‘Dificuldade não é construir, mas manter’, diz Conceição Sampaio

Candidata a vice-prefeita de Manaus pela chapa PSDB/PL, Conceição Sampaio é uma veterana na política parlamentar, onde labutou por 16 anos, mas avalia que sua experiência de um ano e cinco meses à frente da Semasc (Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania) a gabarita também para voos mais altos no Executivo municipal. Paraense com longa carreira também na comunicação local, antes de comandar a secretaria, ela já havia sido vereadora pela capital amazonense (2005 a 2006), deputada estadual em duas legislaturas (2007/2010 e 2011/2014), e deputada federal (2015/2019) – quando trocou o PP pelo atual PSDB. Na conversa com o Jornal do Commercio, a política fala de suas propostas nas áreas de saúde, educação e especialmente nas políticas sociais, onde aponta a necessidade de maior reforço. Mas, não deixa de enfatizar a necessidade de ajustar os programas ao imperativo do equilíbrio de caixa. A experiência e a continuidade das políticas que estão dando certo na gestão do atual prefeito Arthur Neto são as palavras de ordem de Conceição Sampaio. Ela enfatiza que sua chapa é encabeçada pelo ex-ministro, ex-prefeito Alfredo Nascimento (PL), que também já teve passagens pelo governo do Estado e pela Suframa. No entendimento da comunicadora, o caminho político é um aperfeiçoamento e o eleitor já não se conforma mais com promessas, exigindo também que apontem o caminho para sua realização: “Hoje, a gestão pública precisa de experiência. Não dá para brincar”. Leia, a seguir, a entrevista exclusiva.

Jornal do Commercio – A senhora percebeu diferença entre esta eleição majoritária e as proporcionais das quais participou antes?

Conceição Sampaio – Há uma diferença muito grande. No parlamento, cuidamos do gabinete e fazemos leis. Precisamos entender bem a sociedade e o que fazer para normatizar regras para ela. Já o Executivo tem a caneta na mão e a possibilidade de fazer. Como tenho a experiência do parlamento, sei onde vamos precisar atuar um pouco mais. Começamos a campanha no dia 27, mas já temos esse diálogo. No Legislativo, você é o representante da população; no Executivo, estamos construindo, juntos, uma gestão, dando continuidade à boa gestão do Arthur Neto, mas dando a ela nossa cara para a cidade. 

JC – O que a senhora e o candidato Alfredo Nascimento pretendem propor a mais em relação ao que já está sendo executado pela atual gestão municipal?

CS – Temos muitos pontos importantes, mas começarei pelo que entendo ser essencial: emprego. Estamos em uma pandemia e as pessoas precisam ter a certeza de que poderão contar com um grande programa de geração de renda. Hoje, depois do PIM, a prefeitura é quem mais emprega. Se formos analisar todos os municípios brasileiros, Manaus é o segundo maior investidor em obras, mesmo na pandemia. Isso demonstra a eficiência fiscal implementada pelo prefeito. Outra coisa que quero destacar é educação. Quando assumiu a prefeitura, Arthur já recebeu uma dívida de mais de R$ 300 milhões. Mesmo assim, nos últimos oito anos, fez todos os aportes necessários, porque educação não é gasto, mas investimento. Estávamos na 23ª posição do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] e já estamos na nona posição entre as capitais. Certamente, se não fosse a pandemia, estaríamos muito melhor. Mas, vamos colocar Manaus em primeiro lugar. Temos professores preparados e condições de construir a educação com as comunidades. Vamos dar fardamento e investir na tecnologia, que precisa fazer parte da vida de nossos alunos.

JC – E quanto à saúde, que é sempre um dos temas priorizados pelos cidadãos nas pesquisas, e que se tornou uma área mais sensível no período de pandemia? 

CS – Temos 64% da atenção básica já garantida em Manaus. Nossa ideia é chegarmos a 80%. Essa atenção básica garante às UBS [Unidades Básicas de Saúde] mais qualidade e algo que toda Manaus já conheceu: o Saúde da Família. Quando foi prefeito, Alfredo foi a Cuba, levando alguns médicos e conheceu o programa de perto. Ele trouxe essa experiência para Manaus e Arthur Neto, que na época era senador, levou Alfredo até o então ministro da Saúde, José Serra, e ali começou o trabalho do programa. É um ponto em que devemos avançar, assim como a própria assistência. Como secretária da Semasc, sei da importância do social, das cozinhas comunitárias, dos Cras [Centro de Referência de Assistência Social], dos Creas [Centros de Referência Especializados de Assistência Social] e todo o trabalho realizado por assistentes sociais e psicólogos no dia a dia. Agora tivemos o lançamento do Saica [Serviço de Acolhimento Institucional de Crianças e Adolescente]. São pessoas que não precisavam de uma casa, mas de um lar. Então, daremos continuidade a muitos dos avanços atuais.

JC – Qual o diferencial que uma mulher pode trazer em políticas sociais voltadas a esse público? O que a senhora pode adiantar como propostas de governo?

