7 de março de 2021

“Devemos evitar notícias ruins”, diz psicólogo Thiago Filgueiras

Um levantamento realizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) mostrou que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalentes a 5,8% da população, atrás dos Estados Unidos, com 5,9%. A depressão é uma doença que afeta 4,4% da população mundial. Além disso, o Brasil é ainda o país com maior prevalência de ansiedade no mundo (9,3%).

Nos últimos anos as doenças mentais tiveram um aumento considerável no país, o que vem preocupando profissionais da área. Para piorar a situação, a pandemia veio contribuir para o aumento inesperado do sofrimento psíquico na população através do medo, impotência, isolamento, das incertezas e o terror da morte para si e dos seus.

Desde 2014, psicólogos de Uberlândia/MG, criaram a campanha Janeiro Branco visando conscientizar a população a buscar ajuda profissional, investir na saúde mental, reconhecer seus receios e medos e ter uma rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares e amigos de confiança, situações mais do que nunca necessárias nesse quase um ano vivido sob as dúvidas da pandemia. Por isso o Jornal do Commercio foi ouvir o psicólogo Thiago Filgueiras, para que ele mostrasse como reconhecer os problemas mentais e saber enfrentá-los no dia a dia, sem se abater.

Janeiro foi o mês escolhido pelos psicólogos mineiros porque é quando a maior parte da população cria expectativas e desejos para uma boa saúde e bem-estar com a chegada de um novo ano.

Jornal do Commercio: Estamos no Janeiro Branco, mês de alerta aos problemas de saúde mental. Como evitar que esses problemas se agravem com a situação que ora vivemos em Manaus e no mundo?

Thiago Filgueiras: Atualmente estamos vivendo um caos em nossa cidade devido à pandemia, como nunca vivido antes. É uma situação nova e extremamente assustadora. É de suma importância evitarmos essa enxurrada de notícias, principalmente as ruins, que as redes sociais e as demais mídias informam a cada momento. Desta forma, estamos preservando nossa saúde mental.

JC: O que fazer, quem não tem nenhum tipo de problema psíquico, para não vir a tê-los diante dessa pandemia?

TF: É importante que, nesse momento, as pessoas que se encontram mais fortes psicologicamente venham a se preservar até mesmo para dar suporte àquelas mais fragilizadas. Ter um ombro amigo é essencial nessas horas. Desta forma, devemos manter uma rotina preenchida com afazeres prazerosos do tipo: uma boa leitura, ver bons filmes na TV, praticar exercícios físicos, meditar, buscar por uma boa alimentação e ter um bom descanso e sono.

JC: Quais os principais problemas psíquicos que podem resultar não só desses momentos de estresse, como agora, mas de outros que acontecem ao longo de nossa vida?

TF: Podemos citar problemas físicos e psicológicos como: queda acentuada de cabelo, falta de ânimo, tristeza, choro por qualquer motivo, esquecimentos frequentes, insônia, ansiedade e até dores físicas, como pontadas no peito, por exemplo, podem ser originadas pelo estresse.

JC: Mas crianças e adolescentes parecem passar ao largo do problema. Isso é normal?

TF: Não podemos generalizar. Algumas crianças e adolescentes estão em pânico com a real situação, ainda mais quando se tem a perda de um ente querido. É válido mantê-los orientados sobre a importância da prevenção e que o coronavírus, nem a situação de luto que estamos vivendo, não são brincadeiras.

JC: Internet e jogos eletrônicos podem agravar esses sintomas? Ideal é criar rotina diária?

TF: Não necessariamente. Nesse período de isolamento social vale a pena organizar a rotina para não ficar chata e repetitiva, e acabar dando espaço para a falta de saúde física e mental. É necessário, organizar o tempo para o lazer, os estudos e o mais importante, o horário do descanso.

JC: E o que fazer com aquelas pessoas, mais suscetíveis, que começam a apresentar estresse, depressão e ansiedade?

TF: Primeiramente é importante os familiares ajudarem essa pessoa a buscar uma ajuda profissional. No segundo momento, devemos evitar expor essas pessoas a contatos com notícias ruins, principalmente de morte, pois poderá agravar seus quadros clínicos.

JC: Como saber se estresse e ansiedade estão se aproximando? Surgem de forma sutil, e vão se agravando?

TF: O corpo e a mente começam a manifestar os sintomas do estresse e ansiedade com os seguintes sintomas: coração e respiração acelerada; suor, principalmente nas mãos; tremores e tonturas; boca seca; voz presa e sensação de nó na garganta; roer as unhas; vontade frequente de urinar; e dor de barriga.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email