Diálogo entre o doutor Fritz e Hipócrates

Mais uma gloriosa manhã nos píncaros celestiais. A abóbada celeste conjugava múltiplas cores, num espetáculo que enchia os olhos de todos os querubins. Na esquina da av. Arcanjo Rafael com a Travessa Anjo Miguel, uma conversa insólita principiava, reunindo duas figuras muito conhecidas não só no firmamento, mas também pelas bandas de cá:

– Diga lá velho Hipócrates, há quanto tempo não nos vemos.
– É verdade meu caro Fritz, tenho estado bastante ocupado atualizando meu tratado “Ares, Águas e Lugares”, que aborda a influência das condições ecológicas sobre os seres humanos sob os aspectos material e espiritual. Com essa onda de ecologia que só tem crescido é garantia de muitos leitores e algumas matérias no Fantástico.

– E aquela rusga com o Avicena?
– Esse turco, nunca vai tirar de mim o título de “pai da medicina”. Tanto trabalho para firmar as bases da escola de Cós, onde nasci. Não há como negar que minha nativa Tessália na Grécia e meus estudos sobre os quatro humores corporais sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra marcaram indelevelmente sua importância histórica para a consolidação da medicina hodierna. Não adianta nada que esses franceses coloquem o rosto desse persa na Faculdade de Medicina de Paris.

– Entendo meu velho, esses biógrafos e historiadores tendem a fazer confusão, veja meu caso pessoal, apesar dos meus evidentes serviços prestados a medicina terrestre, ninguém consegue estabelecer minhas origens cárneas formalmente. Uns dizem que minha família mudou da Alemanha para Polônia e depois me posicionam na Estônia. Minha vida é um livro aberto, nunca neguei minha atuação na Primeira Guerra Mundial e como isso foi decisivo para minhas atividades caritativas.

– Perdoe-me Adolf ( Adolf Fritz) creio que a confusão decorre fundamentalmente dessa sua mania de encarnar e desencarnar em diversos indivíduos. Ao que parece todas as vezes que esses médiuns como o José Arigó, Edson Queiroz, Rubens Farias Júnior entre outros que lhe auxiliaram, operavam, tratavam logo de flertar com a mídia, realizando operações sensacionalistas. O pior é que todos tiveram uma passagem trágica.

– Ora, ora, Hipócrates você sabe muito bem que essa passagem tem muito a ver com o comportamento dos irmãos no plano físico, ademais essa opção pela medicina espiritual é uma amostra que certos médicos tradicionais não estão correspondendo. Veja lá quantos escândalos envolvendo os profissionais de branco, são mostrados diariamente nos periódicos da terra. São esquartejamentos de pacientes, massacres com metralhadoras em salas de cinema, afogamentos de calouros de Medicina. Até o Jack “o estripador” usava o estetoscópio e o bisturi antes de enlouquecer WhiteChapel.

– Alto lá Adolf, meus esforços não foram em vão. Quando dissociei a medicina da superstição, quis afastar essa imbecilidade da doença sagrada, causada na visão primitiva pela invasão de espíritos no corpo do paciente, pelos rituais de exorcismo que só pioram a situação em certas patologias.

– Eu sei bem o que é ser médico Hipócrates. Nossa profissão já contou na Idade Média com cirurgiões-barbeiros, boticários e praticantes sem licença que usavam e abusavam das sanguessugas e outros métodos peculiares de tratar os pacientes.

– Eu revolucionei esse saber da Medicina, que você ameaça Fritz. Apresentei pela primeira vez, estudos relativos aos estados que denominei eucrasia como doença e dor discrasia. Estabeleci as bases do juramento que guia todo profissional da saúde.

– Eu sei. Eu sei. Eu próprio efetuei esse juramento e me pautei por ele quando morava na terra. O problema é que o consumismo, o mercantilismo agressivo mudou muito os homens. Alguns médicos não enxergam mais a saúde ou cura como objetivo de suas vidas. Vários cirurgiões operam por operar, mesmo sabendo que isso não trará qualquer benefício ao paciente. Veja o exemplo do Brasil, essas constantes greves já levaram à morte inúmeras pessoas por falta de atendimento médico.

– Brasil? Você ainda c

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