3 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Uma estatística coloca os Estados do Amazonas e Roraima com o maior índice de desperdício de água. De cada 100 litros, mais de quarenta vão literalmente para o ralo sem ser utilizada. Estamos falando de água tratada. Este índice deveria preocupar os locais onde a água é escassa. O ditado de que é mais fácil convencer um francês a tomar banho todo dia, que ensinar ao amazonense a poupar água parece bem real. Encanamento antigo, torneira que não veda, lavar louça sem fechar a torneira e lavar carro são algumas fontes de desperdício. Contudo, economizar água numa terra ilhada por água doce, onde chove em um mês mais que chove no árido num ano todo é pedir demais. Quem sai na rua não pode esquecer o guarda chuva e precisa desviar poças de água na maioria dos lugares.

A cultura do uso farto da água apenas é freada pelo preço. O cidadão daqui, como o de São Paulo, Santa Catarina ou Nordeste paga o mesmo valor pela água que lá é bombeada por dezenas de quilômetros a mais que aqui. E depois, ou antes, passa por um tratamento tão dispendioso quanto o que usamos.  Quem construísse uma cisterna ampla e captasse a água que cai do telhado, teria água para usar sem racionamento o ano todo. O que estamos dizendo é que a água sempre sobrou na nossa região. Quem trafega de Manaus a Boa Vista, encontrará neste trajeto de menos de 800 quilômetros 36 pontes, algumas por grandes rios, e poderá apreciar açudes naturais ao largo da pista por quase toda extensão.

Jamais devemos ser contra o uso racional de qualquer bem. A água do rio Negro para se tornar potável precisa passar por tratamento não tão barato. A “multa” para o perdulário vem na conta no final do mês. Precisamos, no entanto, chamar atenção para outra conta: a de energia. Porque nossa fonte energética vem de Tucuruí, ou por termelétricas, pagamos mais caro o quilowatt consumido. Ah, não falei da Hidrelétrica de Balbina, que apenas provou que os rios dessa planície sem fim, mesmo represados, jamais conseguirão atender o consumo. O benefício está sendo menor que o desastre ecológico que ela provocou. 

Por que pagamos caro a conta de água que é abundante? Se pagamos alto pela energia que vem de longe, por que não temos um desconto na água que sobra? Não são dois pesos e duas medidas? A matriz energética, no futuro, será solar ou eólica. Basta a tecnologia evoluir para oferecer o custo do equipamento a preços acessíveis. Nunca esqueçamos que o primeiro aparelho de televisão preto e branco custou o valor de um apartamento no Rio de Janeiro. É possível que, no futuro, apenas paguemos um pouco a mais para ter um telhado capaz de gerar nossa energia. 

Ecologistas de plantão nos afirmam que o uso racional da água se deve a outros motivos. Sem o devido cuidado, a terra pode se tornar um imenso deserto. Dramatismos à parte, em locais de grande densidade demográfica, as árvores que regulam o fluxo de água pluvial foram removidas e a escassez de água já existe. Na Amazônia existe uma discussão sem fim sobre se a floresta existe por causa da chuva ou o inverso. Companhias de água endossam a campanha da economia mais para justificar o aumento dos preços que por qualquer outro motivo. 

Infelizmente, em Manaus, só os muito pobres utilizam a água da rede pública para beber. Os demais, que não furaram seu próprio poço, adquirem água mineral a preços superiores aos praticados no seco Nordeste. A falta de confiança na qualidade da água vem de datas não tão distantes quando ela não era confiável. Assim, além dos preços altos, ainda existe um custo extra para quem quer garantir sua saúde.(Luiz Lauschner)

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