comunicação social, concessões públicas que devem cumprir o fundamento constitucional da pluralidade, na propaganda oficial custeada por recursos dos contribuintes – negros também – e na propaganda comercial para comunicar e vender produtos e serviços para consumidores – negros também -, estes praticamente inexistem.

Nos aportes milionários dos fundos de pensões das estatais que abrigam a contribuição dos funcionários – negros também -, nas renúncias fiscais caracte­rizadas pelas leis de incentivo à cultura, cinema, teatro, esportes e pesquisas ou de fomentos setoriais e às pesquisas, – contribuição financeira do negro também -, e nas licitações e compras governamentais, não existe uma recomendação que seja, no sentido de ser considerado nosso orgulho nacional da rica, valiosa, criativa, única e bonita miscigenação, garantindo sobremaneira atenção à diversidade racial e a efetiva participação dos negros brasileiros na sua realização.
Ao final, no maior estado e município da federação, São Paulo, que agrega o maior contingente de negros do país, 30% de sua população – eleitores também – não existe sequer um negro no primeiro e segundo escalão de gover­no. Não existe um desembargador negro entre os quase 400. Não existe um procurador de justiça, um delegado classe especial, ou, um coronel da PM negro. Na USP (Universidade de São Paulo), a maior da América Latina – cus­teada com os impostos pagos por negros também -, são 2% os alunos negros e, dos 5.400 professores, apenas quatro são negros.

Assim, como realizar os fundamentos da cidadania e dignidade da pessoa humana e construir uma sociedade livre, justa, solidária e que promova o bem de todos sem preconceito de raça e cor sobre esses pilares com pés de barro?

Como alcançar os desígnios da paz, tranqüilidade, coesão e progresso social numa nação cindida e que joga na lata do lixo metade dos seus cérebros e talentos e, onde o gozo e usufruto dos bens, riquezas e oportunidades são disponibilizados apenas à parcela dos fi­lhos da pátria?
Como se pode v

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