CS – Temos muitos trabalhos a serem feitos. Creche, por exemplo. Sabemos que 40% dos lares do Amazonas têm mulheres como provedoras. Quando elas saem dos trabalhos, como ficam essas crianças? Já tivemos avanços, pois oito anos atrás tínhamos apenas uma creche em Manaus e o atual prefeito fez mais 21. Mas, isso ainda não é suficiente para a demanda. A dificuldade não é construir, mas manter. Já comecei a fazer uma grande articulação em Brasília, porque hoje o município entra com a grande parcela do custo de manutenção das creches e a União, com uma pequena parte. Estamos lutando e não tenho dúvida de que o presidente vai atender esse apelo das famílias brasileiras, para o governo federal assumir a parte maior. Vamos resolver não só o problema de Manaus, mas também os das crianças de nosso país. Como ex-deputada federal tenho boas relações, sei onde devo procurar e já comecei a fazer. Semana passada, participei de uma videoconferência com a Fundação Marília Cecília e o PSDB e uma das pesquisadoras trouxe o compromisso de discutirmos essa alteração no repasse dentro do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica]. Aí, sim, poderemos ter muitas creches.  

JC – Já se começou a falar há muito tempo sobre cidade inteligente, com uso de tecnologia de informação e comunicação para otimizar a eficiência das operações e serviços. Quais as propostas de sua chapa para fazer disso uma realidade em Manaus? 

CS – No começo de seu segundo mandato, o prefeito começou a acompanhar, na palma de sua mão, com a chegada do Instituto Áquila. A pandemia nos ensinou que temos que usar a tecnologia para avançar e transformar a vida em todos os aspectos. Temos o Centro de Cooperação da Cidade, que será entregue em outubro, e a visão do atual prefeito vai nos possibilitar que tenhamos os serviços públicos muito mais eficientes. Vamos poder, em um único local, olhar onde a cidade tem problemas, e como poderemos avançar, gastando menos. Já está em nosso plano municipal o primeiro centro de pesquisa e tecnologia, que será o que tanto lutamos pelo CBA [Centro de Biotecnologia da Amazônia], com as informações para podermos dar melhor andamento à saúde, educação, etc.

JC – Na secretaria, a senhora teve a oportunidade de lidar com limitações orçamentárias. Qual a experiência que a senhora tira dessas situações para colocar em prática em sua eventual gestão?

CS – A gente não pode falar de um país desenvolvido, se não olhar para suas políticas sociais. Você faz o social na educação, na mobilidade urbana, quando emprega alguém. Em um ano e cinco meses, vi problemas e construí soluções, ao lado do prefeito. O conhecimento que adquiri me possibilita colocar no orçamento o que é prioritário. O social é prioritário e vamos aumentar muito mais seu orçamento. O ex-prefeito Alfredo Nascimento traz isso como característica de seu trabalho na gestão municipal. Algo que entendo e farei como vice-prefeita é aumentar o número de Cras para que todas as áreas de Manaus sejam atendidas. Hoje, temos 20 e a necessidade nos leva a pensar em mais 20. A mesma coisa acontece no Creas: temos cinco e também precisaria ser dobrado, ou até triplicado. Mas, a responsabilidade fiscal é que vai nos apontar o que será possível.

JC – O ex-prefeito Alfredo Nascimento tem história marcante na mobilidade urbana. Há o projeto do Expresso – que não deu certo –, mas também o fato dele ter conseguido que as empresas colocassem ônibus com ar condicionado, durante sua gestão. Qual é a proposta da chapa? 

CS – O transporte coletivo de Manaus não é o que a população merece receber, a gente sabe disso. O prefeito faz questão de reconhecer que, embora tenha avançado em muitas áreas, infelizmente não conseguirá todas as medidas necessárias para melhorar o serviço. Tivemos a chegada de novos ônibus. Ainda não é o número suficiente, mas é um passo importante. Alfredo e eu sabemos o desafio que teremos. Precisamos garantir que as pessoas saiam de casa, tenham ônibus na hora certa e com qualidade, sem por suas vidas em risco. É importante salientar que os ônibus daquela época tinham ar condicionado e até TV, mas quem assumiu depois não deu prosseguimento ao projeto. É por isso que queremos dar continuidade à atual gestão. É muito comum no Brasil o político não fazer isso, mesmo que se tratem de boas ações de um gestor passado. Querem marcar nome, mas isso deve ser feito com trabalho e a responsabilidade de seguir com o que deu certo. A mobilidade urbana já está sendo tratada por nós e é um dos itens principais de nosso plano de governo, com a transformação do transporte coletivo de Manaus.

JC – Alfredo Nascimento já teve uma boa experiência com a criação da Fada (Fundação de Apoio às Instituições de Proteção à Pessoa com Deficiência). Há planos para continuidade deste trabalho e outros na inclusão social?

CS – Fazer políticas públicas exige experiência e gostar de pessoas. Tudo aquilo que ficou lá atrás como legado, vamos trazer de volta. Mas, dentro da modernidade, usando mais tecnologia para dar melhor qualidade ao portador de deficiência. A prefeitura tem muitos trabalhos importantes, inclusive com crianças com autismo, mas ainda não é suficiente. Precisamos ampliar. Arthur deixou o alicerce pronto para que o futuro prefeito possa dar continuidade e fazer todo o trabalho de execução. A proposta é ter inclusão para todos e todas com centros de atendimento com fisioterapeuta em todas as zonas de Manaus.

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