Em diversas discussões acadêmicas, os papéis do educador e do aluno tem sido vistos e revistos quase sempre na expectativa da criação de novas abordagens que possam favorecer o processo de ensino-aprendizagem.

Profissionais ligados à educação preo­cupam-se com as DAMs (Dificuldades de Aprendizagem da Matemática), não só pela grande incidência de insucessos experimentados pelos indivíduos em manejar conteú­dos desta área, como também pela necessidade de conhecimentos de aspectos específicos da matemática requeridos por uma sociedade cada vez mais “tecnológica”.
Além disso, indivíduos que procu­ram um trabalho psicopedagógico, por apresentar rupturas na aprendizagem da matemática, em geral trazem relatos impregnados de medo, angústia e sentimento de incompetência ge­rada pela sucessão de fracassos co­lecionados nessa área, algumas vezes­ desaguando numa rejeição a tudo que se relacione com ela.
Tem-se observado uma intensifi­cação das discussões acadêmicas, on­de os papéis do educador e do aluno são vistos e revistos quase sempre na expectativa da criação de novas abordagens que possam favorecer o processo de ensino-aprendizagem.
De um lado há aqueles que advogam que as dificuldades em matemática decorrem de inabilidades cognitivas ou fatores emocionais, opostamente, há aqueles que culpam o sistema de ensino, questionando a instituição e a capacitação do professor. Este, frequentemente bom­bardeado por teorias educacionais, para as quais nem sempre é preparado convenientemente.
É certo, no entanto, que essa dificuldade se refere ao desenvolvimento das habilidades relacionadas com a matemática, as quais incluem as habilidades linguísticas, perceptuais e de atenção. Decorre de falhas na representação dos fatos numéricos, na execução dos procedimentos aritméticos e respectiva representação viso-espacial, na impossibilidade de realizar cálculos mentais, de reconhecer a relação entre os diversos conceitos e utilizá-los na exploração e na resolução de situações-problemas.
Geralmente, as consequências da DAM são diversas, afetando áreas como a atenção, inconsistência, linguagem, organização espacial e orientação temporal. Além de memória, ha­bilidades grafomotoras, habilidades sociais e auto-estima.
Evidentemente, essas descrições não refletem toda a complexidade apresentada por uma DAM, e por isso não se deve tirar qualquer conclusão precipitada antes da avaliação de um profissional.
Ao se trabalhar com indivíduos que apresentam DAM, há necessidade de ter em mente as seguintes questões: Como fomentar o interesse em conteúdos sem significado aparente e imediato? O que fazer para que o indivíduo participe da construção dos conceitos matemáticos de modo a usá-los, eficazmente, como ferramenta para resolver problemas e ainda ser capaz de transferi-los para novas situações?
Tais questionamentos devem estimular os educadores a se tornarem co-responsáveis pelo desenvolvimen­to das habilidades matemáticas. E, principalmente, atentar para que o indivíduo com DAM seja encaminhado a um trabalho cujas intervenções tanto capitalizem suas idéias intuitivas e seus recursos de linguagem, como encorajem a exploração das noções já adquiridas dos conteúdos incorporados a contextos que sejam significativos.
Finalmente, não se deve deixar de consignar que as atividades propostas para um trabalho visando aprender a compreender a matemática sejam capazes de estimular o indivíduo a interagir com diferentes idéias matemáticas, quer falando, quer escrevendo ou mesmo representando, e, principalmente, legitimando seu saber de modo a experimentar uma aprendizagem significativa que favoreça não só o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático, mas também permita-lhe uma articulação com todo o espectro de suas competências.

QUÉZIA BOMBONATTO é fonoaudióloga,­ psicopedagoga, terapeuta familiar e presidente nacional da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia).

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