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Dia dos Namorados: projeção de alta na quarta data mais importante do comércio em Manaus

O varejo da capital amazonense projeta uma alta de 2,1% nas vendas do Dia dos Namorados deste ano. A receita bruta aguardada é de R$ 63 milhões, para um ticket médio de aproximadamente R$ 150. É o que revelam os dados da pesquisa da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus). O percentual de crescimento aguardado ficou pouco abaixo do registrado pela mesma data comemorativa em 2023 (+2,5%), e também perde para a inflação acumulada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), nos 12 meses encerrados em abril (+3,69%). 

A média de gastos por presente cresceu de R$ 130 para R$ 150, em um panorama de oscilações na inflação e no câmbio, e perda de velocidade no ritmo de redução dos juros pelo Copom. A sondagem mostra que a quantidade de consumidores de Manaus dispostos a comprar se manteve elevada e subiu um pouco frente a 2023, de 87% para 89%. É um percentual próximo ao mostrado na pesquisa do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), que apontou 90% de intenções de consumo. 

Em sintonia com as dificuldades de reduzir o endividamento e a inadimplência das famílias, a lista de compras ainda tem predomínio de bens não duráveis ou semiduráveis de menor valor agregado, como perfumaria e vestuário. Mais da metade dos entrevistados (63%) espera gastar até R$ 200 na compra, mas uma quantidade maior do que a do ano passado se diz disposta a ir além dessa margem. A prioridade é pelos meios de pagamento à vista (66%) e pelos shoppings (38%). O preço (17%) é o principal fator que leva à escolha do local de compras, assim como a qualidade do produto (16%). 

Motivos e gastos

Entre os 87% de consumidores da cidade que já manifestaram interesse em comprar no Dia das Mães, a faixa de gastos predominante é a que vai de R$ 101 a R$ 200 (43%). Na sequência, estão aqueles que pretendem dispender até R$ 100 (20%), entre R$ 201 e R$ 500 (20%), de R$ 501 a R$ 1.000 (6%), e acima dessa faixa (2%). Em torno de 9% ainda se dizem indecisos. A CDL-Manaus não indagou aos entrevistados quais as justificativas apontadas para o consumidor comprar presentes ou não, neste ano. 

A lista de compras é mais pulverizada do que a do ano passado, com destaque para os já tradicionais segmentos de perfumaria (15%), vestuário (12%), calçados (11%). Uma parcela crescente dos consumidores tende opta por almoço/jantar (14%). Chocolates (10%), assim como joias e relógios (8%), estão bem cotados. “Outros” itens não revelados (5%), buquês de flores (4%), smartphones (4%), produtos de beleza (4%), artigos esportivos (3%), eletroeletrônicos (3%), livros (3%), bolsas/acessórios (2%) e lingerie (1%) são minoritários. A CDL-Manaus informa que os percentuais somam mais de 100% porque os entrevistados puderam escolher mais de uma opção.

A lista de desejos dos/das presenteados/as tem os mesmos itens em destaque, embora apareça com cotações maiores para joias/relógios (10%), produtos de beleza (7%) e bolsas (6%), além de incluir cestas (4%). De acordo com o levantamento, os/as homenageados/as deste ano são principalmente namorados e namorados (48%), ou esposos e esposas (31%). A lista se completa com “outros” (9%), noivos e noivas (7%) e “ficantes” (5%). A 

Pagamentos e locais

Em linha com a contenção da renda disponível pelo endividamento e a inadimplência das famílias, o consumidor de Manaus sinaliza mais uma vez querer fugir do crédito, já que Pix (31%), cartão de débito (18%) e dinheiro (17%) somam a maioria dos votos. Mas, a proporção de clientes dispostos a pagar parcelado no cartão de crédito (25%) ainda é significativa. As opções de parcela única no cartão de crédito (5%), assim como parcelamentos pela loja (1%) e crediários da loja (1%) são bem menos cogitadas. 

Assim como ocorrido nas pesquisas mais recentes da CDL-Manaus e do Ifpeam, mais da metade dos entrevistados (55%) confirma predileção por shoppings centers como locais de compra. O comércio do Centro de Manaus é a escolha de 15% – menos que os 25% do ano passado. Já é superado pela parcela de consumidores da capital amazonense disposta a comprar por internet e mídias sociais (17%), assim como já ocorria com as fatias de clientes do comércio presencial das lojas de bairro (9%) e, principalmente, dos supermercados (4%).

O preço (17%) ainda é o fator que mais influencia os entrevistados na escolha do local de compras, sendo acompanhado de perto pelas promoções (12%). O consumidor, no entanto, reforça como critério de desempate a qualidade dos produtos (16%), ao passo que a variedade (13%) também vem ganhando força nas preferências. Atendimento (12%), localização (8%), facilidade de pagamento (6%), comodidade (5%), estacionamento (5%) e “outros” fatores (6%) também são levados em conta. A entidade salienta que os entrevistados também puderam escolher mais de uma opção nesse quesito.

“Aquecimento nas vendas”

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, lembra à reportagem do Jornal do Commercio que o Dia dos Namorados é a quarta data sazonal mais importante para o varejo. De acordo com o dirigente, as perspectivas são positivas, em face da reação relativamente antecipada do consumidor – que tradicionalmente deixa tudo para a última hora.

“Existe sempre uma expectativa grande com esse incremento de venda e essa receita bruta de R$ 63 milhões para o período. Já estamos com um aquecimento nas vendas, que devem chegar ao ápice neste final de semana. Inclusive, vários restaurantes já não têm mais vagas disponíveis para reservas, mesmo a data caindo em uma quarta feira, bem no meio de semana, e considerado um dia fraco para os restaurantes”, afiançou.

O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, disse à reportagem que a primazia dos shoppings sobre o Centro histórico como pontos de compras se dá menos pelos méritos daqueles, e mais pelos entreves enfrentados por este, que é ponto mais antigo e tradicional do varejo manauara. “Os shoppings estão levando vantagem porque estamos com um problema muito sério no Centro. Lamentavelmente. Não é só de segurança, porque você chega lá e tem um buraco, ou um monte de tendas puxadas, ou gente se arrastando. E os lojistas ficam com medo, pois dependendo do lugar tem gente com droga. Mas esse é um problema que ainda dá para resolver”, arrematou.

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa

O levantamento da CDL-Manaus foi realizado via Google Formulários e aplicada através de aplicativo de mensagens instantâneas, e entrevistas pessoais, entre 20 e 29 de maio. No total, foram ouvidas 2.143 pessoas, entre mulheres (58%) e homens (42%), divididos entre as faixas etárias de 25 a 29 anos (27%), entre 18 e 24 anos (25%), de 30 a 39 anos (23%), entre 40 e 49 anos (21%), e 50 anos ou mais (4%). A maior parcela de consumidores ouvidos está nas zonas Norte (25%), mas também há residentes nas zonas Oeste (19%), Leste (17%), Centro-Oeste (16%), Centro-Sul (14%) e Sul (9%).

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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