18 de maio de 2021

Desmatamento na Amazônia cresce 40% em fevereiro e totaliza 123 km²

Em fevereiro de 2021 o desmatamento na Amazônia identificado pelo sistema de monitoramento Deter/Inpe totalizou 122,8 quilômetros quadrados. Embora este valor seja 30% inferior ao registrado em fevereiro de 2020 e 10% menor que a média dos últimos cinco anos para o mês, ele representa uma alta de aproximadamente 40% em relação ao mês anterior.

Assim como janeiro, fevereiro é normalmente um período de elevado volume de chuvas na maior parte da região, contribuindo para baixos índices de desmatamento. Tal tendência é influenciada por fatores inerentes ao processo, que frequentemente se utiliza do fogo para limpeza das áreas desmatadas, e limitações de acesso na região durante os períodos chuvosos. Há ainda uma maior dificuldade no monitoramento nesta época, devido à alta incidência de nuvens nas imagens.

Em fevereiro foram identificados desmatamentos em 112 municípios, dos quais 79 desmataram menos de 1 km2. Por outro lado, cinco municípios representaram 27,8% de todo o desmatamento identificado no período. Enquanto no mês de janeiro quatro dos cinco destaques estavam localizados no Estado do Mato Grosso, em fevereiro foram dois municípios do Sul do Amazonas (Apuí e Novo Aripuanã) e dois em Roraima (Rorainópolis e Caracaraí). Ambas as regiões têm sido apontadas por especialistas como novas fronteiras de ocupação na Amazônia. Já Altamira, no Pará, ficou entre os cinco que mais desmataram em ambos os meses. 

Essas análises foram embasadas no Deter, o sistema de monitoramento e alerta de desmatamento e outras alterações da cobertura florestal na Amazônia, desenvolvido pelo Inpe para dar suporte à fiscalização, através do repasse diário dos dados mapeados para o Ibama e outros órgãos competentes.  Esse sistema monitora vegetação com fisionomia florestal dentro da Amazônia Legal Brasileira, excluindo áreas previamente desmatadas. Portanto, não são contabilizadas as áreas que passaram por desmatamento no passado, estavam em processo de regeneração florestal e foram novamente desmatadas.

A identificação de alterações da cobertura florestal é feita por interpretação visual de especialistas, com área mínima próxima a 3 hectares. Para o público geral são disponibilizadas as áreas superiores a 6.25 hectares através do site. A metodologia e as estatísticas de validação do Deter publicadas em artigo científico estão disponíveis em: https://doi.org/10.1109/JSTARS.2015.2437075.

Embora o Inpe enfatize que a finalidade do Deter seja a expedição de alertas para suportar a fiscalização e que os números oficiais do desmatamento na Amazônia Legal Brasileira sejam fornecidos anualmente pelo Sistema Prodes, a divulgação do Deter tem permitido que a sociedade acompanhe mais de perto a dinâmica do desmatamento na região.

Foto/Destaque: Divulgação

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