Como era no princípio, assim continua. A lavoura está salvando o Brasil. Graças a Deus não são apenas os grãos, mas todo agronegócio. Pode-se estender o agronegócio até à produção de máquinas para a lavoura, embora tecnicamente, ela pertença a Indústria. Muitas das indústrias de maquinário agrícola surgiram em regiões de cultivo. Porém, se por um lado surgiu a lavoura intensiva a cultura de subsistência nunca parou no Brasil. Os pequenos agricultores da região sul se tornaram empresários rurais com o incentivo à criação de pequenos animais. Devemos lembrar que os grandes frigoríficos surgiram para abater os porcos que os colonos tinham em abundância. As indústrias de lacticínios surgiram para aproveitar o leite que os colonos não conseguiam beber, nem transformar todos em queijos. 

Nos primórdios disso, empresários como Francisco Matarazzo compravam porcos no interior, levavam em tropa, mais tarde de trem, para serem abatidos em São Paulo e transformados em carne, banha e embutidos. O couro era vendido para a indústria calçadista que estava no nascedouro. Os agricultores, por sua vez, plantavam o que comiam diretamente, e o milho e outros produtos para alimentar os animais. Micro produtores iniciaram o plantio da soja, muitos deles cortando as primeiras folhas para forragem e só depois, deixavam o pé rebrotar para aproveitar o fruto. Este era cozido com outros ingredientes e tratados aos porcos. Como banha de porco era o único “óleo”  para cozinhar, não se usava o da soja.

Os modernos plantadores de lavoura intensiva só conhecem a origem pelos livros de história. A colheita toda é feita por máquinas que nem sempre conseguem um aproveitamento total. Muitos grãos se perdem na colheita, porque a colheitadeira não consegue catá-los como se faria manualmente. Isso depende até das características do solo.  Para grandes planícies podem ser usadas máquinas com plataformas largas, o que nas depressões do terreno não é possível. Neste período em que o Brasil está encerrando sua colheita de soja, outra colheita está sendo perdida. Este ano a excessiva umidade foi um inimigo fatal. A soja pronta para a colheita não se encontra seca o suficiente para isso e se perde muito. Não há tecnologia para ajustar o tempo. A natureza não funciona como queremos, além do mais, a terra precisa ficar livre para o plantio do milho.

Para cuidar dos porcos surgiram abatedouros nos centros produtores, porque transportá-los vivos aos centros consumidores os emagrecia e muitos morriam na estrada. Hoje o desperdício é quase nulo. Claro que a criação evoluiu e, mesmo assim, muitos produtores de suínos migraram para o frango. O sistema também foi modernizado tanto na criação como na genética. Os abatedouros fazem um acompanhamento minucioso para que o aproveitamento do animal abatido chegue ao máximo. Eles sabem que qualquer desperdício na fase de produção representa uma diminuição ou uma ausência de lucro. 

E com os grãos? A modernidade trouxe o aumento da produção, mas  não consegue evitar o desperdício na colheita. É doloroso fazer tudo certo e ser agredido pela natureza. Sempre que vamos comer o feijão com arroz, lembremo-nos que estamos nos alimentando dos grãos sobreviventes. Parte da perda é inevitável, porém existem centenas de cientistas engenheiros trabalhando para diminuir isso. Não se pode espremer o limão até sobrar a casca seca. Com todo o progresso que já foi conquistado, precisa haver sempre um cuidado extremo que nem sempre depende só do homem.

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