Devolução de veículos afeta locadoras de carros na capital

O volume de aluguel de carros para motoristas de aplicativos, visto como uma opção vantajosa por locadoras, parece ter minado após a crise de coronavírus. O efeito da pandemia elevou o número de devoluções de carros em até 40%. 

O impacto sentido pelas locadoras é real. Segundo o proprietário de uma locadora, que prefere não se identificar, os prejuízos são consideráveis. Em menos de uma semana, foram devolvidos três carros. Ele estima amargar perdas em torno de 20% a 40%. 

Há quase dois meses, o número de corridas por meio de aplicativos desacelerou. De acordo com a Associação dos Motoristas de Aplicativos do Amazonas, após os decretos obrigatórios anunciados pelo governo, as quedas nas corridas foram fortemente afetadas.

O baixo movimento registrou um tombo de 80% no número de solicitações. Sem alternativa, e com efeito foi imediato, mais de 70% dos motoristas aplicativo devolveram carros alugados. 

Segundo a CoopMasterManaus (Cooperativa dos Motoristas por App do Estado do Amazonas) até o momento, mais de 9 mil motoristas mais motoristas fizeram a devolução dos veículos, o que fez a cooperativa suspender o pagamento das cotas mensais dos motoristas.

Nos últimos anos a procura pela locação de veículos no Amazonas para atuar como motorista de Uber, aqueceu o segmento e aqueceu o movimento nas locadoras da capital.

A atendente de vendas de uma locadora, que aluga carros principalmente para motoristas de app, Alessandra da Silva, confirma a instabilidade no segmento e observa o aumento no número de devoluções de carros locados pela categoria.  “Nada disso estava nos nosso planos. A empresa depende muito dos valores das locações até mesmo para a manutenção desses carros”, lamenta. 

Ela lembra que nos últimos três anos a empresa teve um crescimento considerável e entre os clientes em potencial eram os que alugavam carros para este fim.

Menores perdas 

Por outro lado, algumas locadoras têm buscado se adequar ao cenário e estão flexibilizando os preços para aluguel de veículos para a categoria. Para não perder os contratos, o atendente de locação, Felipe Rodrigues, conta que a empresa precisou adequar-se para impedir um impacto maior nos negócios.  “Baixamos o valor da diária, da quilometragem e lançamos tarifas flexíveis. Além disso, baixamos consideravelmente o valor da caução. Tudo para mantermos os contratos e não perdermos tanto. Justamente para caber no bolso de todo mundo”, disse ele.

Ele garante que  a redução nos valores têm surtido efeito diante da situação causada pela pandemia, inclusive com um aumento na retirada de carros por profissionais da categoria. “Estamos recebendo muitos clientes de outras locadoras e fechando contrato”.   

Os prejuízos para quem tem que arcar com os custos das diárias, combustível e taxas cobradas pelas empresas de app, se colocados na balança, se agravam ainda mais. 

O Jornal do Commercio publicou uma matéria onde a maior parte dos condutores que trabalham com veículos alugados pagam na diária entre R$ 55 a R$ 60. Considerando que hoje estão  lucrando R$ 150 por dia. O que seria R$ 50 do combustível que garante rodar cerca de cem quilômetros a depender do veículo e mais a diária. Em média eles estão voltando para casa com com pouco mais de R$ 50 a R$ 70. E isso depois de 15 horas a 18 horas de trabalho.  

Nacional 

Em matéria veiculada no site de notícias Uol, responsáveis por terem puxado os ganhos das locadoras nos últimos anos, cerca de 160 mil motoristas de aplicativos devolveram os carros alugados por causa do baixo movimento após a crise do coronavírus. Sem ter espaço, empresas estão alugando áreas de estacionamento. E, para frear devoluções, o preço da locação foi reduzido à metade. Para quem insiste na entrega do carro, são oferecidas tarifas de R$ 10 por semana para mantê-lo, ainda que parado

Paulo Miguel Junior, presidente do conselho da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), confirma que os pátios estão lotados, e muitas empresas tiveram de alugar pavilhões e fazer acordos com estacionamentos e supermercados que estão com áreas ociosas para guardar parte das frotas. O setor abriga cerca de 10 mil empresas, com 75 mil funcionários

Segundo ele, só para uso de aplicativos, havia 200 mil carros alugados, e 80% foram devolvidos. A locação diária, para consumidores comuns, caiu 90%. Para frotas terceirizadas, a queda foi de 20%. Segundo o executivo, cada empresa passou a adotar estratégias de acordo com seu fluxo de caixa, mas, mesmo com promoções, como a de tarifas de R$ 15 a R$ 50 para locação diária, o movimento segue fraco

Fonte: Andreia Leite

